El Boliche de Roberto: Bar Notable no bairro de Almagro

Almagro é um bairro de boas opções, todas elas atendendo a proposta de fugir das tradicionais casas de Tango e vivenciar uma experiência verdadeira. O bar é um típico boteco portenho, onde se ouve tango ao vivo a la gorra (ou seja os músicos passam o chapéu), destacando que não se paga ingresso, e não é preciso fazer reserva previa. Entao, não espere jantar, bailarinos coreografados e o charme daqueles shows de Tango que oferecem jantar e traslado ao hotel.

Anteriormente denominado “12 de Octubre”, em referência à data de inauguração da Praça Almagro, que se situa nas suas proximidades, o local recebeu um diploma de reconhecimento do Museo de la Ciudad por ter conservado a estética do ambiente fundado em 1893, e foi declarado “Bar Notavel” com aquele antigo nome que tinha desde finais do século 19.

Lá rola uma espécie de “roda de Tango”. Primeiro cantam os mais jovens. Mas tarde  pela meia-noite, a coisa esquenta e chega a velha guarda que toma conta do pequeno palco.  

Historia do Bar 12 de Outubro


Desde o final do século XIX, na esquina de Cangallo (hoje Perón) e Bulnes havia um armazém com despacho de bebidas, modelo derivado e evolouido a partir das antigas pulperías, conhecido como La Casaquinta.

Lá os “carreros“ que com seus carros de mercancias iam para o antigo Mercado de Abasto, e mais de um deixava seu cavalo amarrado ao palenque para beber uns copos de Grapa ou Ginebra, enquanto jogabam aqueles tradicionais jogos de campo (interioranos): o truco, o sapo ou bochas. Um certo Juan Moreira Segundo foi o mais mencionado daqueles que mostraram o brilho de sua faca.

Entre os míticos clientes destaca-se a poeta Alfonsina Storni e Carlos Gardel

Em 1923, a propriedade foi adquirida por Francisco Pérez, um imigrante asturiano. Quando o ano de 1930 chegou, os moradores de La Casaquinta aguardavam ansiosamente a inauguração da Praça Almagro, localizada entre as ruas Sarmiento, Salguero, Cangallo e Bulnes. O presidente Yrigoyen iria para a inauguração que aconteceria em 12 de outubro.

Atualmente é conhecido como Bar de Roberto/El boliche de Roberto/Lo de Roberto

O asturiano Don Francisco Pérez, então encarregado do bar, decidiu mudar o nome de La Casaquinta para 12 de Outubro. Porem, curiosamente este acontecimento não foi possível realizar devido aos infelizes eventos de 6 de setembro, que levaram à queda do governo constitucional.

Lo de Roberto


Os anos se passaram e Francisco, com o fruto de seu esforço, em 1950 virou de inquilino a proprietário. Os habitués sempre se sentiram como em casa, em alguns casos, ainda melhor. Para muitas pessoas nostálgicas, em aquelas épocas, o ritual da noite começava no Bar de Roberto e acabava milongueando no Club Almagro, a poucos quarteirões do bar.

Por volta de 1960, Francisco passou o mando para seus filhos. Jorge passa a cuidar do armazém e Roberto do bar. Pouco a pouco, o nome 12 de Octubre, embora continue a ser chamado assim, deu lugar ao de Bar de Roberto. Os frequentadores passaram a chamá-lo de “lo de Roberto” em alusão ao proprietário, Roberto Pérez.

Foi o poeta Roberto Medina quem deu a letra ao tango El boliche de Roberto e sentenciou seu nome final, o mesmo autor de Pucherito de Gallina eternizado na voz de Edmundo Rivero.

Tango genuíno no bairro de Almagro


Localizado na esquina das ruas Bulnes e Perón desde 1893 (na frente da Praça Almagro, que ainda preserva seu antigo carrossel), o bar ocupa desde suas origens uma modesta construção em estilo colonial, com grossas paredes de tijolo que ainda permanecem. A musica do carrossel toma conta durante a tarde mas na noite o Tango e rei.

O teto é abobadado; agora a barra é feita de madeira (a antiga tinha estanho e mármore), tem um prateleira atrás carregada de garrafas, cujos rótulos acastanhados falam da idade deles.

Nas paredes, fotos e reportagens sobre a casa e os seus personagens

A marca do local está registrada nas paredes antigas e uma coleção de garrafas velhas e empoeiradas que ficaram petrificadas nas prateleiras do tempo. Entre eles estão o Fernet Visconti, o conhaque Tres Plumas, o licor Clinton, e os do uísque Old Smugler. Em outra prateleira, existem garrafinhas vazias dos antigos modelos Bidú, Spur Cola, Crush e Canada Dry. O piso com mosaicos calcários desgastou seu desenho e um quadro da partitura e letra do tango “El boliche de Roberto” se destaca em uma das paredes. Uma pintura, pendurada em um lugar preferencial, reproduz o retrato a óleo de Sarmiento, pintado por Eugenia Belín Sarmiento, sua neta.

O bar dá uma idéia daqueles antigos ambientes das pulperias e armazenes portenhos

A questão é que naquela sala simples e mal iluminada, com paredes descascadas, o mesmíssimo Carlos Gardel cantou, além de ter sido um dos redutos favoritos do pianista e compositor Osvaldo Pugliese, entre outras pessoas famosas da cultura local que ocupavam suas mesas como Osvaldo Ardizzone, Pepe Barcia e Ernesto Baffa. Naquela época, mantinha os móveis típicos, especialmente o conhecido balcão de madeira com altura perfeita para colocar o cotovelo nela e com a outra mao, beber tranquilamente uma das bebidas preferidas da época: Fernet Visconti, Cogñac Tres Pumas, Ginebra Bols, Hesperidina, entre outras.

O bar não serve café e mal vendem comida (só empanadas e algumas picadas muito básicas). Mas a verdadeira jogada é à noite, com tango ao vivo.

Roda de Tango


O Boliche de Roberto foi desde seus primórdios o refúgio dos paroquianos que queriam se afastar daquelas modas para os estrangeiros para se refugiarem um bodegón de bairro, quase oculto e imperceptível, que oferecia um clima de amizade nos subúrbios de Buenos Aires.

Lá rola uma espécie de “roda de tango”. Primeiro cantam os mais jovens. Mas tarde  pela meia-noite a coisa esquenta e chega a velha guarda que toma conta do pequeno palco.

Não existem microfones nem amplificadores na hora do show. Todos cantam a capela acompanhados por dois vilões e um bandoneon e a plateia ajuda nas canções mais conhecidas. Parece um grupo de amigos se divertindo.

Na década do 90 foi quando se tornou um reduto 100% tanguero onde grandes figuras do meio ambiente foram consagradas como Ariel Ardit e uma legião de músicos jovens começaram a se misturar com glorias do tango de toda a vida.

Ariel Ardit, cantor da orquestra El Arranque e acostumado ao local, diz: “Eu morava a dois quarteirões de distância e estudava canto lírico. Mas comecei a parar por aí. Naquela época, só conhecia dois tangos e o filho de Roberto Medina me encorajou pela veia de fazer tangos. Então comecei. Depois, os músicos do El Arranque me ouviram e me convidaram para participar do grupo. É por isso que, para mim, Lo de Roberto tem algo especial. É um local onde tudo pode acontecer. É um lugar exclusivo para portenhos, com o mística antiga do tango”.

Mais um fato: Roberto foi tentado várias vezes pelas agências de turismo a abrir o boliche para turistas aos domingos e recusou-se repetidamente.

“Você vem aqui sozinho e volta com um amigo. Sempre há alguém com quem conversar”, dizia Pablo Spikerman, gerente de boliche após a morte de Roberto em 2006.

Para 2017 a família de Roberto havia alugado o boliche, com seu nome original e selo de “Bar Notable” a uma cooperativa encarregada da operação. Nos últimos anos, a cooperativa teve irregularidades no pagamento e ao final do contrato, a família decidiu não renovar. Os inquilinos alugaram outras instalações, no bairro de Belgrano, e tentaram registrar para eles o nome “El boliche de Roberto”.

Após a longa batalha legal para recuperar o bar fundado por seu avô, Esteban (filho de Roberto), junto com seu irmão Diego e suas ex- esposas, recuperaram o boliche, enquanto Carlos Gardel, pintado na fachada, abençoa sorrindo o novo destino que ainda está por vir.

 

fonte:

  • https://www.buenosaires.gob.ar/
  • https://www.tubarrioenlaweb.com.ar/almagro
  • http://www.noticiasurbanas.com.ar/

 

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