TORRE YPF: Um jardim nas alturas de Puerto Madero

YPF (sigla para Yacimiento Petroliferos Fiscales) é uma empresa argentina que se dedica à exploração, destilação, distribuição e comercialização de petróleo e seus derivados.

Localizada no cais 3 de Puerto Madero, a torre YPF projetada pelo Arq. Cesar Pelli foi construída no período 2005-2008 e exigiu um investimento de 134 milhões de dólares.

O coração do edifício é um jardim inserto no andar 26 que vai até o andar 31. Ele está localizado dentro do edifício. A ideia de plantar a floresta na vitrine foi comunicar as preocupações institucionais da empresa em relação aos cuidados ecológicos.

Torre YPF

Boulevard Macacha Güemes 515


A Torre Corporativa YPF S.A está localizada na rua Macacha Güemes 515 entre Juana Manso e a Avenida dos Italianos, Puerto Madero, é a sede principal da petroleira argentina YPF.

Este edifício alberga os escritórios da empresa onde trabalham 2.500, foi construído com um investimento de 134 milhões de dólares e foi inaugurado em 2009.

A elegante sede corporativa da empresa YPF possui 36 níveis, 33 dos quais são ocupados por escritórios. Com 160 metros de altura, abriga cerca de 2.000 funcionários. É a maior empresa da Argentina e a terceira maior petrolífera da América do Sul, empregando direta ou indiretamente mais de 72.000 pessoas em todo o país.

A planta é gerada geometricamente pela superposição de duas figuras: um triângulo e um quadrado girado a quarenta e cinco graus, ambos curvados para fora. O setor de planta triangular está voltado para o rio e seu exterior é resolvido com uma pele quase uniforme (painéis de alumínio leve e painéis de vidro). Por outro lado, o setor da planta que corresponde ao quadrado, está voltado para a cidade e sua fachada é composta por uma importante rede de painéis de aço inoxidável e vidro, o que gera uma superfície altamente polida de alta qualidade em seus acabamentos e detalhes.

O setor da planta quadrada, supera em altura o da planta triangular, conformando o acabamento chanfrado do edifício. A imagem geral da torre vista de fora é de grande síntese, abstração geométrica e pureza formal que destacam sua presença nos inúmeros edifícios altos que a rodeiam.

Uma das ideias norteadoras deste projeto foi ter diferentes percepções visuais do edifício dependendo da perspectiva que se tem dele. As diferentes perspectivas que se pretendem alcançar têm a ver com a diferenciação de duas faces que, voltadas uma para o rio e a outra para a cidade, conseguem representar um elo entre estas duas áreas.

A fachada que aponta para o rio procura ligar-se a ele através da materialidade: uma cortina de painéis de alumínio e vidro de padrão quadrado, que se mantém equilibrada no seu desenvolvimento e na qual a água pode ser refletida. A fachada voltada para a cidade é caracterizada por uma grade em que se alternam carpintarias e painéis de vidro e inox, gerando uma modulação uniforme e alternando transparência e opacidade. Esta fachada também tem a particularidade de mostrar o jardim de inverno que se situa entre os pisos 26 e 31.

Esta torre de escritórios única para uma petroleira é o terceiro projeto que o estúdio do arquiteto Pelli realiza em Buenos Aires, depois do Edifício República (1996) e do Bank Boston Tower (2001).

Cesar Pelli recebeu 13 diplomas honorários, mais de 300 prêmios de excelência em design, foi distinguido com a medalha de ouro do American Institute of Architects (AIA). Em 2012, a Fundação Konex concedeu-lhe o Prêmio Konex de Brilhante como a figura mais relevante das artes visuais argentinas da década.

Jardim nas alturas


Neste projeto, foi dada especial importância à natureza. No 26º andar está o que talvez seja o aspecto mais marcante de todo o projeto: o jardim de inverno. No ápice quíntuplo de seu desenvolvimento (entre os andares 26 e 31) foram plantados os jacarandás e as cañas tacuaras em vasos de aço inoxidável.

Vista desde a Praça de Maio: O jardim elevado mina o prisma no andar 26. Esse “vazio” corta a proa que dá para a cidade e cria um pátio interno quíntuplo de altura

Durante a noite, o jardim de inverno fica iluminado. Sua presença na paisagem de Puerto Madero é notória e, nas palavras dos autores, constitui “um símbolo da energia limpa e do ambiente natural de Buenos Aires”, valores com os quais a empresa aspira se identificar.

Neste espaço, jacarandás e outras espécies dão vida ao jardim interior

Do lado de fora, na altura do jardim, o tratamento da cortina contrasta com o resto do volume: neste setor foi utilizado o vidro transparente para favorecer a entrada da luz natural. Este setor é percebido como uma grande janela, atrás da qual cresce levitando, um grupo de árvores.

O piso térreo é unificado. Os volumes não são reconhecidos lá. O lobby ocupa todo o andar e é fechado com vidro nos quatro lados. Os elevadores aparecem em uma cunha, enquanto em uma extremidade há um anfiteatro para 220 pessoas de onde você pode descer para o auditório no primeiro subsolo. Possui ainda 3 subsolos. No rés do chão tem uma bateria de seis elevadores que abastece os andares inferiores e outra igual aos andares superiores.

O espaço exterior da torre é um jardim de estilo pós-moderno projetado por Balmori.

Ao nível do acesso, uma praça circular seca, com pérgulas e fontes, é perfurada numa das suas extremidades pelo vértice poente da torre: Gera-se assim um átrio de acesso que resulta da simples intersecção de duas peças. Com uma economia de recursos semelhante, na extremidade oposta ao térreo, o piso afunda e desce, tornando-se, assim, os degraus de um auditório coberto.

Como conclusão do projeto, foi necessária a cobertura do último andar da torre do edifício corporativo em Puerto Madero. Devia permitir a passagem de ar para ventilação das torres de resfriamento e ao mesmo tempo ser transparente às ondas eletromagnéticas, por conta das ondas de rádio.

Situada a uma altura de 37 pisos, devia ocupar uma área de 1600 m². Como solução foi realizado um projeto de cálculo e fabricação de uma cobertura de 1.600 m² composta por vigas reticuladas com treliça de perfil tipo Gota (projetada e fabricada especialmente a pedido do estúdio de arquitetura do Arq. César Pelli).

A estrutura foi confeccionada com perfis estruturais de fibra de vidro. Os parafusos também foram feitos de fibra de vidro (adesivo), uma vez que não deveria haver elementos metálicos, para permitir 100% de transparência eletromagnética do equipamento instalado na torre.

O Estudio Conticello Arquitectos foi convocado para projetar a sinalização e wayfindig da Torre YPF. Num trabalho em colaboração com o Rosellini Studio, que realizou o design de interiores, chegou-se a uma solução abrangente para o programa, utilizando uma nomeação original para orientar aos usuários num edifício com pisos circulares com uma estética que respeita a materialidade e o carácter de o edifício.

YPF coloca à venda a torre de Puerto Madero


YPF em Diagonal Norte, 1938

A Torre Pelli é a terceira sede ocupada pela empresa. Em uma primeira etapa, a estatal localizou-se no que hoje é conhecido como Ministério da Agricultura da Nação, no Paseo Colón 922. Em 1938 mudou-se para um prédio especialmente construído para a empresa, localizado na Avenida Presidente Roque Sáenz Peña 777 (que em 2010 foi declarado Património Histórico Nacional e hoje encontra-se alugado à multinacional Accenture). Nesse edifício funcionou até 2008 quando se mudou para Puerto Madero. 

A petrolífera estatal passou por sérias dificuldades nos últimos anos, incluindo a queda do preço do petróleo no mercado internacional e o colapso de suas ações aos preços mais baixos da história.

Em janeiro de 2021, fontes da empresa confirmaram que o prédio de Puerto Madero “foi lançada a possibilidade de realizar a operação de venda assim que for atingida uma oferta com o valor esperado”, o que de acordo com os valores do mercado imobiliário seria de aproximadamente US$ 400 milhões.

A decisão faz parte da estratégia da petroleira de concentrar recursos no núcleo do negócio, ou seja, a produção de energia e financiar parte do plano de trabalho com os recursos que vierem da operação imobiliária. A YPF vendeu recentemente um prédio no centro de Buenos Aires por US $ 30 milhões. É a Torre Blanca, localizada em Tucumán 744, que foi adquirida pela Aysa, empresa que até então alugava escritórios no mesmo espaço.

A decisão é assim adicionada a outras ações corporativas que vão na mesma direção e que podem ser reconhecidas como “parte da transformação que impulsionou a pandemia covid-19”.

A nova realidade imposta pela pandemia também se refletiu na petroleira que providenciou para que grande parte de seu pessoal continuasse seu trabalho remotamente. “Hoje o prédio não é funcional mais porque tem mais gente trabalhando remotamente do que fisicamente na torre”, explicaram as fontes.

 

fonte:

  • https://www.telam.com.ar/notas/202101/540679-ypf-venta-edificio-puerto-madero.html
  • http://arqi.com.ar/edificio/torre-ypf/
  • https://www.pagina12.com.ar/315551-ypf-pone-en-venta-la-torre-de-puerto-madero
  • https://www.modernabuenosaires.org/obras/2000s/torre-repsol-ypf
  • https://www.cmeargentina.com/obras/techo-edificio-ypf-puerto-madero

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