Novo Museu da Natureza em Piauí

Considerado o maior parque arqueológico da América do Sul, o Parque Nacional da Serra da Capivara esta localizado no interior do estado de Piauí, Brasil. A localidade fica a 530 km de Teresina, capital do Piauí, e a 300 km de Petrolina, uma das principais cidades do Pernambuco.

O local possui a maior quantidade de sítios arqueológicos pré-históricos das Américas, abrigando mais de 1.200 pontos de arte rupestre em meio à caatinga. Na região existem pinturas rupestres feitas pelo homem há mais de 50 mil anos. Até hoje a mais antiga que se tem notícia no continente americano.

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O Parque Nacional da Serra da Capivara foi criado em 1979 como a primeira de uma série de medidas para evitar que a área continuasse vulnerável à exploração de caçadores e madeireiras. São 130 mil hectares (quase o tamanho de Teresina, capital do Piauí) que abrigam a maior concentração de sítios pré-históricos do país. São principalmente pinturas rupestres de povos que viveram na região há 100 mil anos. Desde 1991, o parque integra a lista de Patrimônios Culturais da Humanidade da Unesco.

Do conjunto de 1.354 sítios arqueológicos cadastrados, 204 estão preparados para a visitação turística, sendo 17 deles acessíveis para pessoas com dificuldades de locomoção. Em 2003, foi premiado com a Declaração das Nações Unidas como Unidade de Conservação com melhor infraestrutura da América Latina.

Como chegar: o museu, assim como o parque, fica na zona rural do município de Coronel José Dias. Há um aeroporto internacional prontinho para uso, mas que não opera vôos comerciais, apenas particulares. O aeroporto foi inaugurado em outubro de 2015, após quase duas décadas de construção e R$ 20 milhões investidos. Hoje vive literalmente de portas fechadas.

O ideal então é pegar voos rumo a Teresina ou Petrolina, e seguir para São Raimundo Nonato, sede turística da região. No terminal rodoviário partem ônibus diariamente com as empresas Gontijo, Viação Itapemirim, Transpiauí, Princesa do Sul e Viação Líder.

 

Salas de exposições

Após a entrada, o visitante do Museu da Natureza inicia um percurso circular dotado de uma leve inclinação por dentro da estrutura em forma de caracol.

O espaço expositivo tem 12 salas temáticas e propõe uma imersão na história natural do nosso planeta. Algumas abordam tópicos gerais, como a origem do universo, o movimento das placas tectônicas e o aquecimento global.  Outras estão focadas em achados e características da região, como as plantas da Caatinga e os animais que habitaram ali há 10 mil anos.

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As salas estão divididas em “Início da Matéria”,  “Tectônica de Placas”, “Água”,  “Suco de Dinossauros”,  “Gelo Infinito”,  “A Primeira Transformação”,  “Desfile Animal”,  “Animais  Pintados”, “Caatinga”,  “Vôo Livre”,  “Animais Noturnos” e “A Próxima Mudança”.

Além dos objetos expostos, são usados recursos de animação, fotografias, perspectivas digitais e interatividade, assim como projetores, computadores, sensores, telas de cristal líquido e plasma, instrumentos interativos, redes, sonorização, iluminação e sistemas de automação.

 

Parte das janelas tem visão para a Pedra Furada, formação rochosa que é um dos principais atrativos do Parque e que representa um monumento pré-histórico onde grupos humanos registraram sua cultura durante 29 mil anos em pinturas nas paredes das rochas.

Além do espaço reservado às exposições, o museu conta com restaurante, auditório, lojas, área reservada ao acervo, instalações administrativas e sanitárias. O edifício foi construído próximo ao Centro de Visitantes do parque e de uma fábrica de cerâmica artesanal.

No fim do passeio, uma surpresa especial, com a projeção de um filme que conduz para uma jornada pela existência da Terra, acompanhado de narração de Maria Bethânia, que faz refletir sobre nossa participação na preservação do planeta.

 

Arqueóloga brasileira Niéde Guidon

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A idéia da criação do museu partiu de Niéde Guidon, arqueóloga brasileira conhecida mundialmente por lutar pela preservação do Parque Nacional da Serra da Capivara. A pesquisadora de 86 anos de idade é coordenadora da Fundação Museu do Homem Americano (FUMDHAM), instituição científica que desde a década de 1970 trabalha na área arqueológica de São Raimundo Nonato.

Em 2003, ela deu início a conversas com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em busca de financiamento. Mesmo que bem recebido pela instituição, o projeto não avançou até 2008, quando um desenho arquitetônico mais detalhado foi solicitado pelo Banco. Mas foi só em 2013 que a primeira verba para tirar o do projeto do papel foi liberada. As obras foram iniciadas em junho de 2017 e concluídas pouco mais de um ano depois.

“Quando fizemos o Museu do Homem Americano, havia também uma parte dedicada aos fósseis, aos levantamentos geológicos e à natureza da região. Mas a coleção humana cresceu tanto que tivemos que retirar a parte da natureza. Como não tínhamos onde mostrar esses fósseis, inclusive marinhos, de quando aqui era mar, fizemos o projeto do Museu da Natureza. Isso foi mais ou menos entre 2002 e 2003”.

A Dra. Niède enfatizou que o museu será algo único na Serra da Capivara. “Temos o Museu do Homem Americano e agora o Museu da Natureza, duas obras históricas e que no Brasil não tem nada igual financiada pelo BNDES. Essa obra é todo um conjunto que consegue fazer com que esse parque seja realmente algo ímpar. Se nós tivermos linhas aéreas e hotéis, nós teremos aqui milhões de turistas porque é um patrimônio da humanidade. Os patrimônios da humanidade são muitos visitados, ou seja, tudo o necessário para que essa região possa se desenvolver. Agora então é complementar”, declarou a arqueóloga.

Mesmo aposentada, Niède, hoje com 86 anos, não abandona seus projetos mais com a saúde debilitada, ela afirma que não há mais possibilidades de continuar vivendo no Piauí.

“A minha última função aqui é o Museu da Natureza. É a realização de muitos sonhos porque a vida é isso. Temos coleções muito importantes de fósseis e é isso que a gente queria mostrar ao público. Tudo o que foi feito nesses anos de pesquisa.  Não há mais motivos para permanecer. É natural, eu tenho 86 anos e atualmente eu tenho problemas de saúde. Até para ir a São Paulo é difícil, a viagem é horrível. É difícil ficar aqui, mas a Fundação continua e temos membros aqui para continuar o trabalho”, afirmou a pesquisadora.

“Para falar a realidade eu estou exausta com tanto trabalho, mas isso era necessário. A gente conseguiu uma coisa muito difícil porque foi um projeto que demorou muito para poder começar a ser feito por conta de burocracia, mas finalmente conseguimos”, completou.

“Depois da inauguração do museu, saio. Vou voltar para a França, mas não sei para onde. Gosto de cidades pequenas, bonitas. Tenho direito de descansar. Comecei a trabalhar com 18 anos. Vou reclamar meu direito de não fazer nada.”

A determinação da Dra. Niéde em criar um novo museu foi transportada para o papel pela arquiteta Elizabete Buco, que já tinha sua marca na região com o planejamento de passarelas de acesso aos sítios arqueológicos no Parque Nacional da Serra da Capivara e a confecção do projeto do Centro Cultural Sérgio Motta, onde estão os laboratórios da Fundação Museu do Homem Americano (Fumdham), entidade científica de renome internacional.

A arquiteta Buco assina o projeto do Museu da Natureza em conjunto com a conceituada empresa de arquitetura A. Dell’Agnese Arquitetos Associados, da cidade de São Paulo.

museu Piauí Serra Capivara Homem Americano Parque NacionalAD Arquitetura recebe ilustre visita da Dra.Niède Guidon.

 

Desenvolvimento do projeto

A uruguaia Rosa Trakalo (coordenadora de projetos da instituição científica) tornou-se uma das assistentes mais próximas de Guidon, e coube a ela a gestão do projeto do Museu da Natureza – inclusive a captação dos recursos junto ao BNDES, que investiu R$ 13,7 milhões não reembolsáveis nesse empreendimento vizinho ao Parque Nacional da Serra da Capivara.

Em 2017, a segunda parcela para a execução foi liberada e todos os processos de contratação foram realizados e as firmas contratadas.

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As obras foram iniciadas no dia 27 de junho de 2017 pela EMCIL Engenharia de Teresina. A exposição foi planejada e executada pela Magnetoscope, cujo Diretor e curador é Marcelo Dantas, reconhecido por instituições como a Society of Environmental Graphic Design de Washington (EUA), autor de muitos outros trabalhos pelo mundo afora e aqui no Brasil mais conhecido pela exposição do Museu da Língua Portuguesa em São Paulo e pela mais recente exposição do Museu do Homem Americano. A coordenação de montagem de Sérgio Santos deslocou para o sertão do Piauí um “batalhão” de premiados artistas, pesquisadores, técnicos e profissionais especializados nas mais inovadoras e modernas tecnologias museológicas.

Segundo o curador Marcello Dantas, a proposta é trazer uma visão de mundo inspiradora. “Um lugar que revela um Brasil que todos nós desconhecemos, um Brasil que estava aqui antes mesmo dos índios surgirem, índios que viveram antes dos portugueses chegarem. É um lugar que faz refletir sobre o tempo em que estamos.”

No final de 2013 o BNDES aprovou a concessão do apoio financeiro de R$ 13,7 milhões à Fundação Museu do Homem Americano, para construção e implantação do Museu da Natureza. A operação aconteceu no âmbito do Programa BNDES para o Desenvolvimento da Economia da Cultura (BNDES Procult), com recursos não reembolsáveis do Fundo Cultural do Banco. A participação do BNDES corresponde a 68% do valor total necessário para viabilização do projeto. Pouco mais de R$ 8 milhões foram investidos nas obras de engenharia civil e cerca de R$ 5 milhões na confecção da mostra.

O engenheiro civil Marcelo Moreira foi responsável pela execução da obra. Moldado com aço, concreto, alvenaria e vidros, o museu incorpora organicamente em seu interior uma rampa helicoidal no sentido ascendente para apresentar a evolução dos eventos geológicos e paleontológicos desde as origens da região até os dias atuais. De acordo com o engenheiro “se trata de uma obra diferenciada pelo formato e por ter toda a estrutura metálica, que comporta uma área de 4.500 m²”.

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Depois da inauguração da obra em dezembro de 2018 o sertão semiárido do Piauí terá motivos para comemorar com muito orgulho o que já vem sendo reconhecido como o “Legado de Niéde Guidon”.

Ela disse também que o Museu da Natureza não dispõe de nenhum recurso público e que é cobrado o valor de R$ 30 para visitação, com desconto para estudantes, crianças e idosos. Todo o dinheiro arrecadado é para pagar os salários dos funcionários e manter o museu.

 

 

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