OURO PRETO (MG): Igreja de Nossa Senhora das Dores do Calvário no Arraial de Antônio Dias

A pequena capela no alto do morro já não é a construção original. A primeira obra no local datava do final do século XVIII e foi construída a pedido da Irmandade de Nossa Senhora das Dores e Calvário. A atual construção data de meados do século XIX. A igreja não se destaca pela arquitetura ou rico interior. Também não se conhece o autor do projeto.

A igreja celebra duas festas em honra de Nossa Senhora das Dores: a primeira na sexta feira da semana da paixão, anterior à Semana Santa, e a segunda no dia 15 de setembro. A primeira é celebrada na Igreja desde 1727, instituída pelo papa Bento VIII. A segunda foi determinada por Pio VIII em 18 de setembro de 1814, festeja o dia da padroeira.

A Irmandade de Nossa Senhora das Dores e Calvário


Situada no bairro de Antônio Dias, a construção de primitiva Capela de Nossa Senhora das Dores, em terreno doado pela Irmandade do Santíssimo Sacramento de Antônio Dias, foi iniciativa da Irmandade de Nossa Senhora das Dores do Calvário, constituída em 1768 na Matriz de Antônio Dias, por membros da Irmandade Dolorosa de Braga, que residiam em Vila Rica. A cerimônia da imposição dos escapulários e coroa das Dores aos irmãos teve lugar, pela primeira vez, na Matriz de Antônio Dias em 1770.

Acha-se bem situada, em amplo campo de visão magnífica, com panorâmica para a parte central do Antônio Dias e arredores

A primeira vez que se realizaram essas cerimônias foi em só de abril de 1770, com grande solenidade, tendo, para ela, sido colocado no altar de São João Batista, da matriz de Antônio Dias, um painel representando a Senhora das Dores, que foi bento pelo vigário da paróquia, padre João de Oliveira Magalhães, sendo, nesse dia, eleita a Mesa definitiva, da qual foi Provedor Manuel Luís Saldanha. Nessa festa de primeira imposição do Escapulário das Dores, aos filiados à nova Irmandade, estiveram presentes o Conde de Valadares, Governador e Capitão General de Minas; o Corregedor da Comarca, Doutor José da Costa Fonseca; o Intendente da Real Casa de Fundição, Doutor João José Teixeira Coelho; Provedor da Fazenda Real, Doutor João Caetano Soares Barreto além de numerosos membros da nobreza civil e militar e grande concurso de povo.

Encimando a verga da porta principal, aparece elemento decorativo em massa de gesso, simbolizando as dores de Nossa Senhora

Desenvolveu-se rapidamente a devoção da Senhora das Dores, tendo já em 1775 cerca de cinco mil associados em toda a Capitania. Tudo isso, decorria não somente das contribuições dos fiéis, como do esforço de Dona Leonor Luisa de Portugal, casada com o Coronel José Luís Saião, que era Secretário do Governo da Capitania e que não poupava recursos para a disseminação do culto à Senhora das Dores.

Em acordo com a Irmandade do Santíssimo Sacramento de Antônio Dias, obtiveram o terreno de um velho cemitério por volta de 1780, no qual começaram a edificação da Capela.

A primitiva capela teve permissão para sua construção em 1775. Erguida no mesmo local da atual, apenas um pouco recuado, foi construída em 1783 e concluída em 1788. por um arquiteto desconhecido.

Ela foi feita toda em pau-a-pique. Mas a capela que hoje vemos, tendo toda a sua estrutura em pedra, data de 1835. Não se tem conhecimento de dados sobre a história da construção.

Entretanto, foi entre os anos de 1845 e 1850 que a sua construção avançou até a fachada atual. Foi nesse período que surgiu a sineira inserida no frontão, em substituição ao antigo campanário existente ao lado da capela. Diante da falta de documentação, desconhece-se a autoria do projeto. e a responsabilidade de sua execução.

Sabe-se apenas que em 1855, o governo provincial concedeu verbas para obras na capela. No século XX, os primeiros registros documentais referem-se aos anos de 1914 e 1915, e indicam a construção de um cemitério ao lado direito da capela. Outras referências datam de 1954 e 1964 e relacionam-se, respectivamente, a pequenos serviços generalizados e restauração do telhado da nave.

Fachada


A capela de Nossa Senhora das Dores apresenta em seu frontispício dois elementos ornamentais de forma piramidal, óculo recortado em curvas e contracurvas e, nas laterais, duas janelas envidraçadas e em arco pleno, possivelmente do século XX.

O frontão é curvilíneo, contendo um nicho para colocação de um sino

A cimalha do frontispício é encurvada ao centro, em torno do óculo, solução adotada em grande parte das igrejas mineiras.

Capela de pedra em dois corpos, lembrando as de influência portuguesa do Minho, com o corpo principal abrangendo Capela-mor; Sacristia e Consistório na parte posterior.

A Irmandade de Nossa Senhora das Dores e Calvário, foi constituída em Ouro Preto, no ano de 1768. Seus fundadores eram portugueses. Confraria até 1863, passa nessa data a ordem terceira, a Ordem Terceira dos Servitas.

Interior do Templo


A nave da capela é dividido em arcadas que exercem a função de tribunas onde são guarnecidas por balaustradas de madeira recortada, até a altura do coro.

O arco-cruzeiro é arrematado em madeira. Internamente, é constituída apenas pelo altar-mor, de madeira lisa com lambrequins nos nichos e recortes no camarim, e sacrário de forma chanfrada.

A nave é toda em arcadas e tribunas balconadas.

Acima, no altar-mor, uma imagem de Nossa Senhora das Dores, originária da cidade portuguesa de Braga.  Nos nichos laterais, abrigados sob os dosséis dos nichos, duas imagens de roca, trajando o hábito da Ordem de São Felipe e Santa Juliana.

As sete espadas que representam as Sete Dores de Maria

No altar-mor belíssima imagem da Virgem das Dores e logo abaixo dela uma rica custódia, em madeira, trabalhada, representando o Espírito Santo.

O tema das Sete Dores de Maria popularizou-se na Igreja Católica desde o século XVI, chegando a Portugal e conseqüentemente ao Brasil no século XVII. A representação das Dores é simbolizada por sete espadas cravadas no coração de Maria, lembrando a profecia de Simeão, que previne Maria do martírio que Jesus irá sofrer.

Assinalam-se uma banqueta com seis castiçais de talha dourada, um quadro oval, distintivo dos servitas de Nossa Senhora das Dores, e duas mesas D. João V utilizadas para os ofícios divinos.

O Consistório


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Marília de Dirceu

Este espaço é grandioso com duas colunas jônicas, nele se vendo um altar com a bela imagem de Nossa Senhora das Dores; um oratório com lindíssima imagem de Nossa Senhora do Rosário com 1,20 de altura; e uma imagem de Nossa Senhora da Piedade que se afirma ter pertencido à avó de Marília de Dirceu: D. Francisca de Seixas da Fonseca.

O avô materno de Marília de Dirceu, o Tenente General Bernardo da Silva Ferrão, nasceu em Portugal e se casou em 1727 com Dona Francisca de Seixas Fonseca. Eram moradores do Rio de Janeiro quando se deslocaram para Vila Rica com cinco filhos. Na freguesia de N. Sa. da Conceição de Antônio Dias, em Vila Rica, em casa construída por Bernardo, viveram por trinta anos e ali tiveram seus outros cinco filhos. Ali nasceu, em 1738, a primeira filha mineira Dona Maria Doroteia Joaquina de Seixas, mãe de Maria Doroteia, de quem a filha era homônima, mais conhecida como a musa inspiradora do livro Marília de Dirceu. Seus avos tiveram um total de dez filhos, seis mulheres e quatro homens.

Festividades 


Sob a invocação de Nossa Senhora das Dores, que é sua padroeira, sua Ordem no entanto festejava, desde os primeiros tempos, o Espírito Santo. Eram as Encamisadas ou Festas do Divino em que todo o arraial do Antônio Dias tomava parte proeminente. Desde a Ponte do Antônio Dias até ao adro das Dores a decoração era profusa, e por oito dias seguidos era festejado o Divino, constando os festejos de parte religiosa e parte popular, esta com farta distribuição de Bois do Divino à pobreza. Havia danças, fogos, jogos, fogueira e cavalhadas.

Eram as chamadas “Encamisadas”, um cortejo noturno (muitas vezes, ou outrora, em cavalhada), à luz de archotes, cujos participantes, ou alguns deles, envergam túnicas brancas, geralmente em honra de um santo ou da Virgem Maria, a quem eram dedicadas loas em certos passos do trajeto.

Hoje em dia a data mais importante em honor a Virgem Nossa Senhora das Dores acontece em 15 de setembro. Esta festa tem origem em 1667 com a Ordem dos Servitas (“Companhia de Maria Dolorosa”), inteiramente dedicada à devoção de Nossa Senhora que obteve a aprovação da celebração litúrgica das sete Dores da Virgem, esta festa foi celebrada também com o título de Nossa Senhora da Piedade e A compaixão de Nossa Senhora, tendo sido promulgada por Bento XIII (1724-1730) a festa com o título de Nossa Senhora das Dores, e que durante o pontificado de Pio VII foi acolhida no calendário romano e lembrada no terceiro domingo de setembro. Foi o Papa Pio X que fixou a data definitiva de 15 de Setembro, com o nome definitivo: Virgem Maria Dolorosa.

Semana Santa


Mas sem dúvidas uma característica que destaca esta igreja é aquela imagem guardada na sacristia pois é a principal protagonista das famosas posições de Semana Santa.

Esta igreja guarda a imagem de Nossa Senhora das Dores da Matriz de Antônio Dias, ela só aparece ao público por ocasião de alguma festa específica, como a Semana Santa, no segundo domingo do mês de Maio (Dia das Mães) e como já mencionamos em 15 de Setembro, o dia da padroeira. Diferentemente da imagem homónima da Matriz do Pilar, exposta em um altar lateral ao longo do ano, podendo ser vistas por fiéis e turistas.

A imagem da posição só tem uma espada

No período imediatamente anterior à Semana Santa, realizam-se nesta igreja os Setenários das Dores de Nossa Senhora. O Setenário corresponde a uma série (cumulativa e padronizada) de ritos preparatórios para a Semana Santa que se encerram na Sexta das Dores, dia que dá começo a celebração da Semana Santa Ouropretana.

Na Sexta das Dores, celebra-se a última das sete dores de Nossa Senhora,  a imagem processional permanecem sobre o andor próxima à saída da igreja, aguardando as portas abrir e dar início assim a primeira posição da Semana Santa: O Depósito de Nossa Senhora das Dores.

 

fonte:

  • https://reficio.cloud/minas-gerais/eponina-ruas-igreja-de-nossa-senhora-das-dores-do-calvario-em-ouro-preto
  • http://portal.iphan.gov.br/

 

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