PATRIMÔNIOS da HUMANIDADE no BRASIL – Parte I

Na década de 1950, começa a surgir a preocupação com a proteção dos patrimônios culturais por parte da UNESCO, que inicia uma campanha nos países para que assegurassem a proteção de seus patrimônios arquitetônicos e culturais.

No ano de 1971, essa entidade promoveu a assinatura da Convenção por parte dos países e solicitou aos Estados-Membros a apresentação de sítios considerados significativos para a humanidade. para a inclusão na Lista do Patrimônio. 

As informações sobre cada candidatura são avaliadas por comissões técnicas, sendo a aprovação final feita anualmente pelo Comitê do Patrimônio Mundial, integrado por representantes de 21 países. O objetivo é reconhecer a importância internacional de cada um deles, bem como sua relevância na história, além de incentivar a preservação e conservação.

O primeiro sítio a receber o título de Patrimônio  Mundial ou Patrimônio da Humanidade no Brasil foi a cidade de Ouro Preto, Minas Gerais, em 1980.

O mais novo foi declarado pela UNESCO recentemente no julho de 2019 … O Centro Histórico de Paraty e Ilha Grande junto as reservas de Mata Atlântica da região da Baía da Ilha Grande.

Centro Histórico de Paraty e Ilha Grande

A classificação como patrimônio da humanidade foi dada não só ao centro histórico da cidade colonial de Paraty, como à paisagem da região da Baía de Ilha Grande, que envolve uma área de 149 mil hectares – incluindo trechos no Estado de SP –, com quatro áreas de conservação (como o Parque Nacional da Serra da Bocaina e o Parque Estadual da Ilha Grande), além de 187 ilhas no total.

Hoje, outros 1.092 lugares do mundo têm o título de patrimônio mundial. Deles, 21 estão no Brasil, além de Paraty: 14 são considerados patrimônios culturais e, sete, naturais.

  • Sítios do Patrimônio Cultural: 14
  • Sítios do Patrimônio Natural: 7
  • Sítios do Patrimônio Misto: PARATY

 

De 1980 até hoje, o Brasil teve incluídos na lista da UNESCO os seguintes sítios:

1. Cidade histórica de Ouro Preto (MG) – 1980

A cidade apresenta diversas igrejas com incríveis obras de arte da fase barroca mineira, além de museus que resgatam parte dessa rica história, pontes e chafarizes históricas todas preservadas como testemunhos de seu passado de prosperidade.

Considerado um grande museu a céu aberto, a antiga Vila Rica, atual Ouro Preto, possui um dos conjuntos arquitetônicos mais ricos do Brasil. Foi o primeiro sítio brasileiro considerado Patrimônio Mundial pela UNESCO
Fundada em 1711, a cidade foi a capitania de Minas Gerais em seu período mais importante, o ciclo do ouro. Ouro Preto foi o palco inaugural da corrida do ouro nos anos áureos da mineração no país, no século XVIII, e da Inconfidência Mineira. Aqui também se encontra a maior concentração de esculturas barrocas de Aleijadinho, o maior artista do Brasil colonial. combinadas com as pinturas de Manuel da Costa Athaide, dão à cidade uma importância artística singular.

2. Centro histórico de Olinda (PE) – 1982

Uma das cidades mais charmosas do Brasil, Olinda apresenta um conjunto arquitetônico bem preservado com o mar como pano de fundo, o cartão postal ideal.

Centro histórico de Olinda no estado de Pernambuco

Declarada Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade pela UNESCO em 1982, a cidade foi fundada pelos portugueses no século XVI e sua história caminhou junto com a produção de açúcar pois ganhou destaque nacional no período de exploração de açúcar, época que durou quase dois séculos.
Erguida pelos portugueses em 1535 no alto de morros que dão uma visão estratégica para o Oceano Atlântico e para o porto. No ponto mais alto da cidade – a Catedral Alto da Sé, de onde se vê todo o arredor e de onde pode-se partir para mais uma incursão pelos jardins dos conventos, pelas capelinhas e pelas igrejas espalhadas por toda a cidade.
Suas ruelas, repletas de casinhas com fachadas coloridas encantam os viajantes. Jardins, 20 igrejas barrocas, conventos e inúmeras capelas também contribuem para o charme particular de Olinda. Os turistas lotam a cidade no carnaval,

3. Ruínas de São Miguel das Missões (RS) – 1983

As ruínas de São Miguel das Missões ficam localizadas na fronteira entre o Rio Grande do Sul com a Argentina. Herança deixada pelas missões jesuítas na região no século XVII, essas construções serviam como polos catequizadores.
Erguidas pelos padres jesuítas em território pertencentes aos índios Guaranis entre os séculos 17 e 18, as construções serviam como pólos catequizadores das pessoas que moravam aqui antes da chegada dos portugueses.

Ruínas dos padres jesuítas em território pertencentes aos índios Guaranis

Tombadas pela Unesco em 1983, as ruínas das missões jesuísticas constituem-se em um conjunto arquitetônico espalhado entre o sul do Brasil e a Argentina – ali, viveu uma comunidade de indígenas que adquiriu conhecimentos tecnológicos, graças às interações com os jesuítas, e que resistiu à posterior invasão portuguesa, mas foi massacrada pelos invasores.
Tombadas pela UNESCO em 1983, quatro delas se encontram do lado argentino e, a de São Miguel das Missões, é a única do lado brasileiro.

4. Centro histórico de Salvador (BA) – 1985

Capital do estado da Bahia, Salvador foi a primeira sede colonial portuguesa do Brasil. A região foi descoberta em 1510, após o naufrágio de um navio francês, que trazia a bordo Diogo Álvares, um dos responsáveis pela colonização baiana.
O Centro Histórico de Salvador está localizado no bairro do Pelourinho, que é marcado pela arquitetura colonial.

A cidade foi declarada Patrimônio Mundial pela UNESCO em 1985 e é, historicamente, uma das mais importantes da América

O centro da cidade é formado basicamente por construções dos séculos XVI e XIX, preserva importantes traços da arquitetura renascentista portuguesa.
Outro critério seguido para determinar o tombamento, segundo a Unesco, foi a importância histórica da cidade como um ponto de conversão entre as culturas dos europeus, dos africanos e dos indígenas brasileiros, o que evidencia a história de exploração por parte dos brancos sobre as outras sociedades. Esse critério também foi usado para tombar outras cidades marcadas por histórias de exploração, como Havana e Cartagena.

5. Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas do Campo (MG) – 1985

O Santuário, situado em Congonhas do Campo, foi ratificado em 1985 como um dos Patrimônios Culturais da Humanidade. Foto_ Shutterstock

Localizado na cidade de Congonhas, em Minas Gerais, o Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos é composto por 12 esculturas barrocas esculpidas por Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. As imagens, que adornam o adro do Santuário do Bom Jesus dos Matosinhos, datam da segunda metade do século XVIII.
Construída na metade do século 18, a igreja é decorada no estilo rococó italiano e considerada uma “obra-prima de arte barroca latinoamericana, expressiva e emotiva, de grande originalidade”.

O local abriga sete capelas, que representam a Via Crucis, e uma escadaria externa, decorada com estátuas dos 12 profetas dos profetas católicos. As estátuas foram feitas em pedra-sabão pelo artista Aleijadinho.

6. Plano Piloto de Brasília (DF) – 1987

Tombada como Patrimônio Cultural da Humanidade em 1987, a cidade é, segundo a Unesco, um divisor de águas na história do planejamento urbano. Esse “exemplo definitivo de ubarnismo modernista do século 20” foi fundado em 21 de abril de 1960, tem o plano piloto idealizado por o urbanista Lucio Costa e os edifícios arquitetados por Oscar Niemeyer.
A dupla pretendia que cada elemento dos edifícios oficiais estivessem em harmonia com o design geral da cidade. O resultado são construções inovadoras, criativas e cheias de curvas, característica do trabalho de Niemeyer.

Brasilia é considerada um centro de inovação e criatividade do ponto de vista arquitetônico

A cidade apresenta edifícios residenciais e administrativos desenhados em uma simetria perfeita que se alinha ao design geral da cidade, muitas vezes comparado com o formato de um pássaro durante o voo.
A ideia do presidente da época, Juscelino Kubitschek, era de criar do zero uma nova capital para o Brasil, e transferir os três poderes da República para aquele pedaço de planalto no meio do cerrado brasileiro.

7. Parque Nacional da Serra da Capivara, em São Raimundo Nonato (PI) – 1991

Um dos lugares mais incríveis do Brasil, o Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí, abriga milhares de sítios arqueológicos com pinturas rupestres com mais de 25 mil anos.

Um dos sítios arqueológicos mais antigos da América do Sul, o Parque Nacional da Serra da Capivara

Aberto para visitação desde 1979, o local concentra vestígios do homem pré-histórico no Brasil e foi inscrito pela UNESCO na lista de Patrimônios Mundiais em 1991, devido sua importância arqueológica e histórica. São mais de 300 pontos de interesse, além de ossadas e objetos milenares, que mostram os costumes do primeiro povo a ocupar o continente.
É na cidade de São Raimundo Nonato que fica o Parque Nacional Serra da Capivara, um lugar repleto de cavernas rochosas, em meio a um conjunto de chapadas e vales. cobertas de pinturas rupestres (são mais de 300 pontos de interesse, espalhados numa área de 214 quilômetros de circunferência).

 

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