OURO PRETO (MG): Igreja de São José – Parte I: Irmandade de São José dos Homens Pardos e Bem Casados e Músicos de Santa Cecília

Sendo São Jose (pai de Jesus) de profissão carpinteiro foi o santo patrono preferido dos artistas e artesãos. Em muitas regiões de Brasil as irmandades de São Jose adicionavam a seu nome o termo “dos quatro ofícios” a saber: carpinteiros, pedreiros, marceneiros e tanoeiros. Mas os ofícios no total foram muitos mais: oficiais mecânicos, artistas liberais (pintor ou músico), professores de primeiras letras, boticários, etc. Em Ouro Preto esta igreja foi denominada obviamente como a “Capela dos Artistas”. Mas quando lemos em detalhe a denominação completa desta irmandade reparamos vários termos que neste post vamos revelar: Irmandade de São José dos Homens Pardos e Bem Casados e Músicos de Santa Cecília … Como e bem conhecido Santa Cecilia e Padroeira dos Músicos … mas porque Homens Pardos? … porque Bem Casados? Continue lendo “OURO PRETO (MG): Igreja de São José – Parte I: Irmandade de São José dos Homens Pardos e Bem Casados e Músicos de Santa Cecília”

OURO PRETO (MG): Igreja do Bom Jesus de Matozinhos e São Miguel e Almas – Parte I: Analise da belíssima portada do Mestre Aleijadinho

Como em outras localidades de Minas e de Portugal, nesta igreja o culto ao Bom Jesus de Matosinhos está associado à devoção a São Miguel e Almas. Sua locação no afastado bairro de Cabeças, longe do circuito turístico ouro-pretano, não chama a atenção dos turistas que apenas dão conta da inúmera oferta de igrejas, museus e lazer que oferece o centro da cidade histórica agrupada entorno à Praça Tiradentes.

Você precisa saber que esta igreja está fechada por restauração desde 2014. Também é preciso destacar que a belíssima portada é obra do famoso Mestre Aleijadinho executada por volta de 1778. Neste post conheceremos as origens desta igreja e veremos com precisão os detalhes desta magnifica escultura autoria do grande mestre do Barroco Mineiro. Continue lendo “OURO PRETO (MG): Igreja do Bom Jesus de Matozinhos e São Miguel e Almas – Parte I: Analise da belíssima portada do Mestre Aleijadinho”

OURO PRETO (MG): Igreja de Nossa Senhora das Dores do Calvário no Arraial de Antônio Dias

A pequena capela no alto do morro já não é a construção original. A primeira obra no local datava do final do século XVIII e foi construída a pedido da Irmandade de Nossa Senhora das Dores e Calvário. A atual construção data de meados do século XIX. A igreja não se destaca pela arquitetura ou rico interior. Também não se conhece o autor do projeto.

A igreja celebra duas festas em honra de Nossa Senhora das Dores: a primeira na sexta feira da semana da paixão, anterior à Semana Santa, e a segunda no dia 15 de setembro. A primeira é celebrada na Igreja desde 1727, instituída pelo papa Bento VIII. A segunda foi determinada por Pio VIII em 18 de setembro de 1814, festeja o dia da padroeira.

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OURO PRETO (MG): Igreja de São Francisco de Paula – Parte I: A última igreja a ser construída no período colonial

Meu querido amigo Raul (argentino como eu) estava curtindo férias em Rio de Janeiro e decidiu presentear-me com sua presencia na data do meu aniversário. Aquela noite fomos para “Pura Harmonia” um boteco mineiro no bairro do Castelo que traz para Belo Horizonte (MG) o mais genuíno espírito da musica carioca. Como pode-se apreciar na foto a alegria foi imensa, como foi imensa a quantidade de cerveja em balde que bebemos até altas horas da madrugada.

Para o dia seguinte tínhamos marcado fazer a mais tradicional viagem do roteiro turístico mineiro: a maravilhosa cidade de Ouro Preto. Partimos para rodoviária quase sem dormir e pegamos o ônibus carregando toda nossa ressaca, que com certeza pesava mais do que as nossas mínimas mochilas.

Ao descer na rodoviária de Ouro Preto fomos os últimos em descer, fazia frio e uma espessa neblina cegava nossa primeira impressão.  Em estado inconsciente seguimos qual cabrinhas a manada da nossa frente, quando de pronto percebi os fundos de uma imensa Igreja que nunca tinha visto. Rapidamente entendi que em vez de ter pegado a Rua Padre Rolim em direção à Praça Tiradentes, aquele rebanho tinha nos conduzido por outro caminho.

Foi quando cheguei ao adro na frente da Igreja que percebi que se tratava da Igreja São Francisco de Paula, aquela que desde o centro da vila fica sempre longe e distante no topo de uma colina, como um cartão postal permanente. A paisagem sumida dentro daquela densa neblina, a cidade banhada de nuvens, o silencio e o frio da manhã, todo nos referia a sensação de que a gente tinha chegado a um lugar magico deste planeta.

Os sambas e pagodes da noite anterior ainda ressoavam dentro na minha cabeça como um tambor batendo em uma nuvem de álcool. Descemos aquele morro passando pela Igreja de São José que também estava fechada. Como dois peregrinos cansados e sem fé, continuamos nosso caminho até chegar a esta rua, e foi lá onde está o farol, que nossas almas voltaram para nossos corpos da mão de uma milagrosa cura: o Café da manhã.

Ouro Preto: A cidade que em cada virada de esquina oferece um cartão postal

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OURO PRETO (MG): Igreja N S das Mercês e Perdões – Parte I: A Mercês de Baixo

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Esta igreja foi erguida a partir da primitiva Capela chamada Bom Jesus dos Perdões (Cristo Crucificado) edificada pelo padre José Fernandes Leite, que ele mesmo  doou em 1760 à Irmandade de Nossa Senhora das Mercês. Da justaposição abreviada das duas devoções deriva a singular denominação de Nossa Senhora das Mercês e Perdões, pela qual a igreja é conhecida popularmente.

A igreja localizava-se numa região geográfica abaixo da outra irmandade de Mercês, ficando conhecida também como “Mercês de baixo” e a outra como “Mercês de cima” ou “Mercês e Misericórdia”. Continue lendo “OURO PRETO (MG): Igreja N S das Mercês e Perdões – Parte I: A Mercês de Baixo”

OURO PRETO (MG): Nossa Senhora das Mercês e Misericórdia – Part I: A Mercês de Cima

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A devoção de Nossa Senhora da Mercês em Ouro Preto tem duas igrejas onde ela é a padroeira: a “Mercês de baixo” (cujo nome correto é Nossa Senhora das Mercês e Perdões e a outra é a “Mercês de cima” (situada acima da cidade e bem próxima do Hospital da Irmandade da Misericórdia).

A irmandade de Nossa Senhora das Mercês, oriunda a partir da Arquiconfraria da Igreja São José, era uma associação de pardos e crioulos, representante de segmentos que buscaram afirmação social na antiga Vila Rica, sobretudo, a partir da década de 1740, quando os pardos começaram a adquirir presença na estrutura social da época.

Conhecida popularmente como a “Mercês de Cima”, foi construída entre 1771 e 1793. Continue lendo “OURO PRETO (MG): Nossa Senhora das Mercês e Misericórdia – Part I: A Mercês de Cima”

Porque Ouro Preto tem duas Igrejas das Mercês? … a Mercês de Baixo e a Mercês de Cima

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Em Ouro Preto a devoção a Nossa Senhora das Mercês existem duas igrejas onde ela é a padroeira.  Os nativos diferenciam de modo peculiar, baseados na topografia da montanhosa cidade: uma é a “Mercês de baixo” (cujo nome correto é Nossa Senhora das Mercês e Perdões), situada nas baixadas do bairro dos Paulistas, a caminho da Nossa Senhora da Conceição de Antonio Dias, e a outra é a “Mercês de cima” (situada acima da cidade e bem próxima do Hospital da Irmandade da Misericórdia). Continue lendo “Porque Ouro Preto tem duas Igrejas das Mercês? … a Mercês de Baixo e a Mercês de Cima”

TIRADENTES (MG): Igreja Nossa Senhora das Mercês – Parte I: A Oredem das Mercês

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A Igreja de Nossa Senhora das Mercês dos pretos crioulos está localizada no Largo das Mercês, perto do Largo das Forras, no Centro Histórico de Tiradentes.

A Irmandade das Mercês, durante a época colonial, era reservada aos pretos nascidos no Brasil e aos mulatos principalmente. Em Minas Gerais tornou-se extremamente popular. Em praticamente todas as vilas mineiras existiram irmandades de Nossa Senhora das Mercês.

A igreja do final do século XVIII, construída em estilo rococó, esconde detras de sua fachada simples um interior com belas pinturas atribuídas a Manoel Victor de Jesus, das quais Kellen Cristina Silva fez um estudo iconológico muito detalhado em sua tese de graduação citada na fonte deste post. Continue lendo “TIRADENTES (MG): Igreja Nossa Senhora das Mercês – Parte I: A Oredem das Mercês”

TIRADENTES (MG): Igreja Matriz de Santo Antônio – Parte I: Fachada do mestre Aleijadinho

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Valorizando a figura do herói da Inconfidência Mineira, em 6 de dezembro de 1889, o governo republicano homenageia Tiradentes colocando seu nome na antiga cidade de Santo Antônio da Ponta do Morro. Atualmente, o centro histórico da cidade de Tiradentes é reconhecido como Patrimônio Cultural da Humanidade, tomado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), considerado um dos pontos turísticos mais importantes do Brasil.

A Igreja Matriz de Santo Antônio, impõe-se à paisagem de Tiradentes e pode ser apreciada de diversos pontos da cidade. Ela compõe belos quadros com a Serra de São José, ipês amarelos e casarões coloniais. 

Em esta primeira parte vamos a conhecer o exterior da igreja cujo risco da fachada pertence ao mais famoso artista do Barroco Mineiro: o Aleijadinho. Na segunda parte veremos o interior deslumbrantemente dourado já que esta igreja é considerada a segunda igreja em ouro do Brasil, sendo a primeira em Salvador, Bahia. No seu interior um órgão datado de 1788, trazida pelos portugueses e que é classificado como um dos quinze mais importantes do mundo.

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SABARA (MG): Igreja São Francisco de Assis – Parte I: A humilde expressão do Templo

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Desde os tempos da primeira construção no local a capela é dedicada a Nossa Senhora Rainha dos Anjos, erguida pela Arquiconfraria do Cordão de São Francisco (irmandade franciscana dos homens de cor), fundada em Sabará em 1761.

A ornamentação interior nunca foi concluída ate o dia de hoje. Apesar da simplicidade da decoração interior, em concorrência com as outras belíssimas igrejas de Sabará, esta igreja não impacta pela sua ornamentação interior a exceção da Capela-mor que possui um bonito forro pintado que retrata Nossa Senhora dos Anjos, a grande protetora dos franciscanos.

Embora, por sua vez, ostenta ser a Única na cidade com sala-consistório, sacristia na parte posterior, tribuna na capela-mór, púlpitos no arco-cruzeiro, é além de tudo… a maior em altura interna da nave em todo Sabará (MG). Continue lendo “SABARA (MG): Igreja São Francisco de Assis – Parte I: A humilde expressão do Templo”