Patrimônio Cultural Imaterial no Brasil: Lista Representativa e disciplinas nomeadas pela Unesco como Patrimônio da Humanidade – Parte I

O Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, de acordo com a Convenção para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial, adotada pela UNESCO em 2003 e ratificada pelo Brasil em 2006, é composto pelas práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas – junto com os instrumentos, objetos, artefatos e lugares culturais que lhes são associados – que as comunidades, os grupos e, em alguns casos, os indivíduos reconhecem como parte integrante de seu Patrimônio Cultural.

O processo de produção das Panelas de Goiabeiras conserva todas as características essenciais que a identificam com a prática dos grupos nativos das Américas e foi o primeiro bem cultural inscrito no Livro de Registro dos Saberes.

A tradição gráfica da etnia indígena Wajãpi do Amapá denominada Kusiwa aplica-se à decoração de corpos e objetos, envolvendo técnicas e habilidades diversificadas, como o desenho, o entalhe, o trançado, a tecelagem.

O Círio de Nossa Senhora de Nazaré é uma celebração religiosa que ocorre em Belém do Pará. A festividade do Círio de Nazaré é chamada “quadra nazarena” corresponde ao traslado da imagem de Nossa Senhora de Nazaré da Catedral da Sé, no bairro da Cidade Velha, local em que Belém nasceu, até a Praça Santuário, no bairro de Nazaré.

01 – Ofício das Paneleiras de Goiabeiras

O processo de produção das Panelas de Goiabeiras conserva todas as características essenciais que a identificam com a prática dos grupos nativos das Américas, antes da chegada de europeus e africanos. As panelas continuam sendo modeladas manualmente, com argila sempre da mesma procedência e com o auxílio de ferramentas rudimentares. Depois de secas ao sol, são polidas, queimadas a céu aberto e impermeabilizadas com tintura de tanino, quando ainda quentes.

O saber foi apropriado dos índios Tupi-guarani e Una por colonos e descendentes de escravos africanos que vieram a ocupar a margem do manguezal, território historicamente identificado como um local onde se produziam panelas de barro.

O consumo permanente e reiterado das moquecas e da torta da Semana Santa, valorizado pelos capixabas como uma referência na formação de sua identidade cultural, é provavelmente uma das principais razões da continuidade histórica da fabricação artesanal das panelas de barro, apesar das notáveis transformações urbanas ocorridas. A cidade cresceu e alcançou Goiabeiras, que se transformou em um bairro urbanizado de Vitória. Mas ali continuam sendo feitas, como sempre, as panelas pretas. Enquanto a cidade crescia, as paneleiras iam progressivamente se profissionalizando e fazendo do seu ofício a mais visível atividade cultural e econômica do lugar.

02 – Expressão Gráfica e Oralidade entre os Wajãpi do Amapá

O Conselho Consultivo do IPHAN aprovou a inscrição em 20 de dezembro de 2002. No ano seguinte, recebeu da Unesco o título de Obra-prima do Patrimônio Oral e Imaterial da Humanidade.

Os Wajãpi do Amapá são, atualmente, 670 pessoas, distribuídas entre 48 aldeias. Constituem um grupo remanescente de um povo outrora muito mais numeroso, subdividido em vários grupos independentes e cuja população total foi estimada em cerca de 6 mil pessoas no começo do século XIX. Esta etnia tem origem em um complexo cultural maior, de tradição e língua tupi-guarani, hoje representado por diversos povos, distribuídos entre vários estados do Brasil e países adjacentes. Até o século XVII, os Wajãpi viviam ao sul do rio Amazonas, numa região próxima da área até hoje ocupada pelos Asurini, Araweté e outros, todos falantes de variantes dessa mesma família lingüística.

A tradição gráfica que os Wajãpi do Amapá denominam “kusiwa” aplica-se à decoração de corpos e objetos, envolvendo técnicas e habilidades diversificadas, como o desenho, o entalhe, o trançado, a tecelagem, etc. Sua função principal, no entanto, vai muito além deste uso decorativo, pois o manejo do repertório de padrões gráficos é um prisma que reflete, de forma sintética e eficaz, a cosmologia deste grupo, suas crenças religiosas e práticas xamanísticas.

03 – Círio de Nossa Senhora de Nazaré (Belém do Pará)

O Círio de Nossa Senhora de Nazaré é uma celebração religiosa que ocorre em Belém (PA), inscrita no Livro das Celebrações, em 2004. Os festejos envolvem vários rituais de devoção religiosa e expressões culturais, e reúnem devotos, turistas e curiosos de todas as partes do Brasil e de países estrangeiros. Acontecem em vários municípios do Pará; Acará, Curuçá, Parauapebas, São João, entre outros – onde se cultua a festividade de Nossa Senhora de Nazaré. A festa – instituída em 1793 – é uma celebração constituída de vários rituais de devoção religiosa e expressões culturais, cujo clímax ocorre na procissão do Círio, no segundo domingo de outubro.

As festividades do Círio de Nazaré, a chamada “quadra nazarena”,  começam bem antes da procissão principal, realizada no segundo domingo de outubro, e se prolongam durante 15 dias. Da procissão propriamente dita, que corresponde ao traslado da imagem de Nossa Senhora de Nazaré da Catedral da Sé, no bairro da Cidade Velha, local em que Belém nasceu, até a Praça Santuário, no bairro de Nazaré.

Para poder acompanhar as mudanças ocorridas no ritual do Círio de Belém é necessário considerar não apenas sua estrutura, mas também os diversos elementos que, ao longo do tempo, o caracterizam como tal. Em anos recentes, o trajeto foi sendo ampliado, agregando uma série de outras celebrações, tais como a romaria rodoviária, a romaria fluvial e a romaria dos motoqueiros. Dias antes da procissão, a avenida Nazaré, no trecho da Praça da República até a Basílica, é decorada com arcos, utilizando-se motivos que homenageiam a santa e que são escolhidos por meio de concurso.

São montados palcos ao longo do trajeto, onde ocorrem homenagens à Nossa Senhora de Nazaré, como apresentações de corais, canto lírico e hinos de louvor à Santa. Quase toda a cidade participa da procissão, de uma forma ou de outra. Mesmo os que ficam em casa acompanham-na pela televisão ou pelo rádio.

04 – Samba de Roda do Recôncavo Baiano

O Samba de Roda no Recôncavo Baiano foi inscrito do Livro de Registro das Formas de Expressão em 2004. O reconhecimento Patrimônio Imaterial da Humanidade, aconteceu em 2005. Está presente em todo o Estado da Bahia e é especialmente forte e mais conhecido na região do Recôncavo, a faixa de terra que se estende em torno da Baía de Todos os Santos. Seus primeiros registros, com esse nome e com muitas características que ainda hoje o identificam, datam dos anos 1860.

Reúne as tradições culturais transmitidas por africanos escravizados e seus descendentes, que incluem o culto aos orixás, caboclos e o jogo da capoeira.

A herança negro-africana no samba de roda se mesclou de maneira singular a traços culturais trazidos pelos portugueses (principalmente viola e pandeiro) e à própria língua portuguesa nos elementos de suas formas poéticas.

05 – Modo de fazer Viola-de-Cocho

Viola-de-cocho é um instrumento musical de forma e sonoridade sui generis produzido na região da bacia do Rio Paraguaibaixada cuiabana e adjacências – nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Destaca-se como um instrumento fundamental nos gêneros musicais “cururu e siriri”, cultivados sobretudo em manifestações culturais ligadas à religiosidade e à brincadeira. É produzida de modo artesanal e, tradicionalmente, com matérias-primas extraídas da natureza da fauna e da flora do pantanal e do cerrado.

O nome cocho deve-se à técnica de escavação da caixa de ressonância da viola em uma tora de madeira inteiriça; mesma técnica utilizada na fabricação dos recipientes nos quais são depositados os alimentos para o gado. Nesse cocho, já talhado no formato de viola, são afixados um tampo e, em seguida, as partes que caracterizam o instrumento musical, como cavalete, espelho, paiêta, rastilho e cravelhas. Podemos dizer que as violas têm, em média, cerca de 70 cm de comprimento e 25 cm de largura, com 10 cm de altura na caixa de ressonância.

Enquanto a sua  execução, o ponto de referência passa a ser o município de Rosário Oeste. De Rosário para baixo, incluindo Cuiabá, a viola é tocada em andamento mais vivo. De Rosário para cima (região de Nobres, Alto Paraguai, Diamantino), é tocada mais lentamente, e, em consequência, o cururu tem também andamento mais moderado. As diferenças de andamento são acompanhadas por maneiras diferentes de dançar o siriri.

 

fonte:

  • http://portal.iphan.gov.br/
  • http://www.elfikurten.com.br/

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