Igreja Santa Efigênia dos Pretos, Ouro Preto (MG) – Parte II: O Interior do Templo

A igreja pertence a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos da Freguesia de Antônio Dias. Segundo a tradição, existiu no local anteriormente uma ermida dedicada a Santa Efigênia, razão pela qual a atual igreja conserva as duas denominações.

A igreja demorou seis décadas para ser concluída e contou com o trabalho de diversos artistas, entre eles se destacam Manuel Francisco Lisboa (pai de Aleijadinho) e Francisco Xavier de Brito. No interior da igreja, chama a atenção o belo trabalho no altar e também a imagem de um papa negro pintado no forro, junto a outros elemento da cultura afro.

O Interior do Templo


A nave é ampla, coroada por grande entablamento o qual, na parede do arco-cruzeiro, encurva-se por cima do arco. Este é moldurado, apoiado sobre pilastras com capitéis compósitos.

Estrada real Iluminação arquitetura barroco Nossa Senhora do Rosário Aleijadinho Brasil Unesco Patrimônio Mundial

O coro, acima da entrada, apóia-se num arco de madeira, moldurado, ao centro do qual há um tapa-vento de boa marcenaria.

Altar-mor


O retábulo-mor segue o estilo joanino, executado por Francisco Xavier de Brito. A abóbada da capela-mor em forma de barrete de padre tabuada recebeu pintura ilusionista de Manuel Rebelo de Souza (1768). Na tribuna, sobre a cartela do coroamento, há um papa negro com barrete frígio: homenagem ao financiador da igreja, o lendário negro Chico Rei.

Diogo de Vasconcellos, descreve o altar-mor da igreja divergindo de todos na cidade, “por não estar ornado de colunas, nem de aves, senão de volutas e flores estilizadas, em lugar daqueles tendo pilastras”.

Nas paredes laterais da capela-mor há dois quadros de assunto religioso, com molduras de talha rica. Os púlpitos de moldura entalhada do corpo da igreja são em forma de urna. Semelhantes aos que se encontram na Capela do Rosário do Padre Faria, assentados em bacias de cantaria esculpida.

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Pela capela-mor tem-se acesso a dois corredores laterais, que conduzem à sacristia. Nesta existe uma grande cômoda, com magníficas ferragens. A igreja possui boas imagens antigas, algumas representando santos pretos: Santa Efigênia, São Benedito, e outros, bem como a imagem primitiva de Nossa Senhora do Rosário. Existem ainda boas alfaias e prataria antiga.

Altares Laterais


Rocalhas em molduras da nave

Há quatro altares e retábulos entalhados na nave, cujo forro de tábuas tem a forma de asa de cesto. Os altares que ladeiam o arco-cruzeiro são ricos, movimentados, de um barroco opulento, com motivos florais, consolos, concheados, duas colunas torsas suportando o coroamento acima do qual há uma tarja trabalhada e coroa, ladeados por dois anjos. Os outros dois inscrevem-se num retângulo externo, com cimalha, grande tarja e coroa; encontram-se figuras de anjos de tamanhos diversos; abaixo da cimalha, o grande arco principal cercado de ornamentação abriga o nicho, estreitando-o com a abundância ornamental: colunas torsas, decoração floral; são esses altares de época anterior aos outros dois.

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Trabalharam artistas e entalhadores, entre eles o português José Coelho de Noronha (1704-1765), mestre de Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho (1738-1814)

Restauração


Na década de 60 deste século, foram realizadas obras de restauração pelo IPHAN que consistiram na remoção das re-pinturas sucessivas e recuperação da pintura original dos painéis laterais da capela-mor, dos forros da capela-mor, corpo da igreja e sacristia.

As obras de restauração começaram em 2007 e foram efetuadas em dos etapas graças ao patrocínio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a segunda com recursos da Vale. Após seis anos fechada, foi reaberta no dia 10 de maio de 2014.

  • Empressa responsável: Hexágono Engenharia
  • Restauradora Responsável: Carolina Proença Nardi
  • Restaurador: Túlio Nogueira
  • Fotos: Túlio Nogueira

 

fonte:

  • http://portal.iphan.gov.br/
  • http://eild.org/eild-2016-ouro-preto/
  • http://historicosop.blogspot.com/

 

 

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