MILONGA PARAKULTURAL: O Salão Canning no bairro de Palermo tem a melhor pista de tango de Buenos Aires

No início, o Centro Parakultural foi um centro artístico multidisciplinar que definiu tendências na cena underground de Buenos Aires. Omar Viola e Horacio Gabin, ambos pioneiros fundadores desse movimento, decidiram fundar a Milonga Parakultural, que passou por diferentes espaços até chegar em 1999 ao elegante Salón Canning da Asociación Helénica de Socorros Mutuos, uma associação de mais de 100 anos que tem sua Sede na Avenida Scalabrini Ortiz, 1331.

O Salón Canning está no coração do bairro de Palermo onde se encontram as melhores opções gastronômicas da cidade. Muitos turistas passeiam e jantam nos chiquérrimos bairros de Palermo Soho ou Palermo Hollywood e depois vem curtir uma tradicional milonga portenha ao Parakultural, é conhecida como a melhor pista de tango de Buenos Aires.

O Movimento artístico Parakultural


O Parakultural foi inaugurado por Omar Viola e Horacio Gabin em um porão que eles alugaram na rua Venezuela 336. Funcionava como sala de ensaio, até que decidiram convidar as pessoas para assistir aos ensaios e depois finalmente acabaram abrindo-o ao público.

O centro cultural tornou-se, em meados da década de 1980 e início de 1990, em um paradigma da cultura underground portenha, era o principal centro de expressão de um movimento artístico que se gestou no final da última ditadura e nos primeiros anos da democracia. O local também serviu para lançar artistas que teriam acesso, já na década de 1990, aos meios de comunicação massivos, e lançariam as bases para uma nova geração de artistas.

Festival punk no Centro Parakultural da Rua Venezuela – 1986

O Parakultural caracterizou-se por oferecer teatro, música ao vivo e as artes plásticas não convencionais da época, destacando principalmente a diversidade de espetáculos oferecidos, desde o teatro underground, ou stand-ups, até bandas de rock independentes como os famosos “Redonditos de Ricota” ou “Todos Tus Muertos”, que gravaram ali seu primer e histórico demo “Noche agitada en el cementerio” (1986).

Milonga Parakultural


As primeiras Milongas do Parakultural aconteceram numa nova sede no início dos anos 1990, no mítico Parakultural da rua Chacabuco 1072 no bairro de San Telmo, onde a milonga dividia espaço com o submundo teatral e musical. Novos artistas se juntam aqui, como Alfredo Casero, Carlos Belloso, Diego Capusotto, Mex Urtizberea, Marcelo Mazzarello, Mariana Briski e Valeria Bertuccelli.

Num contexto cultural de tango e expressões algo relegadas, um variado grupo de jovens e professores experientes começou a reunir-se para dançar e partilhar. Dançarinos como Graciela González, Tete Rusconi, Natalia Games e Gabriel Angió, Fabián Salas ou Julio Balmaceda entre muitos outros e músicos incipientes como Los Cosos de al Lao, Color Tango, Bien Frappe e a Sección Vermuth continuaram a semear as sementes do encontro milonguero.

Em 1995, as reclamações dos vizinhos, da polícia e o fato de muitos daqueles atores já terem alcançado a fama nos médios massivos de comunicação (TV e teatro), desencadearam o fechamento definitivo daquele local parakultural.

Muitos dos melhores dançarinos da cidade dizem que os pisos de madeira lisos de Salón Canning realçam cada movimento sensual do tango

Antes do fechamento definitivo do local Chacabuco, Omar Viola e Horacio Gabin haviam consolidado a presença do tango através da Milonga del Parakultural. Foi assim que após o fechamento deste local continuaram com a ideia da marca Parakultural mas, esta vez, voltados exclusivamente para o mundo milonguero.

Após o fechamento da sede na rua Chacabuco, a Milonga Parakultural percorreu vários espaços, como a praça da estação Garibaldi em La Boca, onde vizinhos e milongueiros tinham seu ponto de encontro. Em 1998, no âmbito da Milonga Parakultural, foi inaugurada no bairro de Almagro a milonga La Catedral do Tango, num prédio datado de 1880, construído para abrigar originalmente um armazém de grão.

A milonga acontecia aqui todas as terças-feiras até o ano de 2004. Aquelas terças-feiras à noite que também incluíam música ao vivo, exposições de dança e até números de teatro continuam até hoje. Durante esses anos, um movimento de pessoas apaixonadas pela dança continuou a se consolidar na cena do tango, as chamadas Milongas, o que começou a somar novos adeptos por toda a cidade, assim novas milongas; estúdios de dança; festivais começaram a surgir.

Salão Canning


Em 1999, através de Natalia Games e Gabriel Angió, a Milonga Parakultural chega ao Salão Canning de la Asociación Helénica de Socorros Mutuos, uma associação de mais de 100 anos que tem sua sede na avenida Scalabrini Ortiz 1331, no turístico bairro de Palermo.

O Salão Canning já hospedava milongas desde os anos 70, mas desde que a Milonga Parakultural fez desse espaço sua casa, ela cresceu exponencialmente até se tornar um dos templos indiscutíveis do tango em Buenos Aires. Primeiro às segundas-feiras, depois às sextas e terças-feiras, a Milonga Parakultural em Canning tornou-se “uma referência” no circuito milonguero para locais e estrangeiros.

Três longas filas de mesas duplas circundam a circunferência do salão de baile para que os dançarinos possam andar pela passagem estreita e pular para dentro e para fora da pista. Reservar uma mesa garantirá a você um lugar de privilegio.

A pista parakultural é conhecida como a melhor pista de dança de Buenos Aires. Todos os grandes bailarinos contemporâneos do gênero já fizeram apresentações nele

Se você não está confiante em suas habilidades, não se preocupe: a milonga se abre para espectadores curiosos que simplesmente querem curtir desde a mesa uma bebida e assistir os profissionais.

Os bailarinos são os protagonistas do encontro milonguero, seus abraços, sua improvisação na pista são a essência da noite. A milonga também recebe ótimos professores que ministram aulas. Milena Plebs, Osvaldo Zotto, Lorena Ermocida. Miguel Angel Zotto, Carlos Copello, Julio Balmaceda, Gustavo Naveira, Tete Rusconi, Pupy Castello, Graciela Gonzalez, Mariano «Chicho» Frumboli, El Gallego Manolo e Martha Antón, El Chino Perico, El Flaco Dany, Joanna Copes, são apenas alguns dos os milhares de dançarinos que passaram pelo pisto do parakultural.

A música ao vivo é outro elemento que constitui a personalidade do Parakultural. Embora as gravações das orquestras típicas sejam uma fonte inesgotável de inspiração na hora de dançar, a experiência de dançar com uma orquestra ao vivo é incomparável. A vibração do bandoneon, do piano e das cordas a centímetros da pista dão ao encontro da dança um toque mágico.

Color Tango, La Juan D’arienzo, Ariel Ardit, Sans Souci, Los Cosos De Al Lao, La Pichuco, La Romántica Milonguera, Misteriosa Buenos Aires, Típica Tanturi, Sexteto Milonguero, La Villa Urquiza, Los Reyes Del Tango, Tango Bardo, Sexteto Visceral, são algumas das orquestras que tocaram e continuam a tocar no Parakultural.

O Documental – Parakultural 1986-1990


https://youtu.be/G80FTpX6ux4

Natalia Villegas é a realizadora do documental Parakultural 1986-1990, nele se conta a historia dos primeiros quatro anos de este movimento artístico que incentivou a cena artística do underground de Buenos Aires.

As Performances foram mais uma das características que teve o under dos anos 80, onde muitas vezes se eliminava a barreira que existia entre o público e o artista, onde muitas vezes eles subiam ao palco ou os atores ou músicos se misturavam com o artistas assistentes.

“O intercâmbio cultural que existia na Parakultural foi muito grande porque, por exemplo, as pessoas que iam ao teatro descobriram, ali mesmo, que depois da peça teatral continuavam a tocar os Los Redondos de Ricota e tudo mundo ficava para ver o concerto. Assim, acabavam dividindo a noite com roqueiros ou punks e ao mesmo tempo que isso acontecia, do outro lado você poderia ter o professor Pérez Céliz pintando um quadro. Foi uma enorme conjunção de artistas de diferentes expressões que foram muito enriquecedores para o público”, diz Natalia.

Omar Viola e Horacio Gabin

Natalia destaca a imporatancia de Omar Viola, fundador deste movimento, na conformação do novo espaço cultural: “Omar Viola foi uma pessoa muito importante para todos os artistas da época. E não sei se ele está muito ciente disso. E continua igual, porque na verdade, sem nos conhecermos, ele abriu a porta para mim, sabendo que ia fazer a minha estreia, neste caso do cinema. Por isso tenho certeza que Omar é uma pessoa muito importante para a cultura de Buenos Aires e também acredito que talvez deva ser um pouco mais valorizado”.

Omar Viola e Horácio Gabin também atuaram ali porque eram atores também. Então o público que compareceu ao Parakultural sempre os viu no local. Por outro lado, eram dois caras que tinham uma relação muito boa com os artistas e com as pessoas que iam àquele porão maravilhoso. A poucas quadras ficava a boite Cemento, onde Omar Chabán repetia a mesma lógica, para o qual se montou um circuito para que todos os que quisessem novidades e contracultura o encontrassem naqueles dois lugares que já são mitos da cultura portenha dos anos 90, diz Natalia.

 

fonte:

  • http://www.parakultural.com.ar/
  • https://turismo.buenosaires.gob.ar/es/article/milongas
  • https://www.buenosaires.gob.ar/bamilonga
  • https://www.agenciapacourondo.com.ar/cultura/natalia-villegas-nos-propusimos-que-toda-la-gente-que-vea-el-documental-sienta-que-esta

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