Basílica de San José de Flores – Parte III: Imaginaria do templo do único São José coroado em America do Sul

A igreja de São José de Flores, foi elevada a Basílica em 20 de janeiro de 1912, pelo Papa Pio X. A velha imagem de São José que se encontra no camarim (capela lateral) é uma das poucas pecas que sobraram do antigo templo.

Outra data marcante desta igreja foi em oportunidade da coroação da imagem de São José que está no Altar-Mor, que aconteceu em 28 de outubro de 1956. É a única imagem de San José coroada pelo Decreto Vacano na América do Sul. Na América são duas, a de Flores e a outra em Montreal, Canadá.

Nasce o bairro de Flores


Don Juan Diego Flores, radicado em Buenos Aires na segunda metade do século XVIII, adquiriu uma fortuna regular em pouco tempo, o que lhe permitiu comprar em 1776 as atuais terras que constituem o coração do atual bairro das Flores. Casado com Dona Antonia Fuentes, não teve sucessão, mas teve um filho adotivo, herdeiro de todos os seus bens.

Com a morte de Dom Juan Diego, ocorrida em 5 de fevereiro de 1801, Dom Ramón F. Flores e sua esposa, Micaela Suárez de Hortiguera, foram declarados herdeiros universais de todos os seus bens.

Dom Ramón Francisco projetou a criação de um povoado dentro da extensa fazenda el tinha, conferindo amplos poderes a Dom Antonio Millán, homem inteligente muito estimado na região. El pôs-se imediatamente a trabalhar, primeiro traçando os rumos do futuro distrito e depois promovendo a venda em lotes correspondentes ao novo traçado do povoado de Flores. Por indicação e vontade de Dom Ramón, o projeto do futuro povoado foi feito na atual Av. Rivadavia. Uma vez que o layout da cidade foi indicado, as vendas de terrenos começaram a ocorrer com bastante regularidade.

Obedecendo à disposição de Dom Ramón, pouco depois do início dessas operações, Millán cedeu à autoridade eclesiástica um terreno em 1805 para a construção da igreja paroquial, que seria erguida posteriormente; e doou, igualmente, ao poder civil, nas mãos do vice-rei Joaquín del Pino, dois belos terrenos, um para a formação da Praça e outro para os matadouros, principal atividade na região.

Camarim de São José 


O altar do Camarim de São José é de estilo bizantino, foi decorado pelo artista polonês Cirilo Katkov, com cenas da vida de São José. Sobre um fundo de mosaico veneziano destaca-se o retábulo que contém a imagem do Santo.

A família Terrero doa a imagem do vestido atual que veneramos no camarim. Estima-se que seja por volta de 1830, pouco antes da inauguração do templo anterior. Esta imagem presidiu o altar-mor do templo até 1879, data na qual o antigo templo foi demolido.

Esta imagem no novo templo tinha localizações diferentes antes da construção do camarim atual. Sabemos fotograficamente que para o centenário paroquial (1906) estava instalada numa urna de madeira com porta de vidro.

Mais tarde, na década de 30, foi instalada junto à antiga sacristia. Finalmente, por ocasião da coroação pontifícia, Monsenhor David Aulea mandou construir o camarim para dar um culto mais solene á primitiva imagem.

Altar-mor


A imagem de São José que preside o altar-mor foi uma doação da Sra. Clementina Meeks de Forrester para o templo inaugurado em 1883. 

O Papa Pio XII proclamou São José Padroeiro da Igreja Universal

Em 1870, por ocasião do Concílio Vaticano I, numerosos bispos do mundo católico apresentaram petições fervorosas ao Papa Pio IX, para que São José fosse especialmente homenageado e invocado. Cabe lembrar que São José era esposo da Santíssima Virgem e cuidou do Senhor do Universo, Jesus. No entanto, não há nenhuma citação dele nos Evangelhos.

Ele aparece nos relatos da Natividade do Senhor em Mateus e Lucas, e está incluído nas passagens que relatam a época em que Jesus sumiu aos 12 anos e foi encontrado no templo. Mas essa é a última vez que ouvimos dele. Maria aparece várias vezes durante o relato de Jesus, mas José não é mencionado no restante do Novo Testamento.

Na década de 1950, foram abertos três centros dedicados ao estudo de São José: na Espanha, Itália e Canadá. Sua celebração litúrgica foi instituída em 1955 pelo Papa Pio XII, perante um grupo de trabalhadores reunidos na Praça de São Pedro, no Vaticano. Pio XII instituiu a festa de São José Obrero, segundo algumas opiniões, com o evidente propósito de contrariar o sentido marxista da festa do Trabalho no dia 1º de maio.

O dia de São José é 19 de março e a festa de São José Obrero é o 1º de maio. Também faz parte da Festa da Sagrada Família (30 de dezembro) e, sem dúvida, faz parte importante da história do Natal.

De Igreja para Basílica


Em 1910, Monsenhor Daniel Figueroa chegou a este templo e percebeu que merecia outra decoração e o decorou como se vê agora, com vitrais, estuque, mármore, ouro, pinturas. Mandou trazer de Roma as seis telas sobre a vida de São José, pintadas por Ulises Pasani Roma. Isso levou dois anos. Além disso, entre 1911 e 1912, foram realizados os trâmites via Vacano para elevá-la à dignidade de Basílica.

O templo de São José de Flores, foi elevado a Basílica Menor em 20 de janeiro de 1912, pelo Papa Pio X. As celebrações por tal título honorífico foram externalizadas na Festa do Padroado de São José, em 28 Abril de 1912. Nessas festividades, foram inauguradas as seis pinturas de Ulises Pasani Roma (1912) e o órgão de tubos que possui o templo (14 de abril de 1912).

As pinturas e decorações da sacristia foram executadas por Bernardo Etchevers e ao lado está a casa paroquial.

Coroação da imagem de São José


São José Padroeiro da Igreja Universal

A coroação da imagem de São José que está no Altar-Mor aconteceu em 28 de outubro de 1956. Monsenhor David Aulea era o pároco na época e se propôs a celebrar os 150 anos do templo com uma grande missão: a coroação de São José. Normalmente, e muito menos hoje em dia, as imagens dos santos não são coroadas, o que corresponde a Jesus e à Virgem, mas naquela época São José podia receber a coroação como um privilégio inusitado. Foi o que o Papa Pio XII concedeu ao cardeal Copello e a monsenhor Aulea quando foram a Roma pedir esse privilégio. Quando voltaram, começaram as coletas para fazer a coroa. A coroa não é uma joia, é a melhor homenagem, é a expressão do carinho do bairro Flores por San José. É a única imagem de San José coroada pelo Decreto Vacano na América do Sul. Na América são dois, o de Flores e o de Montreal, no Canadá.

Vitreaux


Toda Basílica tem um brasão ou escudo real. No caso de San José de Flores, a haste florida da padroeira é cruzada com a chave pontifícia, cobrindo ambas uma umbela basílica entreaberta. Este escudo repete-se em vários locais da basílica, por exemplo: no topo das portas da sacristia e no camarín do santo, no reverso das bandeiras da freguesia, nas portas da frente do templo, no nicho central do São José no altar-mor.

O bastão florido representa São José, que segundo uma antiga tradição através do florescimento de uma haste de amêndoa ou de lírio, como aquele designado por Deus para ser o marido da Virgem Maria.

A chave representa a Santa Sé, à qual a Basílica está espiritualmente unida pelas graças e indulgências concedidas a este templo. A umbela cobre tanto a vara Josefina quanto a chave do sucessor de Pedro, significando que em ambas encontramos a casa do Deus Pai, a casa real onde o povo dos reis, a Igreja de Cristo, se reúne.

Detalhes de Iluminação


Restauração


Desde que o templo foi erguido, o tempo deteriorou suas pinturas, seus afrescos, suas imagens e sua arquitetura interna original. Por isso, e para tentar restaurar o seu esplendor artístico original, em 2013 decidiu-se iniciar juntamente com um grupo de professionais de Escola de Belas Artes, a restauração da Basílica. Com o tempo, a Sra. Patricia Bono, artista plástica, escultora e ourivesaria, passou a cuidar da Restauração Artística atuando na restauração de dois retábulos e pinturas do templo.

No Retábulo da Santíssima Virgem Imaculada, varias partes se encontravam em muito mau estado, onde foi necessário repor muitos faltantes; mãos, dedos de anjos, molduras, etc. A cor em geral foi revivida e muito ouro foi colocado porque muito dele estava coberto de purpurina que embotava seu esplendor. O trabalho em altura durou 4 meses.

Conta Patrícia Bono: “Trabalhei com muito amor, pois foi esta a Igreja onde fui batizada no dia 30 de agosto, festa de Santa Rosa de Lima, que “causalmente” foi a primeira imagem do retábulo que restaurei . Cada imagem, uma a uma, foi transferida para a minha oficina em Pilar onde me encarreguei pessoalmente de restaurar às mesmas”.

Houve também uma renovação na instalação elétrica, feita por pessoal especializado. Por questões de segurança, foi necessária a reparação total de toda a fachada, após vistoria recebida pela Prefeitura. Procedeu-se à reparação e reinstalação de ménsulas decorativos e à fixação de diferentes ornamentações na fachada principal.

A Basílica enfrentou as obras de recuperação dos ralos dos escoamentos de água, os quais  tinham mais de 100 anos instalados e apresentava sinais de deterioração e furos que afetam as paredes e colunas internas, afetando também os trabalhos artísticos presentes nessas paredes.

A cúpula da Basílica apresentou problemas de permeabilidade à chuva. Foram realizados estudos estruturais e não apresentava problemas de estabilidade, embora devido à falta de manutenção e limpeza adequadas ao longo dos anos, peças de alvenaria tenham caído constantemente na nave central. Foi efectuada a desmontagem das ardósias existentes, limpeza, reboco e impermeabilização da cúpula, assim como também dos tetos da nave principal e naves laterais do templo.

Pulpito


Altares laterais


Entre os altares laterais estão os dedicados à Imaculada Conceição, Santo Antônio e Perpétuo Socorro com detalhes de querubins e imagens de São Lázaro. Destacam-se também o altar do Calvário, Santa Teresa, Virgem del Carmen, Virgem de Lujan,  Sta. Rosa de Lima, San Martín de Porres.

Retábulo da Santa Virgem Imaculada

Em 1912 chegou de Roma a imagem da Virgem Santa Columba, um presente de Dom Sardi, Bispo de Agnani, na Itália onde as freiras cistercienses a guardavam num santuário.

Na atualidade restam apenas dois objetos da antiga Igreja que foi derrubada no final da década de 1870: Um, é a imagem do São José (que hoje se encontra numa capela menor da atual Basílica das Flores), doação da família Terrero em 1830. A outra é uma imagem da Virgen del Carmen que foi doada em 1863. Hoje, esta imagem encontra-se num dos altares laterais da atual Igreja das Flores.

 

fonte:

  • http://sanjosedeflores.blogspot.com/p/restauracion-artistica-y-edilicia.html
  • http://www.revisionistas.com.ar/?p=13650
  • Reseña de las distitas imágenes del Santo Patrono en la Basílica San José de Flores – por Luis Avellaneda
  • San José de Flores (Bosquejo Histórico): 1609-1906 –  Cárbia, Rómulo
  • https://www.buenosaires.gob.ar

 

 

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