Igreja de São João Evangelista, Tiradentes (MG) – Parte II: O interior do Templo

Esta igreja pertencia à Irmandade dos Homens Pardos, A capela abriga as irmandades do santo padroeiro São João Evangelista, de São Francisco de Assis e de Nossa Senhora das Dores.

O conjunto de imaginária é constituído por excelente escultura, com policromia ao gosto rococó, certamente de um mesmo santeiro, devendo datar de fins do século XVIII ou início do XIX.

Em junho de 2016, foi realizada a entrega da obra de restauração artística e arquitetônica da Igreja de São João Evangelista, na cidade histórica mineira de Tiradentes, acompanhada de Missa de Ação de Graças promovida pelo Instituto Histórico e Geográfico de Tiradentes.

O Templo


A planta obedece ao esquema comum em Minas, com nave retangular e capela-mor mais estreita, ladeadas por cômodos laterais e um grande salão por trás da capela-mor.

O interior segue a simplicidade exterior com altares em estilo Rococó

As imagens que compõem  o retábulo do altar-mor têm mais de 2 metros de altura: Crucifixo, Nossa Senhora e São João Evangelista. Enquanto as imagens de Santa Cecília e Santa Catarina de Alexandria, se situam nos nichos laterais.

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No nicho lateral do altar-mor está a imagem de Santa Cecília, Padroeira dos músicos. A igreja se destaca por ser o local de sepultamento do compositor de músicas sacras do século XVIII Manoel Dias de Oliveira.

O retábulo do altar-mor, bastante alto, pintado de branco, com talha característica de pelo menos três épocas distintas, parecendo ter sido montado com talha de um retábulo mais antigo. Atrás tem inscrita a data de 1864.

Belissimo forro pintado na capela-mor

Os dois altares colaterais apresentam talha rococó, sendo o de Nossa Senhora das Dores dourado e branco, datável do primeiro quartel do século XIX, podendo-se atribuir sua autoria ao entalhador Salvador de Oliveira. O retábulo fronteiro, de época posterior, assemelha-se ao de Nossa Senhora das Dores, embora de talha inferior, é o único que recebeu douramento parcial.

O arco-cruzeiro, de grandes proporções, é decorado com talha rococó de boa qualidade e é coberto por ampla sanefa policromada.

 

O coro possui balaustrada torneada de gosto setecentista, assim como a mesa de comunhão em balaústres recortados típicos do século XIX.

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Na sacristia há um oratório de Nossa Senhora das Dores, cujo retábulo parece ter sido aproveitado de um Passo da Paixão, visto que é igual aos retábulos dos três Passos mais antigos.

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Restauração dos elementos arquitetônicos e artísticos

A restauração dos elementos arquitetônicos e artísticos da construção religiosa teve início em 2013 e foi concluída em 2016 através de projeto executado pela empresa Anima Conservação Restauração e Artes, sob coordenação do restaurador Gilson Felipe.

No restauro arquitetônico, pode-se destacar a substituição de grande parte do assoalho, em função do péssimo estado de conservação proveniente de um grande ataque de insetos (cupins) e apodrecimento da estrutura, sendo ainda realizadas: a revisão de telhados e rebocos, a recuperação do entorno e a pintura geral.

Nas prospecções realizadas nos retábulos colaterais foi verificado que a pintura original era realmente branca, e que apenas no último degrau do nicho do retábulo da epístola apresentava uma pintura no estilo rococó.
imagem de São João Evangelista

O projeto contemplou a restauração dos elementos artísticos da igreja  nos retábulos colaterais de Nossa Senhora das Dores e de Nossa Senhora dos Remédios, além do nicho da Capela do lado da epístola, cimalhas da capela-mor e nave, arco-cruzeiro, púlpito, balaústres da nave e do coro, lustre e arcazes das sacristias.

O projeto incluiu ainda o restauro de todas as imagens sacras, telas da nave, frontal do retábulo-mor e confessionários. Também foi feita a substituição de toda a parte elétrica e do sistema de segurança da construção.

Os trabalhos de restauracao ficaram a cargo da empresa Anima Conservação Restauração e Artes Ltda. Sediada em São João delRei, atua desde 2002 nas áreas de conservação e restauração na preservação de bens patrimoniais de interesse de preservação principalmente de elementos artísticos integrados e móveis.

 

fonte:

  • IPHAN, textos Olinto Rodrigues dos Santos Filho
    Pesquisador do IPHAN
  • www.tiradentes.net/igrejas
  • www.revistamuseu.com.br

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