MUSEU de ARTE SACRA de OURO PRETO

Ouro Preto é a principal cidade do Ciclo do Ouro no Brasil e foi berço dos maiores artistas do estilo chamado Barroco Brasileiro. A cidade também foi cenário do movimento pela independência do Brasil em relação a Portugal, denominado de Inconfidência Mineira.

Por seu valor histórico e cultural, a cidade foi decretada Cidade Monumento Nacional em 1933, pelo então presidente Getúlio Vargas. Seu reconhecimento mundial se deu em 1980, quando a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) declarou a cidade Patrimônio Cultural da Humanidade.

Com planta atribuída ao arquiteto Pedro Gomes Chaves, a igreja Nossa Senhora do Pilar é erguida no decorrer do século XVII, e sua fachada atual é concluída em 1848. Hoje a Igreja abriga também o Museu de Arte Sacra de Ouro Preto, que reúne imagens sacras, documentos e algumas das vestimentas usadas na celebração do Triunfo Eucarístico.

Nossa Senhora do Pilar


Considerada a segunda igreja mais rica em ouro do Brasil, perdendo apenas para a igreja e Convento de São Francisco, em Salvador, Nossa Senhora do Pilar de Ouro Preto é um projeto de Pedro Gomes Chaves. Seu interior possui uma capela-mor riquíssima, talhada por Francisco Xavier de Brito. Segundo dados extraoficiais, foram empregados em sua ornamentação cerca de 400 quilos de ouro e 400 de prata.

Provavelmente, a primitiva capela foi construída nos primeiros anos do século 18 e, em 1712, já era ampliada para se tornar a matriz. O dado interessante é que o templo tinha a posição invertida, com a fachada voltada para a direção de onde está a capela-mor hoje. Em 1730, João Fernandes de Oliveira arrematou as obras para novas ampliações. Em 1733, as obras estavam prontas.

A capela original que estava em ruínas foi demolida em 1724 para a construção da atual matriz. O Santíssimo foi levado para a Capela do Rosário dos Pretos, para que os fiéis não interrompessem suas práticas religiosas. Na inauguração da nova igreja, e com o translado do Santíssimo, foi realizada, em 1733, a famosa festa do Triunfo Eucarístico.

No fim de outubro de 2012, a matriz foi elevada à condição de basílica pelo Vaticano, um reconhecimento da importância do templo barroco como espaço de peregrinação de fieis e também como acervo arquitetônico, cultural e artístico de Vila Rica.

Museu de Arte Sacra


O Museu de Arte Sacra está localizado no subsolo da Matriz de Nossa Senhora do Pilar, em Ouro Preto (MG). Formado inicialmente em 1965, pelo pároco José Feliciano da Costa Simões. foi constituído juridicamente em 2 de setembro de 1989 e reinaugurado em maio de 2000. Em sua primeira fase, que durou até o ano 2000, era chamado de Museu da Prata e do Ouro. Em 2000, o museu foi reorganizado pelo padre Simões e passou a se chamar Museu de Arte Sacra de Ouro Preto.

O museu está especificamente voltado para a conservação, documentação e divulgação da arte sacra e de sua história, e envolvido com a conservação de bens móveis e imóveis da paróquia do Pilar, a cargo de equipes especializadas em obras de restauração de monumentos. Além das coleções abertas ao público, o Museu de Arte Sacra organiza exposições itinerantes, ações comunitárias e atividades culturais, ligadas ao calendário religioso e cultural da cidade, como a Semana Santa. Uma biblioteca especializada em arte sacra e história de Minas Gerais encontra-se à disposição dos pesquisadores.

Ocupa o corredor do lado do evangelho, a sacristia e um pequeno porão embaixo da sacristia. No corredor anexo ao consistório (local onde os religiosos se reúnem), está o arquivo da matriz, considerado o mais completo de memória religiosa de Ouro Preto.

O Museu conta com acervo formado por diferentes irmandades, confrarias e associações religiosas, que começa a ser organizado a partir de 1984. O conjunto é composto de objetos litúrgicos variados, representativos da ourivesaria colonial (cálices, cruzes e lanternas processionais; vasos para água e vinho; castiçais; turíbulos etc.); de quadros, paramentos, vestes religiosas (confeccionadas com fios de ouro, prata e seda) e missais (como o exemplar de Antuérpia, de 1738). Imaginária, mobiliário, documentos das irmandades, manuscritos, partituras, entre outros, completam o acervo, no qual se destacam esculturas sacras de Francisco Xavier de Brito. A ampla documentação relacionada a nascimentos, óbitos, casamentos e testamentos, por sua vez, é a base de um dos mais importantes arquivos de tipo paroquial do Brasil colonial e imperial.

O acervo do museu conta com 400 peças produzidas entre os séculos XVII e XIX. São peças religiosas e profanas dos períodos Maneirista, Barroco, Rococó e Neoclássico e abrangem a história da antiga Vila Rica durante o período áureo da mineração do ouro. Elas estão distribuídas em vitrines temáticas. São imagens santas, resplendores, banquetas, documentos e até vestimentas cerimonias para missa.

Outra peça de grande interesse e valor histórico é a imagem de Nossa Senhora das Mercês, com brincos de topázio imperial, do arquiteto e escultor Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, datada do século 18. A imagem, uma das primeiras obras do artista, ficou desaparecida por décadas e foi recuperada em 1994, em um antiquário de São Paulo. O fato virou caso de polícia e, graças à intervenção federal, a imagem retornou para Ouro Preto.

Salas e vitrines


A exposição é feita em seis salas e vitrines temáticas com pratarias, mobiliário, paramentos, imagens religiosas do século XVIII e algumas das vestimentas usadas na celebração do Triunfo Eucarístico e Semana Santa, além de documentos e móveis.

Sala da cripta: O Museu de Arte Sacra de Ouro Preto fica na cripta da igreja, que é um espaço sobre a sacristia, encontrado durante a última reforma do monumento e onde, acredita-se, funcionava uma mina de ouro.  Expõe exéquias (honras fúnebres) de dom João 5º em Ouro Preto.

Sala imaginária: Contém cerca de 40 imagens sacras. A classificação e a ordenação dessas imagens obedecem ao estilo a que pertencem, à data em que foram feitas e à técnica usada pelo artista.

Sala da Sacristia: Na sacristia, a atração fica por conta de um belo arcaz em jacarandá, com mais de oito metros de comprimento sem emenda. Os puxadores das gavetas trazem a custódia, símbolo da Irmandade do Santíssimo Sacramento.

Espaço sagrado com mobiliário original do século 18 e pintura com temas marianos, relativos à iconografia de Nossa Senhora

Um pequeno altar, também em jacarandá, acomodado em cima do arcaz, é atribuído ao Aleijadinho. Também achamos objetos litúrgicos e irmandades religiosas, iconografia religiosa, uma obra do Aleijadinho e uma imagem Nossa Senhora do Pilar.

O Consistório era o local reservado para reuniões da Irmandade. Hoje, há uma exibição de imaginária sacra. Destaque para a imagem São Francisco de Borja, que tem as costas ocas.

Sala da prataria: Desde o início da colonização, a prata ocupa lugar destacado na sociedade brasileira por ser o metal preferido para a ornamentação de casas e igrejas. Mas não existem jazidas de prata no país, o que faz com que ela seja trazida do México, da Espanha e do Peru e trocada no Brasil por tecido, açúcar e também por escravos africanos. A cidade de Salvador é, durante muito tempo, o principal centro brasileiro do comércio de prata, que atinge o seu ápice no século XVII. Uma vez no país, a prata é trabalhada por ourives portugueses e por brasileiros que aprendem o ofício.

Sala de pintura: Quadros sobre a evolução religiosa, com obras de Manuel da Costa Athaíde e de outros artistas dos séculos 17, 18 e 19.

Sala do altar: Uma montagem de um altar exatamente do jeito como é usado na liturgia católica.

Em seu acervo estão as Alfaias, um tecido que é desdobrado sobre o altar durante a cerimônia litúrgica da missa. As alfaias são feitas de linho bordados, tecido especial usado somente no momento da consagração.

Lindas peças do século dezoito estão expostas, incluindo uma alfaia que foi usada, em 1733, na célebre Procissão do Triunfo Eucarístico. Toda bordada em fios de ouro, essa peça traz um ornato, mostrando a estrela de Davi e, ao seu redor, doze rosas, simbolizando as tribos de Israel.

A rivalidade entre as Matrizes de Ouro Preto


Em Minas Gerais a ereção e manutenção das matrizes esteve a cargo das irmandades do Santíssimo Sacramento. A irmandade do Santíssimo deveria conduzir o viático aos enfermos, participar das festividades da semana santa, organizar da procissão de Corpus Christi e, por fim, erigir as igrejas matrizes. Esta última função denota uma certa proeminência desta confraria no cenário colonial, pois a igreja matriz abrigaria o sacramento máximo da liturgia católica, a Hóstia Consagrada.

A mesma importância e a reverência devida ao sacramento da eucaristia era refletida também nos seus templos. O Santíssimo deveria ocupar o altar-mor das igrejas matrizes e, por conseguinte, os sacrários, espaço em que se armazenava a eucaristia, que se revestiam de toda suntuosidade, bem como os objetos necessários ao culto, o cálice e a custódia, que eram, geralmente, feitos de ouro ou prata e algumas das vezes cravejados de pedras preciosas.

A matriz de Nossa Senhora do Pilar do Ouro Preto destacou-se como uma das representantes do poder político e religioso na região da Comarca de Vila Rica e da Capitania de Minas Gerais. Dessa maneira, as celebrações referentes ao nascimento, casamento e às exéquias de membros da Família Real, assim como as posses de Governadores da capitania e as festas promovidas pelo Senado da Câmara, como o Corpus Christi, contavam com a participação da irmandade e dos irmãos do Santíssimo.

Devemos levar em consideração que em Vila Rica havia duas matrizes e, por conseguinte, duas irmandades do Santíssimo. Possivelmente, no período abordado as procissões do Corpus Christi já teriam se unificado, ou seja, as duas irmandades do Santíssimo a da matriz de N.S. da Conceição do Antônio Dias e a de N.S. do Pilar do Ouro Preto estivessem realizando a procissão em alternância.

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Matriz de N.S. da Conceição do Antônio Dias

Ambas buscavam realizar a celebração com todo o decoro e esplendor possível, entretanto, as disputas com relação à celebração da festividade foi alvo de muitos embates entre as irmandades, pois os párocos e a Câmara deveriam garantir que os cortejos do Corpo de Deus fossem realizados da melhor maneira e com maior pompa. A procissão deveria sair da matriz, percorrer o caminho indicado pela Câmara e retornar à matriz. Como havia duas irmandades do Santíssimo na região, havia a dificuldade de que finda a procissão os párocos deveriam ir para as duas matrizes, que eram relativamente distantes, isso acabava por dificultar o encerramento da procissão por parte dos párocos que deviam se deslocar de uma igreja para outra. Somado a isso, as freguesias de N.S. do Pilar e de N.S. da Conceição de Antônio Dias, guardavam certa animosidade desde a fundação de Vila Rica e, além disso, a matriz do Pilar era considerada a matriz oficial em que se realizavam todas as celebrações políticas e religiosas da vila, acirrando assim as disputas entre as duas matrizes.

Matriz de N.S. do Pilar do Ouro Preto

Inicialmente o cortejo deveria sair da matriz e para ela retornar. Como eram duas matrizes, retornar às duas causava um esvaziamento da procissão e comprometia o seu encerramento. Assim sendo, a proposta foi para que a procissão saísse de uma matriz e fosse em direção a  outra, e que se procedesse desta maneira alternando os anos, num ano sairia de uma matriz e no outro da matriz seguinte, assim sucessivamente. Apesar da proposta feita pela irmandade do Santíssimo de N.S. da Conceição, de que se alternassem a saída e o destino da procissão de Corpus Christi entre as duas matrizes em 1732, infelizmente não consta nenhum documento se houve ou não o deferimento da mesma.

A festa de Corpus Christi fazia com que toda a vila se envolvesse na celebração, não só por sua participação obrigatória, mas como um momento religioso e político de grande importância, especialmente por ser um momento em que se demarcam visualmente as fronteiras sociais. Por isso, a participação e os lugares ocupados na procissão foram motivos de muitas querelas como as protagonizadas entre as ordens terceiras e a irmandade do Santíssimo de N.S. do Pilar.

A irmandade do Santíssimo era uma das associações que reunia os homens de maior projeção social da vila. Porem, a partir da década de 1740 os irmãos mais abastados da irmandade comezaram a migrar para as Ordens Terceiras recém fundadas, a de Nossa Senhora do Carmo e a de São Francisco de Assis.

As ordens terceiras foram fundadas após 1740.

 

fonte:

  • http://pilarouropreto.com.br/museu/
  • https://www.mg.gov.br/conteudo/conheca-minas/turismo/museu-de-arte-sacra
  • Fé e distinção: um estudo da dinâmica interna e do perfil de irmãos da Irmandade do Santíssimo Sacramento da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar do Ouro Preto (século XVIII) Monalisa Pavonne Oliveira (1)
  • MUSEU de Arte Sacra de Ouro Preto. Paróquia do Pilar. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural (2)

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