Igreja de São Juan Bautista de Betharram – Parte II: Historia e Fachada

Bairrro_Monserrat_Buenos_Aires_Argentina_Iglesia_Patrimonio_Cultural_Religioso_ San_Telmo_Historico_Clarisas_Capuchinas_Clarissas_Capuchinhas_Betharram_Assis_Bayoneses_Convento_MosteiroMonserrat sedia a praça más importante da Argentina, a Plaza de Mayo, por tanto, a vida do bairro iniciou-se no primeiríssimo começo do nascimento da Cidade. O bairro de Monserrat vai ate a Av. Rivadavia pelo qual inclui a Casa Rosada e todos os edifícios históricos na famosa Av. de Maio, ate a praça e Congresso da Nação.

A Igreja de San Juan Bautista está localizada a poucos quarteirões da “Manzana da las luces”, sobre a mesma rua, Alsina.

Em 1646, a primitiva capela surgiu como local de oração, o “Curato de Indios” e escravos. Monserrat era conhecido como o “Bairro do Tambor” sendo no começos bairro de marginais, famoso por sua música, candombes e carnavais. Do outro lado da praça de Maio, o bairro de São Nicolas se ergueria como o mais abastado da sociedade portenha.

No século seguinte, os catalães e bascos estabelecidos na zona construíram una capela dedicada a Nossa Senhora de Montserrat (atual Igreja de Montserrat), evocação da Virgem venerada em Cataluña.

Na igreja de San Juan Bautista também tomaram conta os bascos, havia grande imigração dos nascidos no Pais Basco (norte da Espanha), que foram ao templo para assistir à missa. Por esse motivo, os Padres da Ordem do Sagrado Coração ou Padres Bayoneses ou Padres de Betharram chegaram aqui em 1856. E ahi que a Igreja San Juan Bautista ganha seu último sobrenome.

História da igreja

Localizada na rua Alsina 824 no século XVII, hoje no coração da cidade, era um oratório, tão distante do núcleo da incipiente população fundacional, que só era visitado por povos indígenas, chamados de “naturales” e por escravos. Destinado ao serviço dos nativos, era denominado “Curato de Indios”. Em 1646, foi designada “paróquia de nativos”, isto é, para uso dos índios que serviam como criados, para pequenos artesãos e para yanaconas (encomenderos), aqueles que acompanhavam as tropas de carroças. Pelo Auto de Desmembración y Erección de Curatos en la Ciudad de Buenos Aires, a partir de 1769, o Curato de Índios foi eliminado, devido a que havia muito poucos na cidade.

No século XVII (1610-1611), a primeira capela foi erguida sob a dedicação de São João Batista. A terra pertencia a Dom Pedro de Sayas y Espeluca e passou a ser propriedade de sua filha Maria de Sayas e seu marido Gaspar Azevedo. Mas depois de mais de meio século, o prédio estava em mau estado, então um vizinho de Buenos Aires, o chefe de campo da milícia: Don Juan de San Martín decidiu reconstruí-lo. Conforme registrado nos Acordos do Cabildo, em 1713 já havia sido solicitada permissão para coletar fundos para o trabalho a ser construído.

Além disso, os restos da igreja antiga foram usados ​​na construção, juntamente com esmolas e doações dos fiéis. Possivelmente começou em 1719, uma vez que, de comum acordo, foi providenciado o retorno de alguns tijolos de adobe, aqueles que Don Juan de San Martín destinara ao seu templo, mas que foram emprestados ao Cabildo para reconstruir as masmorras, concluindo o trabalho, segundo suposto, em 1725.

Em 1730, a igreja foi designada vice-paróquia da Catedral, começando a funcionar como tal em 1737 e é conhecida pelo nome da igreja de San Juan Bautista, em homenagem a seu patrono.

Fundada e oficialmente reconhecida como Capela em 8 de outubro de 1646, por ordem do frade dominicano Cristóbal de La Mancha y Velazco, terceiro bispo do Rio da Prata, um século depois entre construções sucessivas e muitas reformas, no ano de 1754, chegaram a esta igreja as freiras capuchinhas.

Freiras Capuchinhas

Este templo antigo está ligado ao estabelecimento em Buenos Aires das Freiras Capuchinhas da Ordem das Clarissas Capuchinhas, um ramo feminino dos franciscanos. Com o apoio do bispo Juan González Melgarejo, um grupo de irmãs capuchinhas deixou Santiago do Chile em 1745 para se estabelecer aqui. Depois de dois anos dolorosos de viagem por terra, elas chegaram em 174 7, sendo recebidos com alegria. O convento de Nuestra Señora del Pilar, anexo à antiga igreja de San Nicolás de Barri, hoje inexistente que ficava na esquina das atuais ruas Carlos Pellegrini e Corrientes (na época nos arredores da cidade), tinha sido usado como acomodação. Dada a falta de conforto e os inconvenientes da distância, a ordem das Capuchinhas trocou seu primeiro asilo pelo qual ofereciam as dependências da Igreja de San Juan Bautista.

A congregação das Irmãs Capuchinhas das Clarissas chegou a Buenos Aires em 1747 e pouco depois tomou posse da Igreja de San Juan Bautista. O capitão D. Juan de San Martín, ofereceu-lhes como doação o terreno ao lado, para a construção do convento, onde se instalaram em meados do ano de 1767. Em 1778, a antiga igreja foi demolida ate as fundações para levantar outro prédio no mesmo local. Em 1779, sabe-se que essas freiras já estavam procedendo à reparação do templo, cuja construção era bastante deficiente.

No final do século XVIII, foram registradas 37 religiosas, 33 argentinas, 1 espanhola de Cádiz, 2 uruguaias de Montevidéu e uma genovesa. O participante do censo, que tinha um estilo muito antigo de escrever, coloca a palavra “religiosa” na coluna “estado civil” em vez de “solteira”. Na coluna “sexo”, cololocou “mugeril”.

As freiras enclausuradas também são chamadas de Clarissas, porque são regidas pela vontade de Santa Clara de Assis. As irmãs da congregação viveram no claustro até 1982, hoje pertence à congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus de Betharram.

À direita do altar-mor, podemos ver a imagem de Nossa Senhora de Betharram

A igreja pasou a ser chamada de igreja dos bascos porque, na época, havia grande imigração daqueles nacidos no Pais Basco que foram ao templo para assistir à missa. Por esse motivo, os padres da Ordem do Sagrado Coração (Bayoneses), de origem basca, foram enviados para lá.

A Igreja de San Juan Bautista é um dos primeiros lugares de onde os padres de Betharram – ou Padres Bayoneses – realizaram seu trabalho apostólico quando chegaram à Argentina em 1856, em favor dos bascos estabelecidos no Rio da Prata (Buenos Aires e Uruguai). É então que a igreja completa seu nome: Igreja de San Juan Bautista de Betharram.

Fachada

Sua planta tem a forma de uma cruz latina, com uma nave única, e a abóbada é do chamado canhão corrido. No transepto,  a parte transversal da igreja que se estende para fora da nave central formando assim uma cruz, uma grande cúpula cega se eleva. 

Esta igreja é eclética no lineamento, ou seja, possui características de mais de um estilo. Você pode ver características dos estilos gótico e românico. O estilo românico é caracterizado por sua simplicidade e ornamentos geométricos. Essa arquitetura veio a se manifestar no final da Idade Média (séculos XI ao XIII) e caracterizou-se principalmente pela combinação de componentes bizantinos e paleocristãos com os estilos celta e germânico.

Torre localizada no lado direito da fachada

A arte gótica teve seu desenvolvimento aproximadamente entre os séculos XII e XIV e o Românico do século XI ao XIII.

As características do estilo gótico no templo de San Juan podem ser apreciadas na torre dereita no frontão, nas abóbadas com nervuras e nos abortastes (do arco francês boutant, literalmente “arco que transmite”), um elemento estrutural externo em forma de meio arco que coleta a pressão no início do cofre e a transmite a um contraforte, ou pilar, fixado na parede de uma nave lateral.

 

Em 1895, a fachada é projetada e construída. Em 1908, o arquiteto Rómulo Ayerza construiu o nartex e montou o relógio encontrado na torre esquerda da igreja. A igreja foi declarada Monumento Histórico Nacional pelo decreto nº 120.412, de 21 de maio de 1942.

Cristo Redentor

Na parte superior do corpo, você pode ver a imagem do Cristo Redentor, feita em bronze.

Ao lado da porta está a imagem de Santa Clara de Assis à direita e a de San Francisco de Assis à esquerda; ambos feitos de bronze.

Atrio

No acesso à igreja, o átrio é cercado por uma cerca de ferro forjado, que se comunica com o denominado Nartex (corredor coberto entre o atrio e o templo). A porta principal termina em um notável arco semicircular, característico do estilo românico, e a parte superior é acentuada por faixas de linhas românicas.

A partir desta imagem capturada desde o Hotel Intercontinental, localizado na parte de trás da igreja o caminhando pela rua Piedras, indo na direção da rua Alsina, na imponente parede lateral é possível apreciar a localização particular das pequenas torres sineiras compostas por três sinos, adquirida a primeira em 1786, a segunda em 1860 e a última em 1908.

Torres

A torre localizada no lado esquerdo apresenta três relógios antigos de origem francês, que possui uma máquina importante para sua operação dentro da mesma.

Ambas as torres terminam em uma cruz de ferro forjado. Vale ressaltar que a torre localizada no lado direito é a mais alta, terminando em uma galeria hexagonal típica do estilo gótico.

Frontão

Na composição da fachada, realizada em 1895 por J. M. Belgrano em linhas neo-românicas e posteriormente refeita pelo arquiteto Rómulo Ayerza, destaca-se o grande arco central com um sofisticado frontão e vitrais, coroado acima por uma sucessão de pequenos arcos. Abaixo culmina com colunas assimétricas, diferentes em tamanho, forma e altura.

Atualmente, a fachada se destaca por dividir o corpo em duas partes pela elegante cornija que termina o pórtico. Dentro da cornija semicircular, há uma roseta circular, feita com um molde sobre o gesso fino, outra característica do estilo gótico. Também olhamos para uma galeria composta por nove janelas chamada Clarisstorio. Com arco semicircular e colunatas de ordem composta.

Nartex

Embora a igreja, como é conhecida hoje, tenha sido concluída em 1779, vale ressaltar que o nartex foi construído em 1908 e seu design é devido ao arquiteto Rómulo Ayerza.

No nartex, encontramos as imagens de quatro evangelistas idênticas às atualmente encontradas na Catedral da província de Córdoba, no lado direito está a imagem de São Lucas (de profissão médica, discípulos dos apóstolos, serviu incondicionalmente ao Senhor, não se casou ou teve filhos. Ele é o evangelista de Natal); e do mesmo lado a imagem de San Mateos (ele é um dos doze apóstolos e a última ceia foi realizada em sua casa).

No lado esquerdo do nartex está São Marcos (primeiro evangelista, patrono da cidade de Veneza na Itália) e próximo a São Marcos, São João (ele é o homem de elevação espiritual mais inclinado à contemplação do que à ação).

As formigas do vice-rei


Dos onze vice-reis do Rio da Prata, apenas dois estão enterrados em Buenos Aires: Joaquín Del Pino, (na Catedral Metropolitana); e Pedro de Melo de Portugal e Villena, (na igreja de San Juan Bautista).

O último mencionado foi o quinto vice-rei do Rio da Prata, ele foi o protetor do convento. Normalmente, antes de fazer uma viagem, ela ia ao local pedir às freiras para orar por sua boa sorte. Nessa ocasião, ele tinha que ir inspecionar as fortificações da cidade oriental de Maldonado. Enquanto fazia seu pedido através das enormes barras que separavam as irmãs em seu fechamento, ele foi interrompido pela irmã Gregoria, que lhe disse: “Senhor, procure para ser enterrado aqui, porque serão suas freiras que vão lembrar de confiá-lo a Deus”. O vice-rei, sem entender completamente essas palavras, foi para o país vizinho, estando em Montevidéu adoeceu gravemente.

Antes de morrer e lembrar-se do anúncio, ele providenciou para que seus restos descansassem ao lado do altar principal e ao pé do portão onde ele recebeu as palavras da irmã Gregoria; ali mesmo foi colocada a lápide com seu escudo nobre.

Foi em 22 de abril de 1797, quando as obras da igreja estavam sendo quase concluídas, que as portas da igreja se abriram para dar lugar a uma importante procissão funerária: Dom Pedro Melo de Portugal e Villena, quinto vice-rei do vice-reinado do Rio da Prata, que morreu repentinamente na cidade de Pando, perto de Montevidéu, aos 63 anos, no exercício de seu mandato.

Seguindo sua vontade, ele foi enterrado no hábito de Santiago, segurando sua espada pelo punho, na altura do peito. O alto funcionário ordenou que esculpisse em sua lápide: “Aqui jaz, por afeição pelas esposas virgens de Jesus Cristo, o Mais Excelente Senhor Pedro Melo de Portugal e Villena”.

Em 1910, o capelão D. Pedro Sardoy, seguindo o rastro das formigas, chegou ao túmulo do vice-rei descobrindo que elas estavam aninhadas em seu crânio e que ele ainda segurava a espada real nas mãos. Foi então que, uma vez que os insetos foram aniquilados, a maçaneta foi removida (substituída por uma de ferro) e, com aquele ouro fundido, uma patena de celebração sacramental foi feita.

É justo lembrar Rev. Padre Francisco Laphitz que – com a morte do Padre Sardoy, em uma viagem à França em 1875 – foi nomeado por Dom Federico Aneyros, capelão da igreja e confessor das Clarissas.

 

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