JARDIM JAPONÊS de BUENOS AIRES – Parte I: O maior jardim japonês fora do Japão

Para muitos, o Jardim Japonês da cidade de Buenos Aires é um lugar de sonhos, um lugar mágico onde a paz e a harmonia abundam, oferecendo a seus visitantes uma experiência que guardará em seus corações.

Em 2004, a Secretaria de Turismo da Cidade de Buenos Aires declarou o Jardim Japonês “local de interesse turístico” e, em 2008, o Poder Executivo Nacional o declarou “local de interesse histórico e artístico da cidade”.

Parque Três de Fevereiro


O jardim japonês está localizado dentro do Parque Três de Febrero, que é o pulmão verde da cidade. Este imponente parque é conhecido pelos portenhos como Los Bosques de Palermo, que ocupa uma grande área de 80 hectares, com vários lagos, florestas, vários jardins, o extinto zoológico, um planetário, um hipódromo, um jardim botânico, etc.

Os Bosques de Palermo são muito procurados pelos visitantes para fazer piqueniques, praticar esportes, remar ou pedalar pelos lagos artificiais ou simplesmente ler à sombra de suas grandes árvores.

O Jardim Japonês


Embora seja um espaço público, a entrada ao jardim é paga, e tudo que é arrecadado é destinado à manutenção do Complexo Cultural e Ambiental Jardim Japonês, este administrado pela Fundação Cultural Argentino-Japonesa.

O Jardim foi construído pela Associação Japonesa Argentina em 1967 por ocasião da visita dos então príncipes e depois imperadores do Japão: Akihito e Michiko. Desde 1º de maio de 2019, após a abdicação de seu pai, o filho mais velho do casal Naruhito assumiu como novo imperador.

O Jardim Japonês teve a honra de receber os seguintes membros da família imperial: (1991) Príncipe Takamado e sua Princesa Consorte, (1997) foi visitado pelo Imperador Akihito e Imperatriz Michiko, (1998) Príncipe Akishino e Princesa Kiko, (2013) a Princesa AKiko de Mikasa.

O Jardim Japonês incentiva a calma e a contemplação, com um desenho cuidado

Posteriormente foi doado ao município, mas com o passar dos anos foi perdendo sua identidade. Em meados da década de 1980, a Associação negociou sua recuperação com as autoridades, ampliou o jardim e construiu um prédio para a realização de cursos e oficinas. Em 1989 surgiu a fundação como uma base para dar um quadro jurídico à atividade. Somente em 2009 a Legislatura de Buenos Aires aprovou o acordo para a fundação continuar com o cuidado do jardim pelo prazo de mais 20 anos.

Todos os elementos decorativos buscam harmonia e equilíbrio. As pontes são símbolos. Há uma muito curva e extremamente difícil de atravessar, chamada Puente de Dios, que representa o caminho para o paraíso. Outro chamado Puente Truncado que leva à ilha dos remédios milagrosos. E a Ponte Zig Zag, ou também conhecida como ponte das decisões.

Nos lagos estima-se que existam cerca de 500 peixes koi, que são criados ali e alimentados por 600.000 visitantes por ano. Seus elementos remetem à mitologia japonesa, ao mesmo tempo que convivem com outros com espírito portenho: em três hectares do Parque Três de Febrero, o Jardim Japonês de Buenos Aires reúne a fauna, a flora, a cultura e a gastronomia japonesas.

Kazunori Kosaka, presidente do Jardim Japonês

Kazunori Kosaka, presidente do Jardim Japonês, é um empresário ligado à eletrônica por profissão, chegou ao jardim em 2001 após ocupar vários cargos na comunidade. “Para entender como seria possível sua administração, fiz um percurso por todos os jardins japonesas estabelecidos em América. Os do Japão eu já conhecia, o que eu queria saber era o que estava acontecendo em outros países. Passei por aqueles do Canadá, Estados Unidos, México, Brasil e contatei a associação de consultores de jardinagem Japoneses que estão nos Estados Unidos”, lembra.

Entre 2005 e 2006, foram realizadas obras de recuperação e limpeza. Hoje trabalham no local cerca de 100 pessoas, das quais 15 se dedicam à jardinagem e manutenção da propriedade.

Os peixes Koi são considerados espécies fortes porque nadam contra a corrente para colocar seus ovos. “No Japão é muito comum desejar que as crianças fossem tão fortes quanto o koi”, detalha Kosaka. A cana de bambu representa a retidão da alma, enquanto os leões, sempre emparelhados com um dos dois de boca aberta, são protetores e guardiães das casas, por isso são colocados nos arcos. Há também uma torre budista com 13 beirais, um para cada etapa que o ser humano deve passar para alcançar a vida eterna, explica Kazunori Kosaka.

A carpa Koi é onívora, mas com tendência para a herbívora. Eles são caracterizados por sua longevidade e simbolizam amor, virilidade e amizade. Uma lenda diz que eles nadam contra a corrente nas cachoeiras para se tornarem dragões.

O Jardim Japonese se adaptou ao gosto de Buenos Aires sem perder sua identidade japonesa. Responder ao interesse local tem um motivo: o Jardim Japonês não recebe financiamento de nenhuma administração estadual; depende exclusivamente da receita gerada com a venda de ingressos, dos artesanatos, dos cursos e oficinas que são ministrados e do restaurante.

Embora a maioria dos jardins japoneses não contenham flores, roseiras e azaléias foram incorporadas á vegetação original do lugar, composta principalmente de eucaliptos, plátanos e tipas. Entre a flora japonesa pode-se contar com pinheiros curtos, negros, ameixeiras e sua flor nacional, a cerejeira (sakura). Destas últimas, existem espécies da ilha de Okinawa. Suas flores vão do rosa ao quase branco, aparecem na primavera e oferecem um espetáculo semelhante a uma nevasca no coração de Palermo. O desabrochar da cerejeira é tão importante entre os japoneses que desde o jardim eles se encarregam de avisar nas redes sociais para que os portenhos venham curtir o show que representa o Caminho de los Sakura.

Além das antigas árvores autóctones como a Tipa e o Palo Borracho, também encontramos vários elementos arquitetônicos,  e inúmeras plantas de origem japonesa como: bonsai, kokedama,  acer palmatum e sakura (cerejeiras), 

Além do jardim, no recinto existe um edifício que contém um centro de atividades culturais japonesas, uma sala de exposição sobre a cultura japonesa (quimono, pintura, origami, artesanatos japoneses), um restaurante e um viveiro donde se pode comprar bonsai e outras plantas especiarias como sakura e orquídeas. Há também uma loja que vende diversos itens, onde você pode obter o seu nome, escrito em japonês.

O restaurante do Jardim japonês, onde o sushi é preparado diante do público, funciona das 10h às 18h, de quarta a segunda. Volta a abrir, das 19h30 à 00h. Às sextas-feiras e nos finais de semana, é necessário fazer reservas. O local permanece fechado às terças-feiras.

Espalhados pelo parque se encontram diversas esculturas: O Sino da Paz, o Faro Histórico, o Monumento ao esforço do imigrante japonês e uma Escultura Origami. Há também uma torre budista com 13 beirais, um para cada etapa que o ser humano deve passar para alcançar a vida eterna.

A Casa de Chá foi criada para a realização da tradicional cerimônia do chá. Seu interior, confeccionado artesanalmente, conta com elementos tradicionais importados diretamente do Japão, em alguns casos com mais de cem anos. O visitante do Jardim Japonês de Buenos Aires pode participar da cerimônia, que é considerada uma síntese dos elementos fundamentais da cultura japonesa: o respeito pela natureza, a exaltação da humildade e o silêncio.

Muitas apresentações teatrais e shows de música são realizados no jardim japonese o ano todo.

Outro dos eventos mais marcantes é o Festival do Fogo em agosto. Cada pessoa escreve em uma tábua de madeira tudo de negativo que aconteceu com ela e tudo de positivo que deseja que passe em suas vidas. Em seguida, as tábuas são queimados porque o fogo tem o poder de transmutar energia negativa em energia positiva.

 

fonte:

  • https://jardinjapones.org.ar/
  • https://www.buenosairesturismo.com.br/passeios/jardim-japones.php
  • https://www.lanacion.com.ar

 

 

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