RUA FLORIDA – PARTE I: Cheia de história e tradição, o calçadão da Flórida é um dos pontos mais representativos do centro comercial de Buenos Aires

A Rua Florida é um calçadão da Cidade de Buenos Aires que começa na Avenida Rivadavia e termina na Praça General San Martín. É reconhecida como a rua comercial mais importante da Argentina.

Nesta rua foram instaladas as famosas “Grandes Lojas” que combinavam várias atividades,  como fazer compras, passear, encontrar-se com amigos e o mais importante … ser visto. Neste post vamos fazer um passeio pela história desta artéria comercial, para conhecer um dos passeios preferidos dos turistas que vêm conhecer Buenos Aires.

A Origem da Rua Florida


Em 1617, quando Buenos Aires era uma vila ao redor do Forte, localizado na atual Plaza de Mayo, pouco mais de 300 pessoas viviam na área. Segundo o historiador argentino Rómulo Cabria, foi Monsenhor Acarete du Biscay, um holandês que a visitou algumas décadas depois, quem afirmou que “a cidade era composta por cerca de 400 casas construídas com adobe e barro e cobertas com junco e palha. Naquela época, andar à noite na Rua Florida era perigoso, pois ladrões e cães vadios vagavam, enquanto de dia a área era caracterizada pela passagem de carroças para bois e mulas de carga.

Demorou alguns anos até que começasse a se tornar a rua de carros imponentes, crinolinas/miriñaques sedosos e opulentos peinetones (pentes). Por volta de 1780, a rua que hoje é conhecida como Flórida-Peru, se chamava Rua San Jose. O paralelepípedo chegou e o número de habitantes já tinha crescido significativamente: eram 417 espanhóis, 84 mulatos, 165 negros, 2 mestiços e 9 índios.

Também nessa época a numeração das casas já havia começado a se implementar enquanto as referências que se utilizavam eram do tipo a “esquina da pomba” para indicar Flórida e Perón; e “esquina de Lamas” para se referir a Sarmiento e Flórida.

Nos primeiros meses de 1862, uma jovem cantante de ópera chega a Buenos Aires para se apresentar no primeiro Teatro Colón, que na época ficava próximo à Plaza de Mayo. Giuditta Altieri, nascida em uma rica família de Dublin, foi contratada pelo empresário teatral Antonio Pestalardo.

A atraente prima donna de 22 anos causou grande sensação. As crônicas dizem que ela tinha muito bom gosto, não só na escolha das roupas, mas também nas joias que enfeitavam seus braços e mãos.

A cantora passou suas primeiras semanas no Hotel Roma e depois mudou-se para uma casa localizada na Flórida e Perón. Sua beleza era perturbadora. O loiro intenso de seu cabelo e seus olhos azuis se destacavam de sua figura. Assim ela colheu muitos admiradores que pretendiam chamar sua atenção cantando serenatas para ela. Giuditta costumava aparecer vestida de branco e acenando com seu leque, com um sorriso encantador. Era costume os cavalheiros passarem pela casa da Rua Florida para ver se “a pomba” aparecia. Esse foi o apelido que lhe deram pelas roupas brancas e por se mostrar no alto.

Florida foi a primeira rua de paralelepípedos de Buenos Aires, fruto de uma iniciativa do Viceroy Vértiz no final do século XVIII. Em seus trechos mais centrais a rua, foi ocupada por famílias abastadas que construíram importantes casarões. Assim continuou até boa parte do século XX, quando a moda urbana mudou a Rua Florida e perdeu seu caráter residencial para se tornar uma artéria essencialmente comercial.

Grandes personalidades ilustres moraram em esta rua. Uma delas foi Mariquita Sánchez de Thompson, quem morava na Flórida 273. O Hino Nacional foi cantado em sua casa pela primeira vez. Foi na sala de Mariquita que o poeta Esteban de Luca executou o hino composto por López y Planes e Don José Blas Parera, sentado ao piano que hoje está guardado no Museu Histórico Nacional.

Enquanto infraestrutura, foi uma das primeiras ruas a ter iluminação pública a gás. Os soldados que voltaram da guerra do Paraguai marcharam por ela e tantos outros eventos nacionais aconteceram aqui que para 1882 se tornou em um lugar suntuoso e de destaque. O tranvía puxado a cavalo que circulava em direção à Recoleta intensificou o tráfego. Já era zona de lojas e livrarias. O primeiro elevador a vapor que funcionou na cidade foi na casa de Torcuato Tornquist. Também na Flórida, a campainha do telefone tocou pela primeira vez, na casa de Bernardo de Irigoyen. Sua evolução foi tal que em 1911 foi decidido proibir o tráfego de veículos entre 11h e 21h. Finalmente, em 30 de junho de 1971, passou a ser exclusivamente pedestre.

Os primeiros comércios


O primeiro indicio de atividade comercial desta área aparece no início de 1800 com o impulso e a prosperidade das casas de varejo. O número de lojas então distribuídas ao longo da rua chegava a 36 unidades, sendo 9 lojas de platerías, 4 de calçados e as demais eram armazenes bodegones de comida y pulperías. Existiam também locais de atenção especializada da saúde e as primeiras alfaiatarias e carpintarias, itens que deixaram sua marca ao longo do tempo.

Em função do grande progresso e a evolução que a rua experimentou se decidiu mudar de nome e passou a se chamar Flórida. Este fato aconteceu durante o período (1810-1816) em que Argentina lutava pela sua independência. A decisão foi tomada após uma batalha vencida pelos patriotas sob o comando de Álvaro de Arenales em 25 de maio de 1814 em um local do Alto Peru que tinha esse nome. Os planos já limitavam sua extensão desde a esquina de San Nicolás (hoje Avenida Corrientes) ao chamado Campo de Marte (hoje Praça San Martín), onde ficava a praça de touros.

 

Posteriormente, em um mapa de Bernardino Rivadavia em 1822, a rua já aparece com o nome que conserva até hoje.

Segundo o Censo Municipal de 1887, Buenos Aires tinha 9.009 lojas comerciais, entre as quais se destacavam alimentos, roupas, construção, artigos de luxo, etc. Havia 117 fábricas de cigarros, 98 destilarias, 114 confeitarias, 527 açougues, 467 bancas de mercado, várias empresas de aceites, biscoitos, água gaseificada. Os italianos, por exemplo, possuíam 23 carpintarias, 47 fábricas de massas, 243 padarias. As fábricas têxteis importavam tecidos da Grã-Bretanha, com 279 oficinas de costureiras, 466 oficinas de alfaiates, 89 fábricas de camisas e lingerie cadastradas. Com a abundância de couro nacional, tinha 36 peleteiros, 31 fábricas de calçados, 6 fábricas de luvas. Foram contabilizadas 318 casas de importação, 115 joalherias, 405 cabeleireiros, 36 livrarias, 12 teatros, 14 bancos. Havia algumas fábricas de cimento, vidro, cal, 651 oficinas de carpintaria, embora móveis de luxo fossem importados de Paris.

Os britânicos desempenharam um papel importante no comércio de Buenos Aires. Em 1810 já haviam formado a Sociedad Comercial Británica e seus comerciantes estavam entre os mais prósperos da cidade, dedicando-se à importação de artigos de luxo como joias, sedas, perfumes, produtos de higiene, para a burguesia dominante. O sucesso comercial inglês foi completado por volta de 1884, quando as Galerias Witcomb foram inauguradas na Flórida 760, e em 1914 a Loja Harrods em Florida 877.

Grandes lojas da Rua Florida

A rua “Flórida” simbolizaba a rua do luxo de Buenos Aires no final do século XIX onde todas as “Grandes Lojas” buscavam instalar sua filial. O modelo de negócio foi inspirado na moda estrangeira, especialmente de Paris e Londres.

Os catálogos de novidades das grandes lojas ao estilo “Louvre”, “Pintemps” e “Bon Marché” chegaram a estas terras oferecendo roupas e produtos que marcavam as novas tendências. As lojas mais famosas desta rua eram: “Madame Carrau”, “Gath & Chaves”, “Harrod’s”, ” A la Ciudad de México”, “Galerías Pacífico” e “Galerías Güemes”.

Grandes lojas de departamentos e galerias comerciais começaram a crescer rapidamente a partir do final do século 19 e início do século 20. Esses novos modelos arquitetônicos combinavam várias atividades alternativas além de fazer compras, principalmente para as mulheres permitia a possibilidade de encontros sociais e passeios, atividades que até então era restrita a núcleos socias fechados ou só para homens.

Famílias de classe média, já no século XX, viajavam dos bairros periféricos ao centro para ver vitrines e visitar as “Grandes Lojas”.

Um dos pioneiros foi a “Tienda San Miguel”, inaugurada em 1857 no atual Hipólito Yrigoyen 700 e que a partir de 1871 mudou-se para Bartolomé Mitre y Suipcha, onde passou por sucessivas ampliações. Ele se especializou em tapetes, estofados e cortinas. A arquitetura do local é muito bonita, a partir de sua restauração o edifício ficou batizado com o nome de Palácio San Miguel. Semi esquecido, esteve a ponto de ser demolido em 1976 até que em 1989 foi comprado pelo grupo Ianua S.A que hoje o administra como um local de atividades sociais, casamentos e eventos culturais.

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A la Ciudad de Londres: Sua presença se tornou um emblema da época, sendo considerada uma das lojas mais elegantes de Buenos Aires.

Surgiu na Rua Florida com o nome de “Los Salones Argentinos” por volta de 1872 com apenas sete funcionários, foi fundada pelos irmãos Brun. Por fim, está localizado na esquina da rua Peru e Av. de Mayo com o novo nome de “À Cidade de Londres”, dedicado a roupas, porcelanas, vidros, móveis. Foi considerado um dos grandes armazéns mais elegantes de Buenos Aires por seus suntuosa arquitetura de interiores, com uma grande escadaria, esculturas, iluminação a gás, etc.

Eles iniciaram um tratamento personalizado ao cliente, que incluía a devolução da mercadoria caso não fosse satisfatória, bem como o presente de balões e brinquedos para as crianças acompanhantes. Também foi pioneira ao oferecer a seus funcionários um percentual de vendas e recompensas na comercialização de determinados produtos. Se em 1872 empregava sete operários, em 1916 seu número era de mil, sem contar os mais de dois mil e quinhentos que fabricavam em seus domicílios roupas para a empresa.

Em 19 de agosto de 1910, o prédio desta loja pegou fogo, destruindo completamente suas instalações e mercadorias, com perdas totais. Superando essas vicissitudes, no dia 10 de outubro do mesmo ano, a loja foi reaberta, agora na esquina Carlos Pellegrini e Corrientes e com o novo nome de Jean Brun y Cia. Ltda.

 

Galeria Witcomb

Em seu trabalho fotográfico, o inglês Alexander Witcomb não só tirou fotos de estúdio, mas também saiu para registrar aspectos da vida social argentina. Witcomb captou com as lentes de sua câmera a vida de Buenos Aires em todos os seus aspectos: ruas, passeios, personagens relevantes de sua época, transportes, celebrações, assim como acontecimentos políticos e sociais. Através de seus contatos, ele conseguiu retratar vários presidentes da nação e também refinados eventos da classe alta da sociedade de Buenos Aires.

Em 1880 fundou o primeiro estúdio de produção fotográfica massivo, localizado na Rua Florida 364 com o nome de Galería Witcomb. Tornou-se o estúdio mais tradicional do país. Após a sua morte em 1905, foi sucedido pelo filho que continuou a trabalhar até 1945. Em 1970, os registos do estudo passaram a fazer parte do Arquivo Geral da Nação, como evidência de um processo histórico registrado por meio da técnica fotográfica. O acervo fotográfico contem unos 500.000 negativos, sobre placas de vidro.

A procura de um espaço destinado à exposição de obras de arte no final do século XIX, transformou-o estúdio fotográfico em uma galeria de arte durante grande parte do século XX e, assim, Witcomb ocupou um longo capítulo na história da pintura e escultura deste país. Estima-se que em seus salões de 1897 a 1971 foram realizadas cerca de 1900 exposições que acompanharam a evolução e o desenvolvimento da arte argentina.

Madame Carrau

Na esquina da Flórida com a Sarmiento havia uma pulpería chamada Almacén del Plata durante os primeiros anos do século XIX. Em 1889, na mesma esquina, abriu suas portas a Casa de Moda de Madame Carrau, uma das costureiras mais procuradas pelas elegantes portenhas. Suas especialidades eram vestidos, chapéus e peles. Trabalhava a partir de desenhos lhe eram enviados de famosas casas europeias.

Entrando no novo século, em 1917 as instalações foram assumidas pelo vizinho (Sarmiento 581) proprietário de La Franco-Inglesa, uma indústria farmacêutica, expandindo-se para dois andares, enquanto em 1920 foi ampliado novamente para ocupar a esquina mesma da Flórida e Sarmiento, ali onde ficava a Casa de Madame Carrau. Foi uma das primeiras farmácias a introduzir a distribuição de entrega ao domicílio, que se fazia em carruagem puxada por cavalos, percorrendo a cidade de ponta a ponta duas vezes por semana.

 

Em 1863, Lorenzo Chaves, natural da província de Santiago del Estero, no norte da Argentina, e o inglês Alfredo Gath, abriram sua primeira loja de roupas masculinas confeccionada com tecidos ingleses na rua San Martín 569: “Gath & Chaves”. Em 1914 mudaram-se para um edifício construído especialmente para eles na esquina de Florida e Perón, com a fachada revestida de mármore de Carrara, o interior de 8 andares com escadas de mármore, um grande salão central e uma famosa confeitaria localizada ao ar livre no terraço. Em 1929, outro edifício foi anexado a ele na esquina de frente que comunicava-se com o anterior por um túnel subterrâneo.

Foi a primeira Grande Tenda Comercial a ter marca própria e abriram filiais no interior do país e no Chile.

As vestimentas eram expostas em manequins com cabeças de cera e cabelos naturais, enquanto nos diferentes departamentos de seu luxo interior era possível adquirir uma lista inimaginável de produtos, desde roupas de confecção, discos vinil (as gravações não eram feitas na Argentina, mas na França), ou louças com a logomarca da loja. Foi pioneira em comercializar suas próprias marcas e em apoiar suas vendas com uma intensa e acertada publicidade de sucesso.

Na época de seu boom, eram mais de seis mil pessoas, entre operários, vendedores e que também tinha oficina de compras em Paris.

Gath & Chavez fechou definitivamente em 1974 e um pouco mais tarde no resto do país.

Na outra ponta da rua Florida, entre Córdoba e Paraguai, em 1914 foi aberta a primeira filial das lojas Harrod’s na América, o que de alguma forma confirmou o prestígio que a cidade de Buenos Aires havia adquirido internacionalmente.

O Harrod’s foi durante décadas um dos centros comerciais e de reuniões mais importantes da cidade, onde frequentava “os membros mais seletos da sociedade portenha”. O prédio da antiga loja é imponente e foi construído com materiais importados e sem poupar nenhum luxo como evidenciam seus pisos de cedro ou escadas de mármore. Em 1922, a filial argentina da Harrods fundiu-se com a local Gath & Chaves (pertencente ao grupo inglês The South American Stores).

Em 1985, a loja londrina foi comprada pelo egípcio Mohamed Al-Fayed, ele tentou ficar com o controle da filial argentina. Depois de um juízo extenso que foi resolvido em 1998 em favor da autonomia da Harrods Buenos Aires, mas infelizmente, a loja já tinha encerrado no mesmo ano de 1985.

Depois de mais de duas décadas desde seu fechamento, havia pelo menos uma dúzia de empresas interessadas em reabrir a Harrods e, apesar das ofertas milionárias que elas aproximaram de seus atuais proprietários, elas nunca conseguiram fechar a operação.

 

Outra das grandes e luxuosas lojas foi “A la Ciudad de México”, fundada em 1889 na esquina da Flórida com Sarmiento. Em 1907, um incêndio destruiu tudo, construindo um novo prédio de cinco andares em um ano. A loja vendia de tudo; seda, hábitos religiosos e de luto, chapéus da moda, bonés, luvas, sapatos, perfumes, brinquedos, móveis, gramofones, máquinas de costura, roupas íntimas femininas, espartilhos franceses, etc.

Com a chegada do peronismo ao poder, seria expropriada e rebatizada como “Grande Tiendas Justicialistas”. Em 1961 o imóvel foi adquirido pelo Banco Municipal de Buenos Aires, e por volta de 1966 foi realizado um concurso de projetos para intalar ali sua casa matriz. O projeto vencedor, foi dos arquitectos Manteola, Petchersky, Sánchez Gómez, Santos, Solsona e Viñoly, propus a inclusão de uma peça moderna dentro de outra de período histórico anterior. Para tal fim, foi concebida uma caixa de vidro dentro da estrutura metálica existente, que engloba no seu interior os espaços públicos e de trabalho.

Na esquina da Florida e Córdoba, ergueu-se o emblemático edifício Au Bon Marché (hoje Galerías Pacífico) projetado pelos arquitetos Emilio Agrelo e Roland Le Vacher em 1889, inspirado na Galeria Vittorio Emmanuele II de Milão, um exemplo da tipologia de passagem coberta com instalações comerciais desenvolvidas na Europa no final do século XIX.

A obra acabou por ser um edifício imponente do ponto de vista arquitetônico, um dos mais altos e com a maior área coberta da cidade no final do século, com ruas entrecruzadas, abóbadas de vidro, que nunca chegaram a se instalaram, restando uma galeria a céu aberto, uma grande cúpula central, instalações elétricas, calefação e elevadores, uma revolução tecnológica completa para a época.

Mas desde o início esteve sujeito às crises econômicas e institucionais de seus empresários.

O edifício finalmente teve muitos usos ao longo dos anos, como por exemplo ser a sede do Museu de Belas Artes, escritórios da ferrovia “Buenos Aires al Pacífico”. Em 1947 foi transformado em uma galeria comercial, colocando os tetos na altura do primeiro andar e a cúpula central foi decorada com murais de pintores argentinos.

Mas os problemas econômicos e administrativos continuaram ao ponto de ser demolido. Em 1989, durante o governo democrático, o prédio foi declarado Monumento Histórico Nacional pelo decreto nº 929, passando a depender da Comissão Nacional de Museus, Monumentos e Lugares Históricos. Hoje é o centro comercial “Galerías Pacífico”.

O edifício da Galeria Güemes é considerado um dos primeiros arranha-céus de Buenos Aires com seus 87 metros de altura. Foi inaugurado em 16 de dezembro de 1915 e foi obra do arquiteto Gianotti, que importou o estilo Art Nouveau európio. Os visitantes daqueles anos ficaram surpresos com a variedade de usos e funções que abrigava em seu interior. No subsolo existia um teatro e uma importante sala de eventos e restaurante. No piso térreo encontrava-se a Galeria com espaço comercial e gastronomia variada. Desde o primeiro andar tinha escritórios e do 6º andar para cima ficavam os apartamentos totalmente mobiliados que eram alugados temporariamente. Ao chegar ao 14º andar, encontrava-se um grande restaurante que tinha belíssimas vistas para a cidade e onde soavam os acordes de uma orquestra que tocava desde uma varanda interna da sala. No nível superior ficava o mirante, o ponto mais alto da cidade na época com uma vista única de 360 ​​graus.

 

Este edifício emblemático foi do esplendor à decadência, a sociedade proprietária faliu e, aos poucos, foi atacada pelo passo do tempo, o declínio económico e a falta de manutenção. No decorrer do século XX, além dois problemas de filtração e umidade, a técnica do vidro que hoje é usada nem existia e os cristais se rompiam facilmente, tornando-se um perigo para quem visitava a passagem. Assim, por volta da década de 1940, decidiu-se cobri-los. As cúpulas foram cobertas com concreto, usando suas ferragens como ferros de cofragem. Os vitrais, as molduras, esculturas, claraboias e murais desapareceram sob uma imensa laje de cimento no teto da galeria toda.

Em 2000 foi declarado “sítio de interesse cultural” pela Assembleia Legislativa de Buenos Aires. Em 2004 iniciou-se uma grande obra de restauro que recuperou todo o esplendor original das suas cúpulas envidraçadas. Hoje o complexo teatral “Palacio Tango” funciona no sobsolo, e o mirante do 14º andar foi recentemente restaurado e aberto à visitação.

 

 

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