Igreja San José de Calasanz – Parte III: Imaginaria e Iluminação

Neste post vamos percorrer o interior do templo fazendo uma descrição da imaginaria que caracteriza esta igreja.

O templo é dedicado a San José de Calasanz fundador em 1617 da Ordem das Escolas Pias declarado patrono universal das Escolas Cristãs pelo Papa Pio XII em 1948 foi proclamado patrono de todas as escolas da República Argentina pela lei 13.633 do Congresso da Nação em 1949.

Conheceremos também a historia da Ordem dos Escapularios, fundadores das Escolas Pias, estabelecimentos educacionais de ensino meio e fundamental, muito prestigiadas ao redor do mundo.

Igreja San José de Calasanz


Quando se projeta a planta do Colégio Calasanz, não se leva em conta a construção de um templo. Quando os padres Escolapios chegam em 1900, o prédio do Colégio ficava isolado em um raio de cinco quarteirões ao redor. Com o passar do tempo, o crescimento da população no entorno do Colégio e a necessidade de atender a demanda dos moradores que buscavam um local próximo para cumprir seus deveres religiosos, fez com que em 27 de março de 1902 a capela interna seja aberta ao público. Graças à generosidade de algumas famílias caridosas como Pereyo, Sánchez e Guiraldes, em 29 de maio de 1906 foi erguido na Capela um altar simples mas elegante.

O risco da igreja foi realizado em 1912 pelo arquiteto Juan Buschiazzo (o mesmo que fizera anos atras o Colegio Calasanz, em 1900), e é de estilo românico-bizantino com influências lombardas. Finalmente, em 26 de novembro de 1915, na véspera da festa do Padroado de San José de Calasanz. Em 23 de abril de 1916, na Páscoa, foi inaugurado o relógio da enorme torre e os cinco sinos.

Altar-mor


Altar-mor, 1922

Em 5 de novembro de 1921, seis anos após a fundação da igreja, os Padres Escolapios receberam o Altar-Mor, feito artisticamente em mármore de Carrara. No momento do novo templo ser inaugurado devido aos incómodos causados ​​pela 1ª Guerra Mundial no transporte marítimo a ornamentação da igreja não tinha chegado. Ate a chegada das obras encarregadas pela  Sra. Inés Ortiz Basualdo de Peña na Europa, os altares de madeira que se encontravam na Capela interna do Colégio foram utilizados.

O altar-mor é de mármore de Carrara, exceto as colunas do tabernáculo, que são de ônix. No nicho central está a estátua de San José de Calasanz e, nas laterais, em tamanhos menores, as estátuas de San Joaquín e Santa Ana. Ao lado do Altar Principal, está a bela imagem da Virgen de las Escuelas Pías, que anteriormente ficava em um altar lateral.

Altares Laterais


A cada lado do templo, cada altar lateral é coroado por um grande vitral que representa passagens da vida de Santo Calasanz.

Partindo do lado do evangelho, procedendo de dentro para fora: o primeiro, dedicado à Virgen del Carmen, com boa e elegante ornamentação e com imagens de Santa Inés e de Santo Antônio, e acima dele, o vitral que reproduz a cena de Calasanz menino, pregando para um grupo de meninos

Segue-se então o altar do Calvário, composto pelas figuras tradicionais de Jesus Crucificado, a Santíssima Virgem Maria, o discípulo amado e Maria Madalena abraçando a cruz. Acima o vitral lembra José de Calasanz apresentando sua tese de doutorado no claustro de Alcalá de Henares.

A seguir, o altar dedicado à Virgem de Lujan, acompanhado das imagens de São José e São Pompílio, coroando a aparição da Santíssima Virgem a São Calasanz e aos meninos.

Por fim chega o altar do Sagrado Coração com as imagens de Santa Teresita e São Cayetano, coroado pelo vitral que lembra a morte do Santo.

Vitreaux


Após intermináveis ​​e aborrecidos trâmites alfandegários, em 23 de junho de 1917 chegaram os 8 magníficos vitrais para a Igreja que D. Inés encomendou à Casa Maumejean de Paris, San Sebastián e Madrid. O dia 27 de agosto de 1917, em celebração do Terceiro Centenário das Escolas Pias o templo completa sua ornamentação com os novos vitrais instalados.

Os vitrais, com 6,60 metros de altura e 3 metros de largura cada, refletem passagens da vida de San José de Calasanz e ostentam o escudo das Escolas Pias. Os dois vitrais do coro representam, o Santo dando aulas, e o aparecimento de São Francisco com as três donzelas, representativas dos três votos.

Detalhes de iluminação


A iluminação natural entra no templo através dos belos vitrais localizados a grande altura. Ao redor da nave nas colunas encontramos uns lustres de bronze que, como galhos de uma árvore, exibem sete pontos de luz com vidros difusos.

A imaginária do templo é complementado com as imagens da Imaculada Conceição, São Roque e a pia baptismal que contém a água para ministrar o sacramento do baptismo.

San José de Calasanz: Sua Historia


Imagem do Santo Patrono no Altar-mor

O Santo Fundador da Ordem nasceu na Espanha em 1557, mas desenvolveu a maior parte de sua vida e vocação em Roma, sua obra se espalhando por toda a Europa e depois pelo resto do mundo. Ele era um padre de 35 anos, altamente educado e preparado quando se mudou para Roma, onde se propôs a sistematização da escola, dividindo-a em séries, tornando-a um veículo de promoção pessoal e social sobretudo das crianças pobres.

Para dar continuidade a esta obra evangelizadora e transformadora da sociedade, fundou a Ordem das Escolas Pias, que é até hoje herdeira desta herança de amor e santidade. Em 1597, chocado pela pobreza e degradação moral em que viviam muitas crianças romanas, fundou na igreja de Santa Dorotea del Trastevere a primeira escola pública, popular e gratuita da Europa moderna, a primeira Escola Pía.

Em 1648, Calasanz morreu com quase 90 anos de idade, em 1748 a Igreja o beatificou e ele seria canonizado 19 anos depois. Finalmente, em 13 de agosto de 1948, o Papa Pio XII o proclamou patrono das Escolas Populares Cristãs do mundo. Atualmente, as Escolas Pias estão espalhadas por muitos países da Europa, África, América e Ásia, e na Argentina desde 1870.

Ordem das Escolas Pias vs Jesuitas


Na segunda metade do século XVIII, as Escolas Pias iriam celebrar dois eventos importantes: primeiro a beatificação de José de Calasanz em 1748 e depois a sua canonização em 1767.

La última comunión San José de Calasanz _(Francisco de Goya, 1819 – Óleo sobre lienzo)

Em geral, as escolas tinham uma origem comunal, através do contrato firmado com os municípios, pelo qual os escolapios se comprometiam a ensinar gratuitamente os meninos de cada lugar. Desta forma, a Ordem se expandiu por muitas das regiões da Itália, passando pela Alemanha, Boêmia, Áustria, Hungria, Polônia, Lituânia, Catalunha, Aragão, Castela e Valência. As fundações foram feitas em populações de segunda importância, já que o ensino das grandes capitais estava reservado aos Jesuítas, que gozavam de certo monopólio.

As Escolas Pias começaram com o ensino primário, isto é, aprendendo a ler, a escrever e aritmética prática. Este ensino foi acompanhado pelos princípios da fé cristã, apresentados no catecismo a partir do sinal da cruz.

O choque com a Companhia de Jesus foi imediato. Este processo não deve ser interpretado como uma luta defendida pela honra, mas sim como um esforço para alcançar o reconhecimento do direito à liberdade de educação. Foi uma afirmação que o Capítulo Geral de 1698 levou mais longe para reivindicar o ensino de teologia para as Escolas Pias. Assim, os padres capitulares procuraram sair do caminho daqueles que tentavam preservar o monopólio do ensino superior, argumentando que as Escolas Pias tinham sido criadas apenas para o ensino das crianças.

Escolapios em America


San José de Calasanz

30 anos após sua morte, em 1678, em México (Nova Espanha) uma fundação escolapia já era solicitada, mas só foi alcançada no século XX, baseado no trabalho dos escolapios catalães. Estes foram indispensáveis ​​para implantar as Escolas Pias na América do Sul.

O estabelecimento da Escuela Pía em terras catalãs só se concretizou em 1683, ano em que foi inaugurada a escola Moià na província de Barcelona. Depois abriram sucessivamente as escolas de Oliana (1690), Balaguer (1700), Puigcerdà (1728), Igualada (1732) e Mataró (1733).

Passando para o século 19, devemos distinguir claramente três períodos muito específicos:

  • 1° período (1804-1839): supressão de corporações religiosas
  • 2ª período (1844-1864): restauração da Escuela Pía
  • 3º período (1864-1904): florescimento da Escuela Pía na Catalunha

1º período: 1804-1839

Padres Escolapios

Como consequência da guerra e da invasão da França na Espanha, ocorre a reforma das corporações religiosas, suprimindo uma terceira parte delas; e mais tarde, em 1809, o próprio Bonaparte a dissolveu as restantes. Como resultado, houve uma primeira fuga de escolapios catalães. O regresso de Fernando VII a Madrid permitiu a reabertura das escolas escolapias e mesmo de novas fundações: Barcelona (1815), Sabadell (1818) e Calella (1819). Mas diante dos massacres de frades na década de 30, leva aos escolapios catalães procurar o exílio na Itália e  algumas expedições às Américas.

Ao longo do século XIX, ocorreram as primeiras tentativas de estabelecer uma fundação do outro lado do oceano. As fundações eram efémeras porque foram feitas pela ação de religiosos solitários, fugitivos da situação política espanhola. Assim foi fundada em 1815 a Academia Calasancia de Havana e a partir de 1835 em Montevidéu (Uruguai), na ilha de Porto Rico (1834), em 1836 Camagüey e Bayano (Cuba). Embora essas primeiras fundações não tenham prosperado e os religiosos que as iniciaram passassem para o clero secular ou voltassem para a Espanha, restou um traço que facilitaria a instalação das fundações institucionais produzidas a partir de 1857.

2º período (1845-64): Restauração

San José de Calasanz

Em meados do século, as Escolas Pias da Itália já contavam com cerca de 600 religiosos. As revoluções políticas que ocorreram em toda a Europa por volta de 1848 e os movimentos políticos e guerras que levaram à Unificação da Itália, ou melhor, os governos que foram impostos com eles, novamente danificaram gravemente as Escolas Pias. A política liberal havia começado no Reino da Sabóia com o confisco de propriedades eclesiásticas (1850) e outras medidas contra a Igreja e suas instituições.

A lei de 1866 negou o reconhecimento legal a quase 2.000 ordens religiosas, congregações e corporações; cessão de seus bens ao Estado; controle estatal do ensino em centros religiosos; exigência de diploma civil para lecionar; expulsão dos religiosos de suas casas, proibição de admitir noviços; etc. Em 1888, os escolapios italianos caíram para pouco mais de 300.

Na Espanha, três guerras civis e outras externas (na África e na América) adicionaram ainda mais drama e complexidade à situação. Durante o reinado de Isabel II (1843-1868), a restauração das Escolas Pias começou, embora suas escolas tivessem perdido a autonomia que antes tinham e continuarão sujeitos à legislação oficial do Estado. Durante os anos de 1868-69, os religiosos tiveram que enfrentar uma nova situação adversa com a chamada Revolução Liberal de setembro de 1868, que obrigou Isabel II a fugir para a França. Mais uma vez, as Ordens e Congregações religiosas são suprimidas. Mas novamente os escolapios são excluídos, embora seus centros recebam um caráter público.

Com a Restauração Monárquica plena de 1875, quando Afonso XII começou a reinar, a situação da vida religiosa, inclusive a escolapia, voltou a melhorar. Esta etapa já é de verdadeira expansão. Essa expansão se reflete tanto no rápido aumento do número religiosos, como no grande número de novas fundações. De fato, no último quarto de século, os escolapios fundaram 28 novas casas na Espanha.

Vale a pena ressaltar neste período, porém, que as Escolas Pias, embora divididas quanto ao seu funcionamento, permaneceram em todos os lugares fiéis ao espírito do Santo Fundador e unidas espiritualmente. Assim, descobriu-se que, quando a Ordem foi reunificada em 1904, todos os escapularios se reconheceram filhos de Calasanz.

3º período (1865-1904): Ascensão da Escola Pia Catalã

O fracasso da política educacional estatal é confirmado pelo fato de que em 1900 o analfabetismo na Espanha atingia 63% da população, e dos 30.000 alunos que frequentavam o ensino médio, dois terços o faziam em centros privados e religiosos.

Os escolapios na Espanha tiveram, portanto, um crescimento espetacular: em número de religiosos, passaram de cerca de 150 em 1814 a 1.142 em 1899 (912 padres ou clérigos, 230 irmãos trabalhadores). E as casas passaram a 59. As Escolas Pias da Espanha representam, então, no alvorecer do século XX, a maioria da ordem.

Vale ressaltar que as Escolas Pias tiveram um “tratamento especial” na Espanha, sendo objeto de exceção em muitas das leis educacionais publicadas. Assim, quando em 1837 os Tribunais aprovaram a Lei de Supressão das Congregações Religiosas, abriram exceção para as Escolas Pias (além das Escolas Paulinas e Agostinianas).

Os Generalicios aumentam rapidamente, de forma que quando foi decidida sua dissolução em 1897, já eram 160 religiosos. Assim, eles foram capazes de realizar várias novas fundações em terras americanas:

  • Tucumán (Argentina): 1884
  • Concepción (Chile): 1886
  • Yumbel (Chile): 1886
  • Copiapó (Chile): 1887
  • Sevilha: 1888
  • Panamá: 1889
  • Buenos Aires: 1891
  • Estella: 1893
  • Córdoba (Argentina): 1894
  • Porto Rico: 1894
  • Santiago do Chile (Providencia): 1896

Em 1897 desapareceu oficialmente esta Instituição de Generalicios, que tantos frutos recolheram, e os seus membros e casas em América foram atribuídos a diversas Províncias espanholas. As escolas de Cuba foram confiadas à Escola Pia de Catalunya. As escolas da Argentina e do Chile foram confiadas às Escolas Pias de Aragão.

Neste período, o problema da criação das Escolas Pias Americanas surgiu na mente do padre catalão Calasanz Casanovas, Geral da Ordem, residente em Roma. Três escolapios castelhanos se ofereceram para abrir escolas na Argentina com o objetivo de formar religiosos americanos para realizar as fundações futuras. O líder, padre Ramón Cabeza, criou uma escola em Buenos Aires na rua Tacuarí (1870-72) e construiu uma escola chamada San José de Calasanz no bairro de San Martín da dita capital, com capacidade para mil internos, para ensino básico e ensino meio em artes e ofícios. Por vários motivos, o plano fracassou em 1882. Em junho do ano seguinte, faleceu o padre Cabeza. Seu colega, Padre Fermín Molina, abriu uma escola em Tucumán (Argentina) que fechou em 1889.

Depois de várias tentativas de estabelecer uma fundação em Buenos Aires e Tucumán que não puderam ser consolidadas por problemas financeiros, os Padres Escolápios finalmente acharam sossego no início de 1895 quando o Sr. Juan Manuel Villarino e sua esposa Sra. Gertrudis Casalins, doaram à ordem religiosa o terreno localizado na esquina das avenidas La Plata e Diretório. Em 2 de dezembro de 1900, o novo Colégio foi oficialmente inaugurado.

Em Argentina, pela Lei 13633 do Congresso Nacional, em 1949 San José de Calasanz é proclamado patrono de todas as escolas argentinas.

A Família Calasancia


San José de Calasanz

Embora o número de religiosos e religiosas nessas Congregações não alcançou grande número, sua presença no campo educacional, em ambientes humildes e carentes, é um importante testemunho da fecundidade do carisma calasanctiano. Todos eles guardam uma profunda devoção a San José de Calasanz e juntos formam a chamada “Família Calasancia”.

O salto para o continente americano representou um novo desafio para as Escolas Pias, que iniciaram um percurso que se prolongaria ao longo do século XX até atingir a maturidade plena. As populações americanas acolheram com agrado a presença dos pais escapularios que garantiram uma educação de qualidade como a que se realizava na Espanha e ajudaram o crescimento dos seus jovens ávidos de preparação. No entanto, as fundações americanas sofreram dos mesmos defeitos das escolas peninsulares.

Certamente as Escolas Pias Americanas vieram formar grande número de crioulos, descendentes dos espanhóis que chegaram ao poder com a chegada da independência americana. Porem as grandes escolas, construídas a semelhança daquelas em Espanha, ficaram longe da abordagem aos pobres e indígenas.

 

fonte:

  • https://www.colegiocalasanz.org/
  • PRESENCIA DE LOS ESCOLAPIOS CATALANES EN AMÉRICA (S. XIX Y XX) – CLAUDI ViLA-PALÀ
  • El pensamiento de san José de Calasanz – Buenaventura Pedemonte

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