DIAMANTINA (MG): Igreja São Francisco de Assis – Parte V: A Restauração Integral da Igreja

A intervenção na Igreja São Francisco de Assis teve caráter de restauro completo, ou seja, envolveu a conservação e buscou valorizar os traços originais de cada obra de arte. A importância da obra reside também no fato de que os bens integrados da igreja nunca haviam passado por obras de restauração.

Outro fato que distingue o trabalho realizado é a surpreendente revelação de pinturas encobertas por repintura desde a segunda metade do século XIX e, portanto, desconhecidas da comunidade há mais de um século.

Arquitetos Franciscanos


Aos cronistas da Ordem, frei Apolinário da Conceição e frei Jaboatão, por volta de 1750, é que devemos a maior parte das informações existentes sobre a construção dos templos franciscanos. Sobre os construtores, os cronistas narravam as histórias de frades que assumiam tais funções técnicas como: frei Pedro de Santa Maria, os irmãos frei Junípero de São Paulo e frei Domingos dos Anjos, e frei Lucas da Trindade.

O mais antigo arquiteto da Ordem, Frei Francisco dos Santos, forneceu os riscos de Nossa Senhora das Neves de Olinda, em 1585, e os do convento da Paraíba em 1590. O frei Jaboatão indica em seus livros descreve os pormenores do claustro do Convento de Santo Antônio do Recife (Pernambuco) e aponta que as pedras utilizadas na construção do Convento de Santo Antônio de João Pessoa (Paraíba) foram extraídas do rio próximo.

A vida do frade espanhol frei Pedro Palácios é outro exemplo de biografia interligada a história construtiva. O edifício em questão é o Convento de Nossa Senhora da Penha de Vila Velha (ES). Edificado pelo frade, com o auxílio da população local, foi implantado numa elevação próxima ao centro urbano, em 1558.

Para implantar os conventos franciscanos havia preferência em elevações próximas às fontes de água (rios, lagoas ou mares) nos limites de núcleos urbanos. Inicialmente, os edifícios eram feitos em taipa e, posteriormente, refeitos em materiais duráveis, como no Convento de Santo Antônio de Cairu (Bahia), tempo depois reformado em pedra e cal. A construção definitiva em alvenaria só foi decidida em 1653, sendo indicado para projetar a igreja o frei Daniel de São Francisco, ex-frade do Convento de Olinda que mudou-se para Salvador com a ocupação holandesa em Pernambuco.

Na região de Minas Gerais, as obras do Barroco se inicia a partir do 1700 com a descoberta do ouro e do diamante na região, que trazem uma súbita riqueza para a região. Teve como centro a antiga Vila Rica que hoje é Ouro Preto, mas teve fortes traços em outras regiões como Serro, Mariana, Tiradentes, Sabará, São João del-Rei, Congonhas e outros povoados. Além desses municípios, o Barroco também floresceu com vigor na cidade de Diamantina.

O barroco Mineiro se difere dos demais devido a liberdade de criação e propagação de templos religiosos a diferença daqueles na região litorânea brasileira, onde as construções eram mais orientadas pelos padrões rígidos das congregações europeias.

A história da construção da Igreja de São Francisco de Assis em Diamantina começa no ano de 1762, com a implantação da Venerável Ordem Terceira de São Francisco de Assis no então arraial do Tijuco (antiga sede do Distrito Diamantino), e sua construção foi possibilitada graças à uma série de doações de irmãos e devotos.

Restauração Integral da Igreja


Antigos reparos no telhado da igreja

No final do ano de 2002, foram concluídos o projeto básico de restauração arquitetônica da igreja da Ordem Terceira de São Francisco de Assis, sob responsabilidade técnica da arquiteta especialista Maria Cristina Cairo Silva, e o Projeto de restauração e revitalização de bens integrados, coordenado pela 13ª Superintendência Regional do Iphan, ambos elaborados com recursos do Monumenta. Quanto ao projeto dos bens integrados, foi necessária sua complementação, uma vez que incluía inicialmente apenas os trabalhos dos forros da capela-mor e do consistório. Nesse momento, contou-se com a participação do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais – Iepha/MG.

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Em abril de 2005, foram repassados os recursos necessários para a restauração arquitetônica completa. O montante de investimentos do Programa Monumenta/Iphan e da prefeitura municipal totalizou 755 mil reais, dos quais 326.493 mil reais foram alocados pelo Ministério da Cultura. As obras abrangeram o edifício, o adro, escadaria e áreas externas das laterais e da parte posterior do terreno, o cemitério de gavetas, ou carneira, o conjunto de bens artísticos integrados à arquitetura e, ainda, peças do acervo de imaginária.

O prazo inicialmente previsto para a realização dos serviços foi estendido com a revelação, por meio de prospecções, de graves problemas de desequilíbrio estrutural e de pinturas originais encobertas por repinturas.

Antigos reparos no telhado da igreja

A intervenção compreendeu basicamente duas fases: a de restauração arquitetônica, iniciada em setembro de 2005 e finalizada em janeiro de 2007, e a de restauração dos elementos artísticos integrados, de fevereiro do mesmo ano a fevereiro de 2008. Os projetos técnicos e orçamentos foram fornecidos pela prefeitura municipal de Diamantina como contrapartida do Programa, assim como a contratação da empresa executora do restauro dos bens integrados e a responsabilidade executiva e fiscalização, que ficaram também a cargo do poder público municipal.

A execução da obra arquitetônica contou com equipe experiente, composta por oficiais do escritório técnico do Iphan, sediado em Diamantina, da prefeitura municipal e da Empresa Sudoeste, e constituída, além do responsável técnico e do chefe de obras, por sete oficiais e quatro meio-oficiais, totalizando 11 trabalhadores.

Rua Macau de Cima, Ao fundo a escadaria lateral da igreja de São Francisco

Quanto aos trabalhos de restauração dos bens artísticos integrados à arquitetura, a execução coube à competente equipe da empresa Anima Conservação e Artes Ltda., coordenada pelo restaurador e conservador Gilson Felipe Ribeiro, com apoio técnico dos restauradores Edimilson Barreto Marques e Carlos Magno. Abrangeu todo o conjunto pictórico e escultórico da capela – forros e cimalhas da capela-mor e do consistório, painéis frontais do supedâneo, retábulo-mor e retábulos colaterais, arco cruzeiro e tarja, púlpito e imagem do Senhor dos Passos.

A obra foi entregue em 17 de março de 2008.

A restauração arquitetônica


A cobertura, principalmente na região ao longo da cumeeira, apresentava-se sobrecarregada, com acúmulo de argamassa e telhas provenientes de sucessivos reparos e obras. Tratava-se, na realidade, de problema já verificado em obras anteriores e discutido, como visto, pelos responsáveis técnicos da intervenção de 1947, executada pelo Iphan.

Entre os serviços realizados, destaca-se a implantação de sistema de drenagem ao longo das paredes externas e do muro de divisa do terreno na parte superior do talude, para impedir as violentas infiltrações de águas pluviais que comprometiam a estabilidade da estrutura da igreja como um todo. Esse problema vinha de épocas anteriores e já fora mencionado nos relatórios de obras do Iphan, como consta da proposta de 1975 em que se decidiu “fazer um dreno para o escoamento de água nascente no terreno propensa a prejudicar a estrutura do monumento”. A drenagem executada não resolveu completamente os problemas de infiltração, tendo sido necessária a execução de novo sistema incluindo drenagem profunda em todo o perímetro da igreja e superficial na área lateral acima do talude, junto ao muro.

Estabilização estrutural


A estrutura autônoma de madeira com vedações em parte de adobe e parte em tijolo maciço, introduzido em intervenções anteriores, possuía evidências de sérios problemas de estabilidade, originários especialmente da deterioração de suas articulações principais e secundárias. O engradamento da estrutura em geral e, em especial, os esteios e outras peças da fachada principal encontravam-se danificados por infiltrações e sobrecarregados, entre eles o cunhal anterior lateral esquerdo e o frechal na articulação com o esteio, ponto de maior esforço do conjunto.

A estrutura das fachadas laterais encontrava-se completamente desligada da principal em função do arruinamento das ligações entre baldrames, madres, travessas, esteios e frechais. Na lateral direita, fortes e continuadas infiltrações sob os pisos da sacristia e da nave, ocasionadas pela ausência de drenagem e acúmulo de água a partir dos taludes, haviam comprometido o equilíbrio estrutural e criado situação de alto risco para a estabilidade do edifício. Os trabalhos de consolidação e travamento da estrutura foram os primeiros a se realizar. Foram executados novos apoios em pilaretes de concreto, em lugar dos nabos de madeira deteriorados. Nas fachadas laterais, todos os vínculos entre peças da estrutura, esteios e frechais, madres, baldrames e travessas, foram recompostos e reforçados com chapeamento em ferro.

Na estrutura da nave, destacou-se o arruinamento dos encaixes entre o tirante e os frechais na área sobre o coro, com a consequente movimentação das paredes por empuxo em diagonal, que empurrou a estrutura da lateral direita. Foram revistas todas as articulações, consolidadas as ligações das cabeças dos tirantes com os esteios e os frechais e reforçado todo o conjunto com cantoneiras metálicas.

O arco cruzeiro foi outro importante elemento estrutural que apresentou indicações de graves lesões. Como elas não se acusavam externamente pela presença dos revestimentos, não haviam sido diagnosticadas na fase de projeto. Sua estabilidade, entretanto, estava totalmente comprometida, com problemas de desaprumo e torção dos principais apoios, além de desligamento dos baldrames e dos esteios de sustentação, levando, inclusive, a abatimento na área do altar colateral esquerdo. Foi necessário, portanto, substituir integralmente os pés de esteio, com a execução de sapatas de concreto em lugar dos nabos de madeira apodrecidos.

A cobertura


O engradamento em madeira da cobertura apresentava problemas de conservação em vários de seus componentes, com destaque para os frechais que tinham suas extremidades danificadas, comprometendo a amarração superior do arcabouço estrutural. O ripamento encontrava-se bastante irregular e avariado, assim como a armação dos beirais, notadamente no frontispício.

As beiradas em cimalha também possuíam trechos deteriorados. No entelhamento, muitas peças estavam danificadas, trincadas e com quebras. Um dos principais problemas era o excessivo acúmulo de massa e pedaços de telhas nas junções e sob a cumeeira, resultado de inúmeras obras de reparos feitas sucessivamente, sem remoção de camadas já existentes. Com isso, o peso da cobertura foi bastante ampliado, sobrecarregando tanto sua própria estrutura quanto a do edifício. O engradamento foi minuciosamente revisado, tendo esse diagnóstico demonstrado que seria necessário trabalhar toda a área de cobertura, incluindo a nave, capela-mor, sacristia, consistório, torre e carneira. As peças e partes danificadas do madeiramento foram substituídas e suas ligações reforçadas com chapas metálicas.

Os contrafeitos de pau roliço, por sua precária situação, deram lugar a peças aparelhadas devidamente tratadas, procedimento que se estendeu ao restante da estrutura em madeira dos beirais. O estado de arruinamento em que se encontravam as cimalhas externas ensejou sua recomposição integral no frontispício e parcial com reaproveitamento em outros trechos, tendo sido as novas peças confeccionadas por meio de moldes a partir das originais. Entre outros serviços, foram objeto de cuidados especiais as chapas e rufos de proteção do frontão e encontros de paredes e telhados, para eliminar as infiltrações de águas pluviais, com a impermeabilização de diversos elementos, descupinização e tratamentos preventivos de todo o madeiramento.

O entelhamento passou por substituição praticamente integral, e as irregularidades do acúmulo de massa e entulho ao longo da cumeeira foram eliminadas, destacando-se o cuidadoso trabalho para retomar o ponto original do telhado. Foram seguidos procedimentos já consagrados na atuação do Iphan, com reaproveitamento de telhas em boas condições, colocadas como capas após lavagem, e uso de novas telhas, com as dimensões das originais, como bicas. Na execução do capeamento dos muros externos foram utilizadas, também, telhas reaproveitadas.

Frontispício


O frontão encontrava-se desaprumado e com evidências de desgaste e mau funcionamento do esqueleto estrutural, e recebeu tratamento de consolidação por meio de troca de peças deterioradas e reforço nos encaixes. Foi realizada a recomposição de revestimentos das faixas e volutas e troca integral da forração da face posterior. Por fim, aplicou-se o acabamento com pintura a óleo nas cores branca, no fundo, e vermelha-sangue-de-boi, nas molduras. Os serviços nos arremates de coroamento compreenderam a fixação da peanha, o reaprumo da cruz e a restauração do resplendor e pintura.

A moldura do óculo, sobrevergas perfiladas e entablamento estavam em acelerado processo de deterioração por excesso de umidade, furos de pregos e rachaduras. A pintura encontrava-se comprometida por sujidade generalizada, desgastes, manchas escurecidas, tons desbotados, escorridos de água e oxidação de cravos. Realizaram-se os necessários trabalhos nos suportes e na policromia. O emolduramento em madeira do óculo foi totalmente restaurado e recebeu pintura lisa de acabamento segundo tonalidades prospectadas.

Esta é a única igreja com relógio na torre em Diamantina

Na realização da obra destacou-se, ainda, a restauração do relógio da torre, ali inserido nas primeiras décadas do século XX. Procedeu-se à retirada controlada do mecanismo, que passou então por serviços de manutenção e retífica integral em oficina de tornearia. Recolocado no local original, encontra-se em pleno funcionamento, após ficar desativado por mais de 20 anos.

Com relação aos pisos, o trabalho mais extenso foi o da revisão estrutural do tabuado da capela-mor e da sacristia, nos quais se mostrou necessária a remoção total para a recuperação do barroteamento. A solução adotada para a estrutura foi a colocação de barrotes suplementares para reforçar a capacidade de sustentação dos antigos e permitir maior aproveitamento das peças.

Restauração dos forros


Quanto aos forros, os da capela-mor e do consistório, por seu tratamento com pintura artística, constituíram alvo de projetos e intervenção específicos, detalhados no presente texto no conjunto de bens integrados. O tabuado de forro da nave teve partes trocadas e recuperadas. As substituições de tábuas foram concentradas na área sobre o coro, trecho menos visível, empregando-se tabuado mais estreito. As peças que estavam em bom estado foram remanejadas para complementação das áreas perdidas ou inaproveitáveis do restante do forro.

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Pintura da abóbada da capelamor ajustada com José Soares de Araújo: medalhão de N. Sra. da Conceição rodeada por anjos. Foto de Nelson Kon, 2008

Na sacristia, introduziu-se forro em saia-e-camisa, recompondo a antiga especificação da forração. Além disso, foram trabalhados a estrutura e o suporte da arcada do coro e do tapa-vento, com execução de trabalhos de higienização, remoção das sujidades acumuladas e de excrementos de insetos, e imunização do madeiramento.

Forro do consistório, a célebre pintura elaborada em 1795 do pintor Caetano Luiz de Miranda

A instalação elétrica evidenciava graves problemas que punham em risco a conservação do edifício, o que levou à elaboração de novo projeto e execução de nova instalação. A instalação hidráulica também foi integralmente refeita, incluindo os sanitários junto à sacristia e do porão, segundo novas especificações de equipamentos, materiais e acabamentos.

A restauração dos bens artísticos integrados


A obra de restauração dos bens artísticos integrados à arquitetura, realizada pela Anima Conservação e Artes Ltda., abrangeu todo o conjunto pictórico e escultórico da capela, forros e cimalhas da capela-mor e do consistório, painéis frontais do supedâneo, retábulo-mor e laterais, arco cruzeiro e tarja, púlpito e imagem do Senhor dos Passos.

O processo foi acompanhado por profissionais especializados e devidamente registrado por meio de fotografias em todas as suas passagens. Os trabalhos foram definidos e especificados a partir da revisão, atualização e complementação de projetos e de prospecções elaborados em 2002 e 2005.

Outro fato que distingue o trabalho realizado é a surpreendente revelação de pinturas encobertas por repintura desde a segunda metade do século XIX e, portanto, desconhecidas da comunidade há mais de um século, no retábulo de São Francisco, sobretudo no camarim e no fundo dos nichos, nos painéis frontais do supedâneo e na cimalha e barra do forro do consistório.

Esse aspecto se reveste de maior relevância em razão da alta qualidade dessas pinturas e do grande significado do conjunto da obra do pintor e guarda-mor José Soares de Araújo e sua equipe, no âmbito da pintura colonial mineira e brasileira. A importância da obra reside também no fato de que os bens integrados da igreja nunca haviam passado por obras de restauração e clamavam há muito tempo por intervenção que lhes garantisse a salvaguarda.

Em geral, os problemas de conservação apresentados, tanto no campo da pintura quanto no da talha, eram semelhantes e comuns em obras confeccionadas em suportes de madeira. Verificavam-se, notadamente, o ataque de insetos xilófagos, a existência de trincas e rachaduras, o craquelamento e a falta de aderência da camada pictórica ao suporte, com descolamentos, desprendimentos e perdas significativas em alguns locais.

Além disso, a ação humana ao longo do tempo resultou na superposição de várias camadas de repintura sobre a original, as quais se encontravam bem ressecadas, e no escurecimento e modificação da composição cromática das pinturas dos forros e retábulos causados pela oxidação de camadas de verniz aplicadas às superfícies.

A intervenção teve caráter de restauro completo, ou seja, envolveu a conservação e buscou valorizar os traços originais da obra de arte, equilibrando perdas e partes remanescentes de modo a restituir sua integridade. Do ponto de vista metodológico, portanto, todas as peças foram examinadas e seus problemas diagnosticados, desde os projetos à execução dos serviços, tendo por base o interesse em revelar e ressaltar seus valores históricos, construtivos, estéticos e artísticos. As lacunas ou perdas foram tratadas mediante procedimentos técnicos internacionalmente recomendados, baseados na busca de harmonização com o todo, na preocupação em não falsear as características da obra original.

Na montagem do canteiro da obra foi adotada estratégia de funcionamento em duas áreas principais de trabalho de ateliê, compondo duas frentes para as pinturas de teto; uma na nave, atendendo inicialmente ao forro do consistório, e outra montada em plataforma sobre andaime, para os serviços do forro da capela-mor.

Os trabalhos de restauro foram empreendidos a partir da capela-mor e da pintura do teto do consistório, seguindo-se várias etapas a partir do mês de fevereiro de 2008, realizadas simultaneamente nos ateliês montados na nave e na capela-mor, e diretamente nas peças.

No início foram executados procedimentos preparatórios para o desmonte dos forros do consistório e da capela-mor. Paralelamente, iniciou-se o tratamento estrutural das cambotas dos forros e do retábulo-mor, bem como o processo de remoção de repinturas no trono, forro e painéis parietais do camarim. Esses serviços, os principais e de maiores dimensões, se estenderam até os últimos meses da obra, com exceção do painel do consistório, praticamente concluído nos primeiros quatro meses.

O tratamento pictórico da capela-mor inclui, ainda, os belos painéis frontais do supedâneo e a pintura do camarim, ambos revelados nos trabalhos de restauro. Os primeiros representam cenas bíblicas do Antigo Testamento, a Escada de Jacó, na lateral esquerda, e Jacó e o Anjo, na direita, delimitadas por delicada moldura dourada pintada e pela estrutura de pilastras, base e entablamento perfilados do próprio painel.

Fundo do Camarim do Altar-mor

Merece destaque especial a ornamentação do camarim do altar-mor, descoberta e restaurada durante as recentes obras de restauro do monumento. A superfície de fundo foi pintada em motivos de fitas e laçarotes encadeados, entrelaçados a ramagens e ramalhetes de florinhas e flores douradas trabalhadas em relevo com punção, propiciando magnífico efeito de cintilação que se repete no fundo dos nichos.

A partir do mês de maio, novos elementos passaram a ser trabalhados: retábulos laterais, arco cruzeiro, púlpito e tarja do arco, os quais foram concluídos até o início de agosto, com exceção do retábulo colateral direito e da reintegração pictórica do púlpito.

A essa altura, no retábulo-mor, o trono se encontrava pronto para receber tratamento final e se realizou serviço de desmonte e início de restauro isolado de elementos, como colunas, capitéis, apliques entalhados dos modilhões, coruchéus laterais do dossel e cimalha da capelamor. Em setembro, entre outros serviços, finalizou-se o restauro e remontagem da cimalha e do forro da capela-mor, assim como das pinturas do enquadramento das seteiras. Os trabalhos prosseguiram nos meses seguintes e contemplaram o acabamento dos retábulos, imagens e outros não previstos, que surgiram a partir do detalhamento de prospecções.

As obras de restauração dos bens artísticos integrados iniciou-se no dia 7 de fevereiro de 2007 e foi concluída em fevereiro de 2008.

 

fonte:

  • A igreja de São Francisco de Assis em Diamantina – Selma Melo Miranda (1)
  • Aproximação entre dois patrimônios: a construção narrativa dos Conventos Franciscanos nas Crônicas da Ordem no Período Colonial – Rafael Ferreira Costa (2)
  • Traços barrocos na arquitetura do centro histórico de Diamantina – Mauricio Teixeira Mendes (3)
  • http://portal.iphan.gov.br/
  • Credito fotos: Foto de Nelson Kon, 2008

Basílica de San José de Flores – Parte III: Imaginaria do templo do único São José coroado em America do Sul

A igreja de São José de Flores, foi elevada a Basílica em 20 de janeiro de 1912, pelo Papa Pio X. A velha imagem de São José que se encontra no camarim (capela lateral) é uma das poucas pecas que sobraram do antigo templo.

Outra data marcante desta igreja foi em oportunidade da coroação da imagem de São José que está no Altar-Mor, que aconteceu em 28 de outubro de 1956. É a única imagem de San José coroada pelo Decreto Vacano na América do Sul. Na América são duas, a de Flores e a outra em Montreal, Canadá. Continue lendo “Basílica de San José de Flores – Parte III: Imaginaria do templo do único São José coroado em America do Sul”

DIAMANTINA (MG): Igreja Nossa Senhora do Amparo – Parte I: A Irmandade dos homens pardos no antigo Arraial do Tijuco

A pequena igreja em tons de azul e branco está escondida entre as ruas apertadas de Diamantina. Com torre única no centro e fachada delicadamente decorada com peças de madeira. A Irmandade dos Homens Pardos do Arraial do Tijuco, em 1756 foi autorizada a erigir sua própria capela, dedicada à Nossa Senhora do Amparo. As obras estendidas até 1776, teve seus ornamentos executados pelo artista Silvestre de Almeida Lopes, quem foi membro da ordem.

Ainda na época do império, a igreja recebe o título de Capela Imperial e ostenta na portada um emblema com as armas imperiais. Continue lendo “DIAMANTINA (MG): Igreja Nossa Senhora do Amparo – Parte I: A Irmandade dos homens pardos no antigo Arraial do Tijuco”

A Basílica Nossa Senhora do Socorro – Parte III: O interior do Templo

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Os vizinhos do bairro de Retiro adquiriram de um camelô uma bela imagem de Jesus Crucificado que ele carregava descuidadamente em sua carruagem. Aparentemente, o dinheiro não dava para pagá-lo, por isso eles solicitaram ajuda ao bairro, que de bom grado os ofereceu. A imagem sagrada adquiriu fama a traves de sues milagres concedidas. Em 1803 a famosa imagem é trasladada a este templo.

Em 12 de fevereiro de 1898, o Papa Leão XIII a declarou Basílica Menor, sendo o primeiro templo em nosso país a alcançar esta distinção eclesiástica. Continue lendo “A Basílica Nossa Senhora do Socorro – Parte III: O interior do Templo”

OURO PRETO (MG): Nossa Senhora das Mercês dos Perdões – Parte II: A Mercês de Baixo e interior do Templo

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O templo está localizado no alto de uma colina, desde seu adro é possível aceder a um espetacular mirante com vista para a parte velha de Ouro Preto.

A igreja de Nossa Senhora das Mercês dos Perdões que se localizava numa região geográfica abaixo da outra irmandade de Mercês, ficando conhecida também como “Mercês de baixo” e a outra como “Mercês de cima” ou “Mercês e Misericórdia”.

O risco altar-mor, foi encomendado ao mestre Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho que também teria executado as imagens de roca de São Pedro Nolasco e São Raimundo Nonato, hoje nos nichos laterais do altar-mor. Continue lendo “OURO PRETO (MG): Nossa Senhora das Mercês dos Perdões – Parte II: A Mercês de Baixo e interior do Templo”

Igreja San de Ignacio de Loyola – PARTE III: O Templo e seu acervo religioso

La Manzana de las Luces é um dos principais museus históricos do centro de Buenos Aires e recebe milhares de visitantes interessados em aprender sobre a história da cidade.

A Igreja de San Ignacio de Loyola, em Buenos Aires, foi construída pelos jesuítas no bairro de Monserrat, em Buenos Aires. Possui características em sua arquitetura que merecem destaque e que o tornam um edifício único.

Na última restauração, elementos originais foram recuperados e a igreja voltou a brilhar em todo o seu esplendor. Totalmente restaurado, por dentro e por fora, é um dos ativos históricos mais bem preservados da Argentina. Continue lendo “Igreja San de Ignacio de Loyola – PARTE III: O Templo e seu acervo religioso”

MUSEU de ARTE SACRA de OURO PRETO

Ouro Preto é a principal cidade do Ciclo do Ouro no Brasil e foi berço dos maiores artistas do estilo chamado Barroco Brasileiro. A cidade também foi cenário do movimento pela independência do Brasil em relação a Portugal, denominado de Inconfidência Mineira.

Por seu valor histórico e cultural, a cidade foi decretada Cidade Monumento Nacional em 1933, pelo então presidente Getúlio Vargas. Seu reconhecimento mundial se deu em 1980, quando a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) declarou a cidade Patrimônio Cultural da Humanidade.

Com planta atribuída ao arquiteto Pedro Gomes Chaves, a igreja Nossa Senhora do Pilar é erguida no decorrer do século XVII, e sua fachada atual é concluída em 1848. Hoje a Igreja abriga também o Museu de Arte Sacra de Ouro Preto, que reúne imagens sacras, documentos e algumas das vestimentas usadas na celebração do Triunfo Eucarístico. Continue lendo “MUSEU de ARTE SACRA de OURO PRETO”

OURO PRETO (MG): Igreja N S das Mercês e Perdões – Parte I: A Mercês de Baixo

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Esta igreja foi erguida a partir da primitiva Capela chamada Bom Jesus dos Perdões (Cristo Crucificado) edificada pelo padre José Fernandes Leite, que ele mesmo  doou em 1760 à Irmandade de Nossa Senhora das Mercês. Da justaposição abreviada das duas devoções deriva a singular denominação de Nossa Senhora das Mercês e Perdões, pela qual a igreja é conhecida popularmente.

A igreja localizava-se numa região geográfica abaixo da outra irmandade de Mercês, ficando conhecida também como “Mercês de baixo” e a outra como “Mercês de cima” ou “Mercês e Misericórdia”. Continue lendo “OURO PRETO (MG): Igreja N S das Mercês e Perdões – Parte I: A Mercês de Baixo”

Porque Ouro Preto tem duas Igrejas das Mercês? … a Mercês de Baixo e a Mercês de Cima

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Em Ouro Preto a devoção a Nossa Senhora das Mercês existem duas igrejas onde ela é a padroeira.  Os nativos diferenciam de modo peculiar, baseados na topografia da montanhosa cidade: uma é a “Mercês de baixo” (cujo nome correto é Nossa Senhora das Mercês e Perdões), situada nas baixadas do bairro dos Paulistas, a caminho da Nossa Senhora da Conceição de Antonio Dias, e a outra é a “Mercês de cima” (situada acima da cidade e bem próxima do Hospital da Irmandade da Misericórdia). Continue lendo “Porque Ouro Preto tem duas Igrejas das Mercês? … a Mercês de Baixo e a Mercês de Cima”

A Basílica Nossa Senhora do Socorro – Parte I: A igreja da colónia que acolheu ao Cristo Senhor dos Milagres em Buenos Aires

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Na periferia da cidade, ao norte, havia um oratório denominado “dos pescadores”. Nessa área, em 1750, o espanhol Alejandro del Valle doou um terreno para a construção de um templo dedicado a Nossa Senhora do Socorro. Em 1769, essa igreja foi nomeada vice-paróquia da Catedral, e uma paróquia foi erguida em 25 de março de 1783. O templo foi consagrado em 20 de maio de 1896 pelo Arcebispo de Buenos Aires, Uladislao Castellano. E pouco depois, em 12 de fevereiro de 1898, o Papa Leão XIII a declarou Basílica Menor, sendo o primeiro templo em nosso país a alcançar esta distinção eclesiástica. Continue lendo “A Basílica Nossa Senhora do Socorro – Parte I: A igreja da colónia que acolheu ao Cristo Senhor dos Milagres em Buenos Aires”