MILONGA FLOREAL: Os clubes de bairro que procuram resgatar o espírito das antigas Milongas

Floreal Milonga e a Milonga del Morán são eventos que se apresentam em clubes de bairro e que procuram resgatar o espírito das antigas Milongas (danças) de bairro. Ambas as milongas são organizadas por Lucila Bardach e Marcelo Lavergata, professores de tango, e Mariano Romero, que também é DJ das milongas.

Floreal Milonga está localizado na rua Cesar Díaz 2453, no bairro Villa General Mitre, e o segundo está localizado na rua Pedro Morán 2446, no bairro Agronomía.

Floreal Milonga


Embora muitos considerem essas milongas “novas”, por terem sido inauguradas recentemente, cabe destacar que já nas famosas décadas de 40 e 50 eram organizados bailes de tango nesses clubes. Refere-se á Milonga del Morán, que funciona desde 2009 no Club Social y Deportivo Morán; e a Milonga el Floreal, realizada desde 2011 no Club Ciencia y Labor.

É importante destacar que, ao contrário das milongas de Villa Urquiza: Sin Rumbo e Sunderland, que desde as décadas de 1980 e 1990 organizam bailes de tango. La Floreal e Moran foram reativadas, pelo menos definitivamente, há poucos anos.

O tango é o protagonista e os milongueiros de todas as idades compartilham a mesma paixão dança após dança. A Milonga del Morán é organizada um sábado por mês na quadra coberta do mítico Clube Morán no bairro de Agronomia e sempre conta com a atuação de orquestras para dançar com música ao vivo e shows de dança de primeira linha.

O Floreal Milonga acontece todos os domingos, a partir das 21h30, após a aula das 20h, no salão de festas do Clube Ciencia y Labor de Villa Mitre. Em ambas as milongas sempre há aulas ou seminários especiais antes do início do baile. O Floreal Milonga também tem a particularidade de ter deliciosos pratos caseiros.

“Abrimos o Floreal Milonga pela impossibilidade de mais um dia no clube Morán”, explica Mariano Romero, que também é DJ das duas milongas. “Saímos à procura de outro clube para fazer milonga aos domingos.”

O resultado fez tanto sucesso quanto o Morán: uma milonga de bairro, com o espírito das danças das décadas de 1940 ou 1950, que reúne a vizinhos e milongueiros de outras partes da cidade.

“La Milonga del Morán e Floreal Milonga são muito diferentes na minha opinião”, esclarece. “Morán é uma grande milonga, onde sim ou sim sempre há espetáculos de artistas, orquestras ao vivo e show de bailarinos. Floreal, por ser menor, tem uma estética mais intimista, tem gastronomia caseira e também sempre há shows”.

Além disso, no Floreal, outra atividade que costumam desenvolver são os concursos de dança em que o público vota, prática que também se inspira nas modalidades de avaliação utilizadas nos concursos das décadas de 1940 e 1950.

Milonga del Morán

Quanto ao espaço físico, A Milonga del Moran funciona nas instalações de um amplo pátio coberto, que normalmente é utilizado como campo de futebol de salão, e que por sua vez possui um pequeno palco, enquanto a Milonga El Floreal ocorre dentro de uma sala de tamanho médio que o clube possui no primeiro andar.

Apesar de essas milongas terem algumas semelhanças com as milongas Villa Urquiza, o fato de serem organizadas por “jovens milongueiros” implica em algumas novidades e diferenças em relação às anteriores.

Floreal Milonga

Aqui não há joias, nem gel de cabelo, nem vestidos de lantejoulas ou lenços no bolso do terno, nem gravata combinando com a roupa da senhora, nem bolsas brilhantes ou sapatos de charol. Aqui tem famílias, tem crianças, tem vizinhos do bairro, tem pizza e cerveja, até tem velhos que dormem nas cadeiras.

Ao contrário do clima mais solene e “elegante” que caracteriza as milongas de Villa Urquiza, onde os povos e grupos mais consagrados e antigos, que ocupam cargos de prestígio e poder, estão atentos ao respeito pelos “códigos do milonga”, tanto o Morán como o Floreal aspiram a ser eventos populares mais abertos e inclusivos, apelando para isso não só ao reconhecimento dos “velhos milongueiros”, mas também ao incentivo à participação de novas gerações e à adesão dos vizinhos. De alguma forma, pode-se afirmar que, por se tratarem de ambientes sociais de formação mais recente, os laços e dinâmicas de interação que organizam essas milongas obedecem menos ao princípio da permanência e da antiguidade que costuma prevalecer em outras milongas tradicionais da região.

Mas embora sejam lugares menos conhecidos e reconhecidos dentro do mundo dos milongueiros, essas novas casas de dança em seus poucos anos de existência vêm adquirindo um importante poder de convocação, ampliando assim o mapa das milongas que acontecem nos clubes de bairro. O carnaval é outro momento que distingue o bairro onde comparecem as famosas “Murgas” barriales, cheias de cores, música e alegría.

Os padrões de comportamento podem ser considerados mais “descontraídos”, tipo que rompem com certos “códigos” estabelecidos. Nesse sentido, notamos que são locais onde pessoas com origens, reputações e idades diferentes interagem com base em um menor grau de formalidade no trato. Assim, o uso de roupas “elegantes” coexiste como vestimentas informais. Diferentes estilos e níveis de dança também são observados, então há aqueles que cultivam uma dança mais experiente e profissional junto com outros que estão apenas começando a dançar; bem como a presença de pessoas dançando do mesmo sexo não causa transtornos, como poderia acontecer em outras milongas tradicionais.

De alguma forma, essas mudanças emergentes são motorizadas não apenas pelo aparecimento de novos participantes que frequentam a milonga, mas também pela renovação geracional das pessoas que atuam como organizadores desses eventos em esse típico clube de bairro.

Em suma, o crescimento e a renovação nos últimos anos do número de pessoas que dançam tango nesses locais, desde a chegada de gerações de idade intermediária que antes não o faziam, junto com o aumento de jovens e o aparecimento de novos organizadores de milongas, parece estar reconfigurando as práticas, os sentidos e as relações de poder que acontecem em toda milonga.

A Milonga Floreal também acontece ao ar livre


Há algum tempo atrás a Milonga del Floreal se instalou no bairro de Núñez, proporcionando uma singularidade que a distingue de todas as demais: A Milonga acontece ao ar livre.

Os organizadores do Floreal Milonga, Mariano Romero, Lucila Bardach e Marcelo Lavergata continuam a recriar as milongas pelos bairros de Buenos Aires por meio de propostas bem inovadoras.

O local escolhido foi o Clube Ciudad de Buenos Aires, apelidado de “Muni”, é um clube privado para fins esportivos localizado no bairro de Núñez, a poucas quadras do estádio River Plate. Os esportes que se destacam são o hóquei, o rugby, o tênis e o voleibol.

O clube abriga importantes festivais (Beldent Random Music Fest, Personal Fest) e shows internacionais (Depeche Mode, Deep Purple, Katy Perry), com capacidade para 30 mil pessoas.

Já o publico das Milongas é bem mais modesto, eles se reúnem neste campo de hóquei para viver a dança do tango num bairro que nao tem tantas  opcoes pra curtir milongas. Como o evento transcorre ao ar livre … claro, em caso de chuva, se suspende … Por outra parte os fumantes agradecidos, gostam muito de esta milonga.

 

fonte:

  • Milongas barriales en la ciudad de Buenos Aires: sentidos de lugar, sociabilidad y tradiciones – Hernán Morel (1)
  • https://www.clarin.com/
  • https://www.barriada.com.ar/

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