ESTRADA REAL: IGREJA NOSSA SENHORA do ROSÁRIO; Ouro Preto (MG) – Parte I

Atravessando a ponte dos Contos, uma estreita rua se contorna entre magníficos sobrados de dos y três andares chegando assim mais uma vez ate a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, em Ouro Preto. É a tercera vez que visito ela, assim que já tirei foto dela para caramba.

Desta vez una nova aquisição me provê a emoção de uma nova aventura …  Testar meu novo Drone!!!

No entorno me rodeia um conjunto de sobrados intalados na inclinação do terreno que conduce o Largo do Rosario. Na equina o belíssimo Hotel Solar do Rosário junto ao pequeno Chafariz do Rosário.

A igreja está implantada ao lado de um grande muro de arrimo que acerta junto ao terraplem o desnível do terreno. Na frente o amplo adro se conecta ao Largo do Rosário, formando um espaço aberto com uma escala ideal pois permite apreciar a complexa volumetria do edifício toda.

Planta

O risco da planta foge completamente às retilíneas e às plantas retangulares das construções mineiras no século 18. Sua volumetria, baseada em uma planta composta pela intersecção de duas elispses, é rara na história da Arquitetura brasileira, com uma elipse maior que comporta a nave, coro e altares laterais; enquanto na elipse  menor se localiza a capela-mor. que recebe a abóboda, presbitério, altar-mor e corredores laterais;.

Fonte dos desenhos: BAZIN, Germain. L’Architecture Religieuse Baroque au Brésil. Paris: Librairie Plon/ MASP, 1947

A série de sinuosidades e ondulações terminam em sua parte posterior, recebe ao fundo em formato retangular a sacristia, a única de linhas retas.

Sua fachada completamente angular apresenta três arcos no primeiro andar e três portas sacadas no segundo, duas torres laterais completamente cilíndricas e frontão contracurvado.

A Igreja do Rosário, cujo frontispício cilíndrico compreende três arcos no primeiro pavimento, três sacadas no segundo e, como coroamento um frontão trilobado. O edifício ganha ainda mais força pois o frontispício curvo, que abraça as duas torres dos campanários.

No frontispício ainda encontramos o galilé gradeado (espécie de pátio coberto em galeria) que antecede a porta de entrada. Vale ressaltar que estas grades foram inseridas em 1935, durante obras de restauração que substituíram as antigas cancelas de madeira.

O uso da cantaria se manifesta nas arcadas, entablamento, frontão, consolos e coruchéis que, em contraste com o branco do frontão e da cimalha que arremata o entablamento, proporciona um efeito imponente ao frontispício. Toda ela construída em cantaria açafroada do Itacolomi trabalhada pelo mestre canteiro José Ferreira dos Santos.

Enquanto a seu design de iluminação tem projetores embutidos no piso no adro para la iluminação de sua fachada frontal. Como em outros casos da cidade, o sistema precisa rever as potencias das lâmpadas pois a luz aqui presente, e muito escassa.

A Igreja e sua Historia

Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, Ouro Preto (MG)

Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos

A Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos foi formalmente constituída em 1715, e funcionou inicialmente na Matriz de Nossa Senhora do Pilar. Já no ano seguinte, adquiriu capela própria no Bairro do Caquende. Por ocasião da procissão conhecida como “Triunfo Eucarístico”, realizada em Vila Rica no ano de 1733, em que se procedeu o traslado da imagem do Santíssimo Sacramento da primitiva capela do Rosário para a Matriz do Pilar, construíram os Irmãos do Rosário a rua que tomou posteriormente o nome de rua do Sacramento (atual Getúlio Vargas) para a passagem desta procissão. Em troca desse benefício, em 1761 a Irmandade obteve do Senado da Câmara, concessão de um amplo terreno, próximo à capela primitiva, onde foi construída a atual Igreja do Rosário, cujo risco é atribuído ao artista Antônio Pereira Sousa Calheiros.

Diante da lacuna na documentação, não se pode datar com precisão a época de início das obras. Pode-se, entretanto, com base no testamento do mestre de obras José Pereira dos Santos, inferir que as obras da Igreja do Rosário já se encontravam bastante adiantadas em meados de 1762, uma vez que no referido documento já se fala em ajuste de novos portais em lugar de óculos.

Sua história é também obscura com relação ao período que compreende os anos de 1762 e 1781, visto que o mais antigo livro de Receita e Despesa da Irmandade do Rosário, localizado pelo historiador Cônego Trindade, tem como data inicial o ano de 1781. Em 1784, Manuel Francisco de Araújo é contratado para fazer o risco da empena e frontispício, obras estas arrematadas no ano seguinte por José Ribeiro de Carvalhais, já incluindo também as torres. As obras foram executadas no período compreendido entre os anos de 1784 e 1793. Finalmente, em 1822/1823, foram feitos o coro, tapavento e portas de almofadas para a capela-mor.

O monumento passou por obras de restauração nos anos de 1869 e 1882, através de verbas concedidas pelo Governo Provincial. Dentre as obras realizadas no século XX, merece destacar a de 1935/36, sob a coordenação da antiga Inspetoria de Monumentos Nacionais, compreendendo, entre outros serviços gerais, a confecção de grades de ferro para a galilé, até então fechada com velhas cancelas de madeira, e de 40 bancos de madeira para a nave.

 

fonte:

  • Os pretos devotos do Rosário no espaço público da paróquia, Vila Rica, nas Minas Gerais – Francisco Eduardo de Andrade, Departamento de História, Universidade Federal de Ouro Preto (1)
  • AS IRMANDADES DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO E OS AFRICANOS NO BRASIL DO SÉCULO XVIII – Maristela dos Santos Simão. Mestrado em História da África, Universidade de Lisboa (2)
  •  https://marcosocosta.wordpress.com/ (3)
  • https://reficio.cc (4)
  • iphan

 

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