DIAMANTINA (MG): Igreja Nossa Senhora do Amparo – Parte I: A Irmandade dos homens pardos no antigo Arraial do Tijuco

A pequena igreja em tons de azul e branco está escondida entre as ruas apertadas de Diamantina. Com torre única no centro e fachada delicadamente decorada com peças de madeira. A Irmandade dos Homens Pardos do Arraial do Tijuco, em 1756 foi autorizada a erigir sua própria capela, dedicada à Nossa Senhora do Amparo. As obras estendidas até 1776, teve seus ornamentos executados pelo artista Silvestre de Almeida Lopes, quem foi membro da ordem.

Ainda na época do império, a igreja recebe o título de Capela Imperial e ostenta na portada um emblema com as armas imperiais.

Igreja Nossa Senhora do Amparo


Construída na segunda metade do século XVIII a Capela de Nossa Senhora do Amparo apresenta partido arquitetônico que a difere das outras igrejas diamantinenses: torre única e em posição central, ausência de anexos laterais, tendência à verticalização, planta que se desenvolve no sentido longitudinal, distribuída em três pavimentos.

 

Portada da Fachada Principal

Os fundos da igreja  apresentam frontispício delimitado lateralmente por cunhais de madeira pintados de cores vivas, sustentando cimalha de forte saliência, que contorna todo o edifício.

A sacristia situa-se à direita da capela-mor, incorporada ao espaço interno desta pela abertura de arcadas.

A portada com ornamentos é feita em madeira recortada com dois anjos que ladeiam símbolos do império

A fachada é composta por torre única em posição central, e o frontão possui um delicado ornato. O falso frontão é constituído de ornatos de madeira recortada em forma de volutas, provavelmente datados do século XIX, assim como o emblema de madeira pintada, ostentando as armas imperiais, que encima a porta e que foi confeccionado em comemoração ao título que recebeu de Capela Imperial.

A torre central é coroada por telhadinho de quatro águas arrematado por graciosa grimpa com um galo pousado sobre esfera armilar.

Ao longo do século XIX passou por várias reformas, como a demolição da primitiva torre em 1813 que, por ser de pedra, causou danos à estrutura do edifício, sendo reedificada cinco anos depois.

Como a Torre era todo de pedra, a igreja não suportar seu peso … como solução refizeram uma torre mas leve na parte central.

O monumento foi tombado pelo IPHAN em 1949.

O Interior do Templo


A conclusão da construção da capela data de 1776. A decoração interna da igreja apenas começou a ser pensada cerca de 20 anos depois. A partir daí, várias reformas se seguiram.

Destaca-se, no altar da direita, um presépio de fins do século XVIII, trabalhado com centenas de conchinhas das minas de salitre da região, doado à Irmandade, em 1797, por frei Joaquim de Nossa Senhora de Nazaré, pintado por Caetano Luiz de Miranda.

O conjunto de retábulos de estilo D. João V é de boa qualidade, sendo provavelmente mais antigos os do arco-cruzeiro, cuja policromia foi ajustada com Silvestre de Almeida Lopes no ano de 1796.

O estilo barroco-rococó é muito presente nos altares que datam do século 18, destacando-se o púlpito em forma de cálice e as imagens do século XVIII.

Os irmãos do Amparo realizaram sacrifícios para a finalização das obras internas como em 1782 deixar de promover a tradicional festa da padroeira a fim de investir uma verba maior na capela.

O pintor Silvestre de Almeida Lopes


A Irmandade dos Pardos do Arraial do Tijuco, em 1756 foi autorizada a erigir sua própria capela, dedicada à Nossa Senhora do Amparo. As obras estendidas até 1776, teve seus ornamentos executados aproximadamente neste período conforme documentos com a participação de Silvestre de Almeida Lopes, de profissão pintor e dourador.

Sabe-se pouco sobre sua vida … era natural de Diamantina, onde trabalhou e também faleceu. Ativo na região de Serro Frio (atual Serro) e Arraial do Tijuco (atual Diamantina), a primeira notícia que se tem dele é de 1764, no arquivo da Igreja de São Francisco de Assis de Diamantina, Minas Gerais, quando recebe da ordem 48 oitavas de ouro por algum serviço, possivelmente a pintura da tarja do forro da sacristia da igreja.

Em 1790, Almeida Lopes é comissionado para pintar, em seis meses, o forro da nave da igreja e, em 1796, para pintar dois altares colaterais, um do Divino Espírito Santo e da Senhora do Parto e outro de Sant’Anna.

Em 1780, ele aparece nos documentos da Igreja de Nossa Senhora do Amparo de Diamantina como membro, e mesmo procurador da irmandade dos Pardos de Nossa Senhora do Amparo, o que indica que era mulato.

O estilo barroco-rococó é muito presente nos altares que datam do século 18., destacando-se o púlpito em forma de cálice e as imagens do século XVIII

Nesta ocasião, é contratado para pintar e dourar o que for preciso para as festividades da igreja e recebe permissão para permanecer na casa do consistório durante o dia para exercer sua arte os trabalhos de acabamento e ornamentação tais como: a pintura, douramento da Capela e pintura dos dois altares do arco do cruzeiro.

Ainda no mesmo ano, em um termo que Silvestre de Almeida Lopes assina como procurador e a irmandade afirma a necessidade de pintar o forro da nave da igreja e aprova um risco de forro branco com tarja central, pequena tarja nos cantos e cimalha de pedra.

1797 – Pintou o teto e os painéis laterais da capela-mor, na igreja do Bom Jesus de Matozinhos, sua obra mais conhecida, na cidade de Serro.

Destaque para o forro, pano de fundo do altar-mor e painéis laterais da capela-mor que trazem os quatro evangelistas. A pintura do forro representa a cena de achamento da lendária imagem do Bom Jesus, na praia de Matozinhos, em Portugal, mas na opinião de analistas, este trabalho seria um protesto dos liberais da época, no qual duas figuras de populares da Revolução Francesa estariam levando a imagem de Jesus, enquanto pessoas conformistas medrosas e covardes se ocultam no matagal.

Segundo alguns pesquisadores não se pode ainda afirmar que estas obras sejam de Silvestre de Almeida Lopes.

No ano de 1997, Antônio Fernando Batista dos Santos e Selma Melo Miranda, ao rever atribuições feitas às pinturas de Diamantina, afastam a hipótese de Silvestre de Almeida ter executado as obras da Igreja de Matozinhos (Serro), atribuindo estes trabalhos ao pintor Caetano Luís de Miranda.

Órgão


O desenvolvimento da atividade musical em Minas Gerais ocorreu paralelamente à construção dos primeiros arraiais e de suas capelas de taipa. Houve uma atividade musical elevada e tão intensa que sobrepujava de longe toda outra atividade artística do período áureo de Minas Gerais.

Em pleno sertão, distante do litoral e infinitamente longe dos centros culturais da Europa, surgiu ai uma atividade musical intensa, de alto nível de execução e criação. Alguns órgãos, como o da Igreja Matriz Santo Antônio de Tiradentes, foram trazidos do Rio de Janeiro e eram transportados em lombo de mulas.

Órgão da Igreja Matriz Santo Antônio de Tiradentes

Aqueles trazidos de Lisboa possuíam um sério problema pois, sendo construídos com madeiras européias, eram pouco resistentes aos numerosos insetos das regiões tropicais. Isto levou à construção em Minas desses instrumentos usando madeiras locais.

Deste período destacamos dois organeiros: Athanazio Fernandez da Silva  e Pe. Manoel de Almeida e Silva.

Padre Manuel de Almeida e Silva construiu em Diamantina os órgãos da Capela de Nossa Senhora do Amparo, da Matriz de Santo Antônio e da Igreja da Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo.

 

fonte:

  • http://www.ipatrimonio.org/
  • http://portal.iphan.gov.br/
  • http://www.brasilartesenciclopedias.com.br/nacional/lopes_silvestre.htm

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *