PATIO BULLRICH – Parte I: O primeiro Shopping de Buenos Aires

O Patio Bullrich é o primeiro centro comercial da cidade de Buenos Aires. Inaugurado em 15 de setembro de 1988, está localizado na Avenida del Libertador nº 750 em uma área privilegiada da cidade, pois, além de ser uma das áreas mais populosas e diferenciada da cidade, está rodeado de prestigiosos hotéis e embaixadas com arquitetura de estilo francês do final do século 19 e 20.

A opinião geral concorda que este centro comercial é o mais elegante da cidade, ao nível da localização, design, construção e, também, que nas suas instalações se encontram as marcas de maior prestígio.

O primeiro Shopping de Buenos Aires


Engenheiros da empresa Maccarone adquirem o prédio localizado na avenida Libertador para construir ali um supermercado e uma torre de apartamentos. Os vizinhos se opõem e a Prefeitura da cidade de Buenos Aires finalmente rejeita o projeto por “motivos técnicos”. A ideia foi apresentada ao estúdio de arquitetura Juan Carlos López y Asociados, e eles decidiram comprar o imóvel ( também da família Bullrich) com acesso à Rua Posadas.

Ambos os edifícios foram fechados e unificados, decidindo finalmente reabilitá-los para abrir o primeiro centro comercial da cidade de Buenos Aires. A obra foi realizada em 1988 pela empresa de engenharia Maccarone S. A., projetada pelo estúdio de arquitetura Juan Carlos López y Asociados e comercializada por Aranalfe S. A. e Fibesa S. A.

Em 1988 foi inaugurado como um moderno shopping preservando tudo com o que ele nasceu, os valores históricos originais do edifício nobre e sua arquitetura neoclássica. Em 1995, um importante projeto de inovação e expansão foi realizado pela Pfeifer & Zurdo Arquitectos, no qual a estrutura histórica foi mantida e as linhas modernas do novo projeto foram incorporadas, criando assim um espaço único onde duas épocas coexistem.

O Patio Bullrich Shopping surge, portanto, da remodelação e re-funcionalização dos dois edifícios da antiga Casa Bullrich: o primeiro localizado na Avenida Libertador 750, com uma fachada neoclássica e uma arcada no rés-do-chão que corresponde a vãos de janela. No andar superior, o próprio pátio de leilões e, no segundo, um edifício de concreto localizado nos fundos do anterior, com entrada pela rua Posadas 1245, adquirida na década de sessenta. A sua fachada é precedida também por um recesso com três arcos.

O processo técnico de conexão e remodelação dos dois terrenos foi complexo. No antigo pátio de leilões existia apenas o piso térreo e por isso a estrutura foi modificada: foram criados dois novos pisos com uma distribuição linear que se estende do setor Libertador ao setor Posadas, e, em cada extremidade, pela elevação em altura que foi feito em cada fachada, novas plantas foram geradas (uma no setor Libertador e duas no setor Posadas).

Outra dificuldade a ser superada foram os 3,4 metros de desnível entre a Rua Posadas e a Avenida Libertador. Para aproveitá-la, a entrada pelo Libertador possui pequenas escadas neoclássicas que levam uma delas ao nível de Posadas e a outra ao nível do Libertador, de modo que o shopping tem praticamente dois andares térreos, um para o Libertador e outro para Posadas. No interior, foi construída uma rotunda permitindo a união das duas propriedades e resolvendo os desníveis existentes.

Duas Fachadas


A fachada da Avenida Libertador mantém o seu traçado geral: o arco tradicional do edifício recuperado, constituído por sete arcos sobre os quais assenta a parte superior avançada que reveste o passeio.

O tímpano que pode ser visto nos desenhos do edifício original, ocupando os três módulos centrais e apresentando a cobertura de duas águas atrás do arco, não foi mantido. Nele você pode ler em letras grandes: Adolfo Bullrich y Cia.

A resolução é de um academicismo extremamente austero; os dois módulos nas extremidades fecham a composição com a presença de duas frentes triangulares e um enchimento mais pronunciado do que nas restantes.

Uma balaustrada corre ao longo do topo do edifício original, da qual foi feita a extensão de 1988, onde uma estrutura de vidro de cor escura com uma ampla cornija foi adicionada ao topo para atingir uma altura maior.

Em 1995, os proprietários do centro comercial adquiriram o terreno adjacente na rua Posadas, com oitocentos metros quadrados, unificando as fachadas por meio de uma cornija / rebordo e uma parede de vidro transparente com planos opacos que permitem ver as atividades comerciais como vitrine, intercalando planos de vidro escuro, os mesmos da fachada do Libertador.

Aqui, além disso, o setor foi ampliado e foram criados dois andares superiores totalmente integrados ao espaço pré-existente, onde hoje existem quatro salas de cinema (projetadas pelo estúdio dos arquitetos Casano, Zubillaga e Poli). Mas na frente mais dois andares foram acrescentados no lado de Posadas, onde hoje se encontram um ginásio (3.º nível) e a administração do centro comercial (4.º nível).

Fachada rua Posadas

O Pátio Bullrich esta localizado na divisa entre os bairros Recoleta e Retiro. Embora a fronteira entre os dois bairros passe pela rua Montevidéu, na verdade fica no Retiro, mas por sua própria dinâmica, funcionamento e sobretudo sua tradição histórica, é considerada parte e símbolo do exclusivo bairro da Recoleta.

O nível de Posadas é acessado externamente pela Rua Posadas e internamente por escadas rolantes e elevadores localizados em cada extremidade da rua central. Este piso tem um percurso circular visto que tem um vão central e os restantes pisos avistam-se desde as suas varandas. Uma grande rotatória se abre quase chegando ao setor de Posadas.

A iluminação natural do teto é uma constante ao longo do dia no espaço de circulação

A estrutura metálica do edifício original foi mantida à vista e valorizada e, atualmente, a cobertura apresenta setores com peças que permitem a passagem da luz exterior. A luz natural que penetra pelos tetos transparentes e o design em altura dão uma sensação de amplitude, ainda mais do que na realidade. A união entre os dois edifícios antigos, originários de funções muito distintas, está perfeitamente preservada. A única diferença é a cobertura, que não tem as mesmas características em todo o shopping, já que foi mantida a cobertura de ferro e vidro do antigo Tribunal de Leilões, e o restante da cúpula de vidro da rotunda central e das galerias centrais transparentes do edifício Posadas.

Adolfo Jacobo Bullrich

Augusto G.A. Bullrich (o pai de Adolfo) chegou como prisioneiro de guerra em Buenos Aires


Adolfo Jacobo Bullrich

Augusto G.A. Bullrich veio para a América para servir como militar ao Imperador Pedro I do Brasil, que em sua desesperada corrida para não perder a Banda Oriental, o imperador optou por enviar um exército com uma proporção significativa de mercenários alemães para lutar contra as Províncias Unidas do Rio de la Plata (reino espanhol). Eles mal tiveram tempo de se ajustar às novas condições marciais e de habitat. Essa falta de jeito favoreceu o exército ribeirinho comandado por Carlos María de Alvear, que se ergueu com retumbante triunfo sobre as forças brasileiras na Batalha de Ituzaingó, em 20 de fevereiro de 1827. Após a derrota, muitos deles foram capturados por o exército republicano.

Desde muito jovem se dedicou ao comércio e se casou com Baldomera María Rejas Negrón, tendo dez filhos. O filho mais velho chamava-se Adolfo Jacobo Bullrich Rejas, aos oito anos o pai optou por mandá-lo estudar na Alemanha. Depois de uma longa estada, voltou ao país com um claro domínio do alemão, do francês, do inglês e até do italiano.

Adolfo Jorge Bullrich tornou-se prefeito da cidade de Buenos Aires entre 1898 e 1902, durante a primeira parte da segunda presidência de Julio Argentino Roca.

Adolfo Bullrich junto a vários representantes da Geração de 80: Presidente Roca, Ministro da Guerra Riccheri, Barão De Marchi e General Garmendia
Entre os acontecimentos importantes de sua gestão estão a encomenda, em 1900, que fez à escultora Lola Mora da atual Fonte das Nereidas, o planejamento do seu terreno do Parque de los Patricios, pelo paisagista francês Carlos Thays; a organização da festa de recepção do presidente brasileiro Campos Salles, que chegou a Puerto Madero em 25 de outubro de 1900; e a nomeação do aviador Jorge Newbery como Diretor Geral de Iluminação Pública, também em 1900.

Casa de leilões Bullrich


Em 1867 fundou a Casa de leilões Bullrich, “Casa Bullrich”, que por mais de um século, realizou os principais leilões da cidade: grandes campeões da pecuária, obras de arte, joias, esculturas, barcos, carros alegóricos, móveis de design assinados, armas, pertencentes a pessoas famosas ou de alto poder aquisitivo da época. A primeira casa de leilões Bullrich estava localizada em Recova Nueva, Calle de la Victoria 90, entre Defensa e Bolívar. Mas a contínua expansão da atividade obriga esses empresários a se mudarem para a rua Leandro N. Alem 950 (hoje Avenida del Libertador 750), para um edifício de estilo neoclássico inglês projetado pelo arquiteto Waldorp.

Acima da porta principal do prédio (Avenida Libertador), havia salas de estar, cômodos para venda de móveis, a biblioteca da Casa Bullrich e, nos fundos, até o meio do quarteirão, o próprio pátio de leilões, ocupando quase dois terços do lote. Este pátio de leilão era uma estrutura de ferro e vidro, arquitetura característica do final do século XIX e início do século XX utilizada nos mercados de alimentos.

Depois de um longo corredor, chegava-se a um enorme pátio, com caixas e engradados de duas fileiras, com diferentes tipos de gado e ovelhas dentro. Entre os ovinos, a raça Lincoln predominou, mas também havia muitos exemplares de Rambouillet, Romney Marsh e Leicester, além de outras raças menos conhecidas. Para o gado, Shorthorn, Polled-Angus e Hereford eram abundantes. Charolês e Durham estiveram presentes junto com outras raças leiteiras como a Friburgo, a Simental ou a Jersey. Estavam presentes várias espécies de cavalos de tração ou corrida, como percherons ou Suffolk Punch. Entre os porcos, estavam os Berkshires, o Large Black, Large and Middle e o White Yorkshire; também havia burros (Vich ou Poitou). Em outras seções estavam pássaros, como perus Manmoth, gansos de Toulouse, bem como cisnes. Abundavam galinhas de diferentes plumas, os Wiandottes, os Cochinchinas, os Lafleche, etc.

Finalmente, os pombos, faisões e cães também estavam presentes. O balido das ovelhas, o berro dos touros, o relinchar dos cavalos, o cacarejar das galinhas e os latidos dos cães podiam ser ouvidos em todos os momentos, tudo em uníssono em perfeita sinfonia.

 

 

Fonte:

  • http://www.shoppingbullrich.com.ar/
  • http://arqi.com.ar/edificio/patio-bullrich/
  • La creación de nuevos mitos urbanos: el centro comercial Patio Bullrich – Silvana SASSANO LUIZ (1)

 

 

 

 

 

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.