MALBA – Parte I: Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires

Um dos museus mais populares da cidade de Buenos Aires, o Malba possui um dos mais importantes acervos da arte latino-americana. Além do patrimônio permanente, exposições temporárias importantíssimas passam por ele. Por isso, é um espaço cultural dinâmico e participativo, numa estrutura arquitetônica moderna, localizado no bairro de Palermo.

Entre os destaques estão a arte dos argentinos Xul Solar e Antonio Berni, o chileno Roberto Matta, o auto-retrato de Frida Kahlo, o muito famoso Abaporu, de Tarsila do Amaral, e instalações inovadoras de Julio Le Parc.

A Coleção de Arte de Eduardo Costantini


Eduardo Costantini

A Coleção Costantini esteve aberta desde 1990 a especialistas do âmbito local e internacional, e muitas de suas obras foram emprestadas para exposições que ocorreram em diversos países da América e Europa. No ano 1996, o conjunto se apresentou pela primeira vez ao público em geral, no âmbito do Museu Nacional de Bellas Artes, apresentação que se repetiria mais tarde no Museu Nacional de Artes Visuais de Montevidéu.

A criação do Malba sofreu uma série de dores de parto. Para começar, a obra foi premiada após a convocação de um Concurso Internacional de Projetos durante a 10ª Bienal Internacional de Arquitetura de Buenos Aires em 1997. Tudo foi organizado por Jorge Glusberg quando ele era diretor do Museu Nacional de Belas Artes e sua ideia era que Eduardo Costantini, o diretor do Museu, teve o melhor projeto possível para acolher sua coleçao.

O MALBA é um espaço destinado a coleção, conservação, estudo e difusão da arte latino-americano desde princípios do século XX até a atualidade

Os fins do ano 1998, com a aquisição de um terreno sobre na Avenida Figueroa Alcorta, se deu o primeiro passo para a construção de um espaço que puder abrigar a totalidade da coleção Costantini depois uma convocatória na que se receberam 450 propostas de 45 países. Para isso, o concurso contou com um júri formado por importantes personalidades internacionais como o inglês Norman Foster, César Pelli e o suíço Mario Botta. Mas, durante as deliberações, Foster (que há poucos anos desenhou o que hoje é a sede do Governo de Buenos Aires) escapou para passear por Buenos Aires com sua esposa na companhia do arquiteto Eduardo Belluchi. Na hora de voltar, o inglês descobriu que iam premiar um projeto que ele não gostou nada e mandou: “Se eles escolherem esse, eu me demitirei do júri”. Houve uma pequena agitação. Como ninguém queria perder o júri estrela, todas as ideias participantes foram reconsideradas e encontraram um projeto elegante e racional que agradou a todos. Vale dizer que muitos acreditaram que a obra foi do português Álvaro Siza, consagrado da época, quando os autores resultaram ser os jovens argentinos: Gastón Atelman, Martín Fourcade e Alfredo Tapia. Hoje, arquitetos talentosos.

A primeira amostra que foi apresentada na inauguração do museu foi da própria Coleção Costantini (do seu dono e fundador Eduardo F. Costantini), que abriu as portas a novas propostas que foram além das fronteiras já estabelecidas e despertaram o interesse de estudiosos do mundo inteiro.

O prédio do museu foi inaugurado em 2001 e foi o primeiro prédio construído na cidade com a finalidade de abrigar um museu. E junto da abertura, vieram um turbilhão de críticas pois milhares de dólares foram gastos num momento em que a Argentina vivia a sua pior crise. Mas os anos passaram, a situação da Argentina melhorou e o Malba se firmou com um dos principais museus de arte da América Latina.

Agustín Pérez Rubio, diretor artístico do Malba, promoveu uma releitura da coleção permanente. A maneira de olhar o continente começou a mudar em 2004 com a exposição Utopías Invertidas: arte de vanguarda em América Latina, com curadoria de Mari Carmen Ramírez e Héctor Olea no Museu de Belas Artes de Houston (MFAH). Até então, a imagem global da região se limitava aos estereótipos representados por Frida Kahlo e ao muralismo mexicano. No ano seguinte, o MFAH fez parceria com o Malba para promover projetos conjuntos.

Abaporu (1928)

Assim nasceu um círculo virtuoso de cooperação mútua, que em 2012 abriu as portas dos Estados Unidos ao Malba. A sua consagração definitiva como referência regional veio quando apresentou em Houston o mais valioso do seu acervo: as obras da época moderna, criadas na primeira metade do século XX. Entre eles, o Autorretrato com “Chango e Papagaio, (1942)”, de Kahlo, e “Abaporu (1928)”, de Tarsila do Amaral, muito cobiçado no Brasil e emprestado duas vezes ao país vizinho. “Esta mostra faz parte de uma estratégia”, falava Costantini perante dezenas de colecionadores, jornalistas e patrocinadores.

Ao mesmo tempo que desembarcava nos Estados Unidos, a Malba passou a exportar amostras do Made in Argentina para outros países, como as dedicadas a Víctor Grippo (2004) e Xul Solar (2005). Alianças foram feitas com instituições de prestígio no continente, como a Pinacoteca de San Pablo e os principais museus do México. No ano seguinte, “Perspectiva de Jorge Macchi” foi apresentada no CA2M em Madrid e “Dream Come True”, de Yoko Ono visitou o Malba em 2016.

O MALBA e sua Arquitetura


O interior tem numerosos espaços onde cada exposição pode mostrar todo o seu potencial sem ser invadida pela arquitetura. O prédio não foi projetado de forma aleatória, mas, pelo contrário, foi realizado detalhadamente pelo estudo de arquitetos ATF que ganhou prêmios em todo o mundo pelo seu design impecável e inteligente.

Seu design foi concebido com o intuito de ficar perfeitamente integrado com o resto da paisagem arquitetônica da cidade. O imaculável e atraente exterior do museu é de pedra caliça, chamando a atenção dos visitantes mas de uma forma muito sutil, elegante e sofisticada.

No primeiro andar, o acervo fixo tem obras de diversos artistas do séc. XX da América Latina, como Fernando Botero, Candido Portinari, Antonio Berni, Diego Rivera e Frida Kahlo.

Martha Minujin e Andy Warhol, 1985

No segundo andar ficam as exposições temporárias de diversos artistas argentinos ou internacionais (Obsessão Infinita da Yayoi Kusama estava lá no ano passado). Até 6 de outubro de 2014 está rolando a exposição “Le Parc Lumière”, do argentino Julio Le Parc, que foi um dos pioneiros da arte cinética com luz. A exposição é bem diferente e interativa, bem gostosa de ver. As obras de arte vão além das galerias e enfeitam paredes e corredores, como a conhecida série de retratos de Martha Minujin e Andy Warhol , “El pago de la deuda externa argentina con maíz, el oro latinoamericano” de 1985.

Em 2017, 16 anos após a sua fundação, o Malba enfrentou um ambicioso projeto de reforma do piso térreo do seu edifício, para melhorar o acesso, a circulação, a comunicação e a qualidade dos serviços prestados aos visitantes. A obra surge em resposta ao rápido crescimento e posicionamento do Malba no panorama artístico e cultural da cidade e à necessidade de ampliação do seu hall central. A reforma abrangeu as áreas de acesso, recepção, informação, amigos, biblioteca, loja, restaurante e banheiros. O responsável foi estúdio Herreros, escritório de arquitetura localizado em Madrid com importantes projetos no mundo da arte.

O projeto foi desenvolvido com o objetivo de integrar o edifício à cidade e criar um ambiente propício à valorização das obras de arte, cumprindo as normas internacionais de exposição e conservação. O programa arquitectónico era constituído por hall de entrada, salas de exposições permanentes e temporárias, terraços de esculturas, auditório, restaurante, loja, escritórios, oficinas de conservação e manutenção, armazém geral, casa de máquinas e centro de inteligência.

Eles são concebidos como arquitetura sem distrações visuais, estrategicamente cortados em “caixas brancas” para permitir a entrada de luz natural filtrada e para gerar um âmbito adequado de apreciação das obras de arte. Cada um deles possui as condições técnicas e tecnológicas necessárias para garantir a integridade e conservação das obras expostas, de acordo com as premissas internacionais de segurança e qualidade.

A sua concepção arquitetónica implica uma forma específica de comunicação entre a cidade, os seus habitantes e a arte

Os grandes prismas revestidos de calcário, os planos envidraçados, a configuração das diferentes salas e os espaços de convivência do museu constituem uma arquitetura de neutralidade eficiente e fazem do museu uma referência para a cultura da cidade de Buenos Aires.

As salas principais podem ser divididas em diferentes galerias e adaptadas aos diversos formatos que o acervo permanente e as exposições temporárias exigem. Por trás da cena do museu, você pode ver o processo de montagem de uma exposição, as tarefas de conservação e restauração de algumas obras.

Abaporu: a grande obra de Tarsila do Amaral


Mas brasileiro mesmo quer ir no Malba ver o “Abaporu (1928)” a grande obra de Tarsila do Amaral e queridinha de Costantini, que arrematou a tela em um leilão em Nova York por US$ 1,5 milhão ainda nos anos 90.

“Em janeiro de 1928, Tarsila queria dar um presente de aniversário especial ao seu marido, Oswald de Andrade. Pintou o ‘Abaporu’. Quando Oswald viu, ficou impressionado e disse que era o melhor quadro que Tarsila já havia feito. Chamou o amigo e escritor Raul Bopp, que também achou o quadro maravilhoso. Eles acharam que parecia uma figura indígena, antropófaga, e Tarsila lembrou-se do dicionário Tupi Guarani de seu pai. Batizou-se o quadro de Abaporu, que significa homem que come carne humana, o antropófago. E Oswald escreveu o Manifesto Antropófago e fundaram o Movimento Antropofágico. A figura do Abaporu simbolizou o Movimento que queria deglutir, engolir, a cultura européia, que era a cultura vigente na época, e transformá-la em algo bem brasileiro.”

Este quadro é um dos mais importantes do movimento Modernista brasileiro, iniciado lá na Semana de Arte Moderna de 1922, em São Paulo. O fundador do MALBA, Eduardo Costantini, já até fez uma proposta à Dilma em 2011 para construir um MALBA no Brasil (e o Abaporu seria trazido para cá), mas, pelo visto, essa proposta não foi pra frente e não deu certo.

Atividades culturais e lazer


Loja: MALBA Tienda é um espaço dedicado a hospedar, promover e desenvolver diferentes expressões do design argentino e latino-americano através do apoio de criadores renomados e da identificação de criadores emergentes. É responsável pela seleção, exposição e comercialização de objetos de design latino-americanos e pela identificação e promoção da participação de arquitetos, designers industriais.

Cinema: Conta com um importante programa que inclui obras cinematográficas, produções nacionais e uma cinemateca. Esta obra cresce mensalmente com a aquisição e o resgate de filmes essenciais da história do cinema.

Literatura: O Malba possui ainda uma área de literatura que proporciona encontros com escritores, cursos, seminários, palestras literárias e apresentações de livros.

Restaurante Ninina

Restaurante Ninina: As comodidades no local incluem o Restaurante Ninina, uma loja de museu e acesso Wi-Fi gratuito. Guias de áudio estão disponíveis em vários idiomas diferentes. Chegar ao museu pode ser um pouco complicado, dependendo desde onde você se encontra. MALBA está localizado ao longo da Av. Pres. Figueroa Alcorta no bairro de Palermo. A estação Subte (subterrânea) mais próxima é a Facultad de Derecho (Linha H), a cerca de 20 minutos a pé. Se você for a partir do bairro de Recoleta, tem muitos ônibus para pegar na Av. Pres. Figueroa Alcorta, uma viagem de 20 minutos aproximadamente.

O museu está aberto diariamente, exceto às terças-feiras durante todo o ano. Às quartas-feiras, a entrada custa metade do preço e o museu fica aberto até as 21h.

 

Fonte:

  • https://www.malba.org.ar/museo/
  • https://www.lanacion.com.ar
  • https://www.clarin.com/
  • https://turismo.buenosaires.gob.ar/

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