MERCADOS de BUENOS AIRES: O Mercado del Progreso no bairro de Caballito, mais de 130 de história

O Mercado del Progreso é um mercado gastronômico histórico localizado no coração do bairro de Caballito. É um dos poucos mercados sobreviventes em Buenos Aires que mantém sua função desde suas origens, há mais de 130 anos. Está localizado no cruzamento da Avenida Rivadavia com a Del Barco Centenera, em frente à Praça de Primera Junta e a uma quadra da estação de trem Caballito da linha Sarmiento.

Foi inaugurado em novembro de 1889, no seu início foi povoado por imigrantes, e abastecia principalmente os bairros de Almagro, Caballito e Flores. Em 2001, foi declarado local de interesse cultural pelo Governo da Cidade de Buenos Aires.

Os Mercados de Buenos Aires


Em Buenos Aires, os mercados saíram das ruas e praças para os locais fechados na segunda metade do século 19, junto com o crescimento das cidades e o reconhecimento da necessidade de políticas de higiene e saneamento. Trinta e seis mercados foram construídos em diferentes partes entre 1856 e os primeiros anos do século XX no marco da chegada das ondas de imigrantes e da mudança da antiga forma de venda direta do produtor para o comprador.

Mercados como o famoso Mercado del Progreso foram pontos de referência na consolidação dos bairros. Localizado no bairro de Caballito é considerado como um dos grandes mercados sobreviventes que ate o dia de hoje funciona com mais de 130 anos de história.

A trajetória diferenciada dos mercados de Buenos Aires foi marcada pelo impacto das políticas econômicas das décadas de 1980 e 1990: os mercados de frutas e verduras (Casa Amarilla, Abasto, Spinetto e Saldías) fecharam suas portas a partir da Lei 19.227 de 1984, que criou a Corporação do Mercado Central e limitou a presença dos centros de distribuição em um raio de 60 km fora da cidade.

O novo Mercado Central, localizado na área metropolitana de Tapiales, entrou em pleno funcionamento em 15 de outubro de 1984. Ele abastece à Cidade Autónoma de Buenos Aires e ao Grande Buenos Aires, donde vivem aproximadamente 14 milhões de personas.

Nos anos noventa, as políticas neoliberais desregulamentaram o setor e algumas reabriram, mas transformaram-se em centros comerciais com supermercado incluído. O Mercado del Abasto, inaugurado em 1893 e reconstruído em 1934 como o maior da América do Sul, é um dos casos mais emblemáticos. Atualmente funciona ali o chamado Shopping Spinetto ou Shopping del Abasto.

Segundo o livro “Mercados de Buenos Aires” (das arquitetas Graciela Aguilar e Mónica Sanjurjo e do historiador Leonel Contreras, Olmo Ediciones, 2014) … mais de 110 mercados foram fechados em Buenos Aires, 64 foram transformados, pelo menos 13 foram abandonados e cerca de 20 estão atualmente em operação.

História do Mercado del Progreso


Em 1887, o então presidente Miguel Juárez Celman, encomendou à Sociedad de Progesso de Caballito, empresa responsável pelo desenvolvimento e modernização do bairro, uma estrutura moderna e funcional ao estilo dos mercados parisienses da época. No sábado, 9 de novembro de 1889, foi anunciada a criação do Mercado del Progreso que era frequentado por trabalhadores imigrantes e abastecia principalmente os bairros de Almagro, Caballito e Flores.

O “Mercado del Progreso” está localizado no bairro Caballito, nas ruas Rivadavia e Del Barco Centenera

Em 19 de outubro de 1893, a assembleia de acionistas da Sociedad del Progreso de Caballito resolveu dissolver a empresa. Passaram então à distribuição dos bens, resultando no acionista Juan Spinetto como dono total do mercado. As estruturas de ferro com as quais o mercado foi construído foram trazidas da Inglaterra, com dinheiro dos irmãos Spinetto, antes de eles abrirem seu mercado homônimo no bairro del Abasto, hoje em dia convertido em um shopping center.

Don Juan Spinetto era o dono de numerosas terras no bairro de Caballito, ele mandou construir numerosas casas para trabalhadores e famílias, incentivou o desenvolvimento comercial, o estabelecimento de indústrias, zelando incansavelmente pelo desenvolvimento geral do bairro em formação.

Mas um ano depois, em 1894, o mercado pertencia a Don Santiago Cangallo, que o reabriu em 13 de janeiro após uma série de reformas, no dia 13 de janeiro daquele ano, Dom Santiago Cangallo anunciou que nessa sexta-feira ofereceria carne a famílias carentes, ato que ficou na memória dos vizinhos.

Assim como o Mercado de San Telmo e respondendo à arquitetura do final do século XIX, o Mercado del Progreso foi construído em estilo industrial classicista onde o uso do metal permitia grandes espaços livres que sustentavam a cobertura com colunas de ferro fino.

O espaço central era aberto e os locais eram cobertos com toldos para cobrir as mercadorias. Os materiais com que foi construído o mercado foram o ferro, tijolo e mármore, sendo a disposição da sua estrutura e a sua orientação perfeitas, fazendo com que as condições de ventilação e limpeza o tornassem um dos mercados mais higiénicos de sua época.

O pavilhão central foi reservado exclusivamente para a venda de carne. Totalmente livre, possuía uma excelente ventilação direta, sem paredes que impedissem a circulação do ar, sendo à noite os locais fechados com placas de ferro. Numa das galerias laterais onde existiam amplas mesas de mármore com fontes de água, vendiam-se exclusivamente peixes. O resto das galerias foi arranjado para a venda de vegetais e frutas. No total, eram 53 locais.

Em 2010, o Legislativo de Buenos Aires aprovou a Lei 3.536, que estabelece ao Mercado de Progresso como um edifício único com proteção estruturalTambém, como em San Telmo, a feira de Caballito tinha uma via interna por onde, em outros tempos, entravam os carros de abastecimento. Na década de 1920 a passagem Coronda foi incorporada como uma rua de serviço interna, onde as câmaras frigoríficas foram instaladas.

Originalmente o mercado consistia em dois níveis, sendo o rés-do-chão o espaço comercial, um pavilhão central com quatro naves e duas galerias laterais e 1200m² de habitações de vivenda no piso superior.

O mercado caiu logo depois nas mãos de um único dono, até que em 1957 sofreu uma crise, que resultou em um acordo entre a família proprietária e os feirantes inquilinos, por meio do qual eles formam uma sociedade anônima e adquiram o imóvel, para se encarregar de sua exploração comercial até os dias de hoje.

A arquitetura do complexo atendia ao estilo presente na Europa em termos de mercados populares. A fachada, inicialmente protegida por placas de metal, entre o final da década de 1920 e o início da década de 1930, foi reformada de acordo com os cânones do estilo art déco industrial, embora os elementos classicistas da fachada que dão para a rua Centenera foram mantidos.

A fachada da rua Barco Centenera, possui elementos da arquitetura clássica, com 3 pares de colunas caneladas sem capitéis, localizadas simetricamente entre 2 pares de janelas.

Naquela época o relógio e o nome do mercado em letras que remetiam ao estilo art déco foram incorporados à fachada que dá Rivadavia, estética que  combina perfeitamente com o arco de cimento e ferro que circundava a entrada da vizinha estação de trem “Primera Junta”.

O mercado fica perto da estação do metrô pertencente a Linha A inaugurada em 1913, a primeira linha de metro em toda América Latina

Posteriormente em 1957, o mercado estava nas mãos de três sócios. Eles queriam vender todo e construir torres aqui. Mas um grupo de locadores se opuseram: ‘Isso é nosso e vamos permanecer’, diziam. Os donos fixaram um preço não muito acessível, mas no início de 1958 o mercado foi comprado. A partir desse ano, foi constituída a atual sociedade anônima, que detém o mercado e está formada pelos próprios comerciantes.

Assim, o bairro foi fiel ao mercado e o mercado sobreviveu. Grandes tentações surgiram na década de 1990. “Os grandes hipermercados nos ofereceram milhões de dólares”, diz um açougueiro do mercado, “mas o dinheiro não te faz feliz, o que te faz feliz é acordar cedo, ir para o trabalho, sentir boa saúde. A questão sentimental não tem nada a ver com o econômico. Hoje meus filhos trabalham no meu açougue e a história continua assim. E o cara que vende frango lá, é o tataraneto do dono original”, diz ele, apontando para um corredor do pavilhão central.

Art Deco


No final de 1920, o arquiteto Remo Bianchedi foi contratado para reformar o espaço interno do Mercado e modificar a linguagem arquitetônica da fachada, que foi ornamentada com o uso de elementos Art Déco.

A decoração da fachada da Av. Rivadavia foi feita apenas com linhas paralelas e equilibradas, às quais se juntou um relógio e a tipografia do mercado, formando uma arquitetura simples, serena e geométrica.

As aberturas do rés-do-chão determinavam a localização de cada negócio, enquanto as do primeiro piso adquiriam uma posição determinada pelas regras de composição e não pelas necessidades internas.

O mercado hoje


Atualmente, o edifício mantém em grande parte o seu aspecto histórico, uma vez que as modificações arquitetônicas introduzidas pelos diferentes proprietários não alteraram substancialmente a estrutura original do mercado. São 17 comércios de rua e 174 barracas internas espalhadas por 3.600 m², o que é três vezes a superfície de 115 anos atrás.

O mercado hoje é uma das grandes referências da cidade na área gastronômica. Muitos chefs de renomeados bares e restaurantes de Buenos Aires, visitam o mercado semanalmente para estocar uma grande variedade de produtos de qualidade selecionados. O atendimento é personalizado, pois a maioria dos locais que lá existem são atendidos pelos próprios donos, muitos deles foram passados ​​de geração em geração, sendo muitos deles netos e bisnetos dos pioneiros.

Declarado local de interesse cultural em 2001 pela Prefeitura de Buenos Aires

Os produtos que podem ser obtidos no mercado são frutas, legumes e verduras nacionais ou importadas, todos os tipos de carnes e mariscos, destacando-se o “bollito misto” , uma versão livre do guisado argentino chamado “puchero”e o “codeguín”, uma linguiça do norte da Itália, comumente consumida com polenta.

Hoje são cerca de 60 barracas entre açougues, franguearia, peixarias, verdulerías, fruterías, fiambrerías e muitos outros rubros. Em um sábado movimentado, entre 10h e 14h, cerca de 2.500 pessoas desfilam pelo mercado. Aí tem outros dias não tão bons, mas aquele coração do mercado que são as barracas, não param. Mais de 250 pessoas trabalham no mercado.

Restauração do Mercado Progreso


A obra esteve a cargo do Ministério do Espaço Público e Higiene Urbana, que destacou a fachada que se encontrava degradada, parte do interior do mercado e a renovação completa da iluminação exterior. Assim, o Mercado Progreso retorna à sua fachada original, 130 anos após sua inauguração.

A Prefeitura optou por trabalhar em suas fachadas pelo alto valor urbano, arquitetônico, histórico-cultural e patrimonial

O trabalho realizado consistiu na limpeza da fachada do edifício até atingir a tonalidade original. O material pétreo foi substituído e os pré-moldados existentes foram recuperados. Além disso, o cartaz principal foi intervindo para mostrar as linhas refinadas e suas letras art déco. A tinta azul das letras também foi removida para restaurar a cor original e foi instalada uma nova iluminação tipo LED, junto com a renovação da fiação da área.

Em referência ao interior do mercado, procedeu-se a uma reorganização do espaço comercial e foram unificados os critérios arquitetônicos do mesmo, o que permitiu valorizar a estética de todo o espaço interno. Além disso, a carpintaria de madeira das instalações comerciais foi restaurada.

Em 1970 a fachada foi revestida e em 2000 a sua fachada recuperou o antigo estilo Art Déco dos anos ’30. A empresa HIT ganhou o concurso para a obra de valorização do mercado, com um investimento de 20 milhões de pesos.

A obra não termina na frente do prédio. “Trabalhamos na área comercial na ordenação das instalações: colocamos nova carpintaria, unificamos as alturas, deslocamos as cortinas para dentro, entre outras tarefas. Foi uma tarefa enorme porque trabalhamos com o mercado aberto”, acrescentaram da equipa de especialistas. “Fechamos aberturas, retiramos equipamentos fora de uso. Removemos instalações dos beirais que se projetam cerca de 1,5 metros no primeiro andar para consolidá-lo”, concluíram.

Em 2001 o Mercado foi declarado de interesse cultural pelo Governo de Buenos Aires, devido à atividade comercial, a oferta gastronômica e as propostas artísticas, entre elas, shows de tango.

A comissão diretora do Mercado Del Progreso organiza festas comemorativas todo dia 9 de novembro (data da inauguração da feira). Eles convidam músicos renomados, cozinheiros de TV renomados, funcionários municipais, membros de organizações de bairro, comemorando mais de um século de existência mantendo a mesma essência de sues origens.

 

fonte:

  • https://www.mercadodelprogreso.com/index.php?lan=1&sec=1
  • https://www.clarin.com/ciudades/restauracion-mercado-progreso-caballito-rescate-herencia-art-deco_0_D3klv39sE.html
  • https://www.buenosaires.gob.ar/espaciopublicoehigieneurbana/noticias/la-ciudad-renueva-la-fachada-del-mercado-del-progreso
  • https://www.lanacion.com.ar/sociedad/mercado-del-progreso-un-emblema-de-caballito-que-resistio-todas-las-crisis-nid2218231/

 

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