MILONGA “LA VIRUTA”: Há 25 anos, a Milonga de Palermo que nasceu num porão

No porão do Centro Cultural Armênio, La Viruta é um bom lugar para conhecer a tradição do Tango Argentino. Trata-se de uma das milongas mais animadas de Buenos Aires, onde o público mais jovem se junta com os mais experientes para dançar. Um ambiente bem descontraído e com um grande salão. Está localizado na Calle Armenia, 1366, no bairro Palermo Soho.

Aulas de tango de vários níveis são realizadas todas as noites, exceto segundas e terças-feiras. De quarta a domingo há uma milonga (festa dançante) que começa por volta da meia-noite e vai até altas horas da madrugada.

O Porão de Palermo onde o Tango vibra ate altas horas da madrugada


O lugar em si não se parece em nada com uma milonga típica de Buenos Aires: fica no porão do Centro Cultural Armênio, é escuro, com tetos bem baixos e um tanto casual.

As aulas começam por volta das 18 horas e vão até meia-noite, quando começa a milonga. Mas o verdadeiro La Viruta não começa antes das 2 ou 3 da manhã, quando os verdadeiros milongueiros começam a chegar. La Viruta é quase como um símbolo de uma milonga after party: os melhores dançarinos costumam dançar em outro lugar e vêm aqui para uma milonga after. Também tem gente que não vai a outro lugar, dorme bem antes e vem a La Viruta para ficar até de manhã.

O momento mais agradável em La Viruta são as horas a partir das 3 da manhã, quando só ficam os melhores dançarinos, a música é excelente e a partir das 5 da manhã até servem café da manhã, então você pode pegar medialunas fresquinhas e café.

A música também difere de um dia para o outro, no sábado há um estilo clássico de tocar música com sistema TTVTTM (duas passadas de tango, uma de valses, duas de tango e uma de milongas). Todas têm quatro canções. As cortinas musicais entre uma e outra servem para todo mundo dar uma pausa e depois voltar para pista, mas desta vez, com uma companheira diferente.

A música dominical é diferente: tem quase que exclusivamente tango, talvez um pouco de valses a cada duas horas e praticamente nenhuma milonga. A maior parte da música vem basicamente das quatro grandes orquestras; Pugliese, Troilo , Di Sarli e D’Arienzo.

Os fundadores da Milonga “La Viruta”


Depois de um tour pelo Canadá, Cecilia Troncoso e Luis Solanas, que na época eram um casal de dança e davam aulas de tango, decidiram abrir sua própria milonga no Clube Aragonês da Rua Oro. Já então, Horacio Godoy organizava milongas nas terças-feiras no mítico Clube Almagro e por causa dessas coisas da vida, em 1996, os três se juntaram para inaugurar um baile de verão no clube Estrella de Maldonado. A experiência foi tão bela que decidiram continuar naquele inverno. Foi assim que em maio de 1997 eles transferiram a proposta para a Associação Cultural Armênia, onde funciona até hoje a famosa Milonga “La Viruta”.

“O primeiro dia virutero foi quarta-feira. Em seguida, adicionamos sábado, sexta, quinta e domingo. Atualmente os mais jovens se reúnem às quartas-feiras e domingos após as aulas; às sextas e sábados vem um público mais heterogêneo, os que estão começando a dançar, os que querem conhecer uma milonga, os que vêm comemorar alguma data”, completa Cecília.

Além de convocar jovens, La Viruta é um ponto de encontro de veteranos do círculo milonguero. “Eu incluo as pessoas e as convido a aprender a dançar tango sem vergonha nem pudor. Todos os dias há um casal de professores para iniciantes e mais 4 níveis para eles melhorarem, além de aulas de milonga, rock and roll, salsa e bachata. Mas, fundamentalmente, buscamos preservar as tradições da milonga incluindo todos. Quando começamos a dançar vestíamos roupas elegantes, mas a La Viruta relaxou isso e permitiu que os jovens se identificassem ao encontrar um lugar de pertencimento onde pudessem se divertir sem que ninguém os “desafiasse” ou fizesse sentir que estavam de fora. Sempre tivemos o apoio dos antigos milongueiros, que são a essência de tudo isso. Sem eles não há milonga”, diz Horacio Godoy.

Muita água correu sob a ponte ao longo desses anos. Da crise de 2001 até o efeito pós-Cromagnon (incêndio numa balada na Praça Once), quando o governo de Buenos Aires proibiu e interditou muitos locais e os organizadores tiveram que trabalhar de mãos dadas com os legisladores para obter uma autorização especial.

Horacio Godoy e Cecilia Troncoso

Horacio Godoy não é apenas irmão de Mora Godoy, uma das dançarinas de tango mais renomadas do mundo, mas também um empresário de tango persistente e bem-sucedido que, com sua parceira Cecilia Troncoso, dançarina e coreógrafa, apoiam uma das milongas animadas em Buenos Aires.

Por outro lado, ele viaja há muito tempo pelo mundo ensinando cursos de tango. Ele se define simplesmente como “tanguero-milonguero”, termo que identifica o dançarino popular não profissional. É neste quadro que desenvolveu um estilo próprio, muito extrovertido e muito pessoal, nos ritmos de milonga em particular. “Não me considero um dançarino profissional, fala com modéstia, porque só danço os tangos de que gosto”, diz Horácio.

O 2020 foi um ano particular para todos os amantes do tango. Horácio nos conta como se desenrolou durante os meses da pandemia: “Dou cursos online sobre orquestras dos anos 40 e musicalidade. Tenho um grupo muito grande aos domingos e vários grupos de oito pessoas na semana, divididos por fusos horários da América, Ásia e Europa … com meu inglês básico. Aos domingos, é em espanhol. Ouvimos pequenos fragmentos de todas as orquestras. Você não dança nesses cursos, mas apenas no sentido de como a música afeta a dança”, diz Horácio. É para abrir seus ouvidos e fazer você entender o que está sendo interpretado quando você dança. Não se trata de interpretar a nós mesmos, mas a música. Para isso existiram os grandes compositores, letristas e as extraordinárias orquestras de tango.

Em março de 2016, La Viruta se dividiu em duas partes, o que na verdade significa que na quarta, quinta, sexta e domingo há uma milonga organizada pelo La Viruta Tango Club de Horacio e Cecilia e na segunda, terça e sábado La Viruta Tango de Solanas.

Aulas de Tango


La Viruta oferece aulas coletivas e particulares de tango, salsa, milonga e rock, com professores bilíngues de grande experiência. Nas  quartas, quintas, sextas e domingos, as aulas permitem aprender a dança desde os primeiros passos para quem está começando, interagir com outras pessoas e aprimorá-la para quem já se aventurou.

Uma característica distintiva de La Viruta é a diversidade em termos de idade, nacionalidade e estilo de dança, entre outras coisas. No térreo do edifício, na sala de exposição de artes acontecem as aulas para os mais experimentados.

O público é muito variado, argentino e estrangeiro, todos perfeitamente integrados. Não é necessário ir em casal, ter experiência ou se inscrever com antecedência. Aqui você aprende a dançar enquanto se diverte em um ambiente descontraído e alegre.

Associação Cultural Armênia


A Associação Cultural Armênia começa com os refugiados do genocídio armênio chegando a Buenos Aires. No início, os locais de reunião eram rotativos. Nos anos sessenta foi instalada no Bar Viejo Agump onde se realizaram as primeiras reuniões dos fundadores desta instituição.

Atualmente vive em nosso país a maior população de armênios da América Latina, ela é a terceira do mundo. Mais de 100.000 armênios residem na Capital Federal. A concentração mais importante de instituições armênias na Argentina está localizada no bairro de Palermo, em Buenos Aires. Na última década, este bairro vem se fortalecendo como um polo gastronômico, cultural, comercial e turístico, disparando a valorização de suas terras.

Na rua Armênia, neste bairro de Buenos Aires, estão o Centro Armênio da República Argentina, a Catedral de San Gregorio el Illuminador, o Arcebispado da Igreja Apostólica Armênia, a Instituição Administrativa da Igreja Armênia, a Associação Cultural Armênia, a Associação Cultural Tekeyan, a Union General Armenia de Beneficência e a Unión Compatriótica Armenia de Marash, bem como a Praça Imigrantes de Armenia e o Conselho Nacional Armênio, que desempenharam um papel indispensável no reconhecimento do Genocídio Armênio na Argentina por meio da Lei 26.199.

 

fonte:

  • https://lavirutatangoclub.com/
  • https://www.clarin.com
  • https://tangodjalenka.eu/la-viruta-tango-buenos-aires/

 

 

 

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