OURO PRETO (MG): Nossa Senhora das Mercês dos Perdões – Parte II: A Mercês de Baixo e interior do Templo

O templo está localizado no alto de uma colina, desde seu adro é possível aceder a um espetacular mirante com vista para a parte velha de Ouro Preto.

A igreja de Nossa Senhora das Mercês dos Perdões que se localizava numa região geográfica abaixo da outra irmandade de Mercês, ficando conhecida também como “Mercês de baixo” e a outra como “Mercês de cima” ou “Mercês e Misericórdia”.

O risco altar-mor, foi encomendado ao mestre Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho que também teria executado as imagens de roca de São Pedro Nolasco e São Raimundo Nonato, hoje nos nichos laterais do altar-mor.

Restauração e Cambio de Orientação


À época de seu tombamento em 1939, o IPHAN empreendeu uma restauração geral na edificação, que incluiu a substituição de todo o encaibramento do telhado e de algumas peças na parte do Arco-cruzeiro e Sacristia, além de caiação e pintura externa.

Outras pequenas obras foram realizadas no decorrer do deste século, com vistas à sua conservação. A fisionomia atual da igreja de Nossa Senhora das Mercês muito se difere da primitiva construção do século XVIII. A reedificação do século XIX, além da substituição da taipa por alvenaria de pedra e construção de um novo frontispício, implicou em total reformulação do jogo de volumes, pela mudança de orientação do edifício.

Seu aspecto hoje se assemelha ao da Matriz de Antônio Dias, mas em termos de planta apresenta uma diferença significativa, que é a ausência de corredores laterais ao longo da nave.

Altar-mor


Em 1775, o risco do novo altar-mor, foi encomendado ao mestre Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, autor do projeto da igreja vizinha de São Francisco de Assis, e cujo recebimento se acha documentado e em exposição no Museu da Inconfidência. Recebeu ele por este serviço seis oitavas de ouro. Nos documentos  da igreja consta em que o desenho do altar-mor é de Aleijadinho. No entanto, especialistas acreditam que tenha sido excetuado pelos auxiliares do Mestre, uma vez que o estilo é bastante diverso.

Em 1777, as obras foram arrematadas por Amaro José Nunes, sob a supervisão de Antônio Francisco Lisboa, que teria executado as imagens de roca de São Pedro Nolasco e São Raimundo Nonato, hoje nos nichos laterais do altar-mor. No trono, cuja talha foi refeita em 1890, a coroada imagem de Nossa Senhora das Mercês, imagem de roca de 1,10m, com coroa de prata de 250 gramas e brincos de prata e pedras preciosas.

A Capela-mor, isto é, a parte antiga, internamente, é de taipa e é do risco de Mestre Aleijadinho

O Altar em talha que é uma obra em fina madeira dourada e pintada, impressionando muito bem no belo conjunto harmonioso que apresenta. Há dúvidas quanto ao seu entalhe, sendo que o historiador Cônego Raimundo Trindade admite a possibilidade de ter sido o atual Altar entalhado em época incluso anterior e guardado, para depois substituir o antigo ali existente.

Uma terceira imagem do artista originária dessa igreja está atualmente exposta no Museu Aleijadinho da Matriz de Antônio Dias. Trata-se de um Cristo Crucificado, possivelmente do antigo Oratório da sacristia.

No forro da nave, uma pintura de Angelo Clerici executada em 1930 reproduz a cena de Nossa Senhora das Mercês com os braços abertos protegendo sob o seu manto dois “cativos” ajoelhados.

As tribunas são em arco romano, grandes, de cada lado e duas menores que se abrem para o corpo da Igreja. São tribunas balconadas, de aspecto imponente.

 

 Artistas na obra


De acordo com os recibos dos documentos da Ordem, para materializar o risco, Manuel da Rocha Monteiro trabalhou, de 1782 a 1801, na obra do corpo da Capela, até a sapata e no alicerce do corpo. Também participaram da construção José da Silva Pereira, de 1782 a 1785; Domingos Moreira de Oliveira e Miguel da Costa Peixoto, de 1782 a 1786; Antônio José de Lima, que trabalhou como canteiro, contudo não especifica o período trabalhado; Gregório Mendes Coelho e Manuel Antonio Viana, de 1810 a 1817; e Joaquim Bernardes, em 1820. O consistório, com janelas e cunhais, foi construído por José da Costa Lopes em 1815 e por João Miguel Ferreira em 1829.

Ao alto do arco cruzeiro, o brasão ou tarja da Ordem

Altares Laterais


Os altares laterais são dedicados às invocações de Santa Catarina, Santo Antão, São Lourenço e Nossa Senhora da Saúde. Segundo a tradição, teriam vindo de uma igreja em Rio das Pedras, que foi destruída por um incêndio.

1.º altar à direita – Sob a invocação de Santa Catarina, imagem de roca com uma roda de navalhas, coroa e espada de prata. O frontal é muito bem trabalhado, entalhado e com frisos dourados. Em sua parte inferior o distintivo de Santa Catarina. O altar é muito bem arrematado, ricamente trabalhado, assemelhando-se a um dossel cujas franjas, caem, tudo em madeira entalhada, dourada, fina e suavemente pintada.

1.º altar à esquerda – Em tudo idêntico ao precedente, sob a invocação de São Lourenço; a tarja do frontal que nele se vê é distintivo daquele Santo, que é uma imagem de roca com palma de grelha, seus distintivos.

2.º altar à direita – Sob a invocação de Santo Antão. Lateralmente: nos nichos Santa Rita e Santo Anjo da Guarda. Abaixo de Santo Antão, vê-se a imagem de São Miguel. O frontal é trabalhado, embora mais simples que os precedentes, tarja simples. Arremata-o igual decoração dos outros, sendo que as colunas que se vêm em todos os quatro altares do Corpo desta Igreja, trazem o fuste torcido, todo ele com frisos dourados.

2.º altar à esquerda – Sob a invocação de N. Sra. da Saúde. Nos nichos laterais: a Sagrada Família (Jesus, Maria e José). Estas imagens foram doação de Luiz Pinheiro, entalhador da época para que figurasse nesse altar (ano de 1795).

Do dossel de cada altar, surge um pendente sustentando um lustre antigo de cristal, sem mangas, além de um lustre grande central, um menor idêntico no Coro e quatro pequeníssimos, na Capela-mor.

Púlpitos


Os púlpitos, em madeira, finamente trabalhados, dourados e pintados, decoração semelhante à dos altares. São ambos ovalares, terminando simetricamente, encimando-lhe dosséis franjeados, e finamente trabalhados, pintados e dourados.

Na Sacristia uma cômoda de cedro, antiquíssima e um oratório em jacarandá, com tríplice face, onde se vê um Crucificado de autoria de Mestre Aleijadinho. (É o Crucificado que reza em inventário antigo “que devia levar dois cravos nos pés”). A Igreja de Nossa Senhora das Mercês e dos Perdões dispõe de boas alfaias e objetos de prata e ouro.

No Consistório a imagem do Senhor Bom Jesus dos Perdões, que se venerava na primitiva Capela; a Imagem de Nossa Senhora das Dores; a Imagem de Nossa Senhora dos Socos; a Imagem de Nossa Senhora do Rosário. 

O coro é bem pequeno, as portas da fachada permanecem fechadas, o ingresso á igreja se realiza pela porta lateral.

A data de 1872, inscrita no portão de ferro do Cemitério da Ordem, construído nos mesmos moldes dos de São Francisco de Assis e Carmo.

O Cemitério tem 69 catacumbas e sepulturas rasas, e necrotério com Capela

 

fonte:

  • Igreja de Nossa Senhora das Mercês e Misericórdia em Ouro Preto: religiosidade e rivalidade nas Minas Setecentistas – Marcelo Almeida Oliveira (1) 
  • Fé e Cultura Barroca sob o Manto Mercedário: Hierarquias, devoções e sociabilidade a partir da irmandade de Nossa Senhora das Mercês de Mariana – Vanessa Cerqueira Teixeira (2) 
  • A Irmandade Mercês dos Perdões e a formação de identidades em sodalícios negros: Minas Gerais, 1763 a 1810 – ANA ALVARENGA DE SOUZA (3)
  • MEMÓRIA CAMPANÁRIA: edição e análise de fontes confrariais da freguesia de Antônio Dias de Ouro Preto – MG – Maria do Carmo ferreira dos Santos (4)
  • http://portal.iphan.gov.br/

 

 

 

 

 

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