ESTRADA REAL: IGREJA NOSSA SENHORA DO CARMO, Ouro Preto (MG), Brasil – PARTE I

A igreja de Nossa Senhora do Carmo de Ouro Preto é uma das mais belas, mais harmoniosas e mais requintadas igrejas, não apenas de Minas, mas de todo o Brasil.

Imponente é monumental situada no topo do Morro de Santa Quitéria, com ampla escadaria que lhe dá acesso, e um adro que resulta num mirante o qual oferece uma panorâmica privilegiada da cidade. Montada sobre um terraplenagem muito bem ajardinado, toda ela está construída em alvenaria de pedra e soportada por imensos paredões de sustentação.

Esta vez vou começar o post pelo interior da igreja .. que é imenso: Nave; Capela / Altar; Sacrististia; Consistorio e além tem museu também. Nesta primeira parte tem muitos videos e fotos que permitiram conhecer e seguir um recorrido, pelo sue espaço e pela sua historia.

Ordem Terceira do Carmo de Vila Rica

Para a ornamentação do seu interior, a Ordem Terceira do Carmo de Vila Rica lavrou editais em praças e lugares públicos da região, para a arrematação dos seus seis altares colaterais. Entre os anos de 1782 e 1784, Manuel Francisco de Araújo arrematou: os forros, as portas das sacristias, as escadas e corredores de baixo, o tapavento, os seis altares laterais, os dois púlpitos e o assentamento dos azulejos portugueses nas paredes da capela-mor. Esse tipo trabalho, em sua maioria, foi executado por outros trabalhadores, os quais eram contratados para isso, terceirizados aos mestres.

Em 1795, foram concluídos apenas os altares de Santa Quitéria e Santa Luzia, próximos ao arco-cruzeiro. Os dois seguintes, São João e Nossa Senhora da Piedade, foram executados pelo Aleijadinho e seus oficiais entre 1807 e 1809 e os restantes, juntamente com os púlpitos, por seu discípulo Justino Ferreira de Andrade, entre 1812 e 1814.

Nos altares de São João e Nossa Senhora da Piedade, Aleijadinho procurou respeitar o estilo dos precedentes, adotando, entretanto, as colunas caneladas, envolvidas por guirlanda em espiral e capitéis em rocaille. As urnas desses dois altares apresentam relevos esculpidos que constituem talvez os últimos trabalhos de Aleijadinho no gênero. O do altar de São João representa o profeta Jeremias na prisão e o de Nossa Senhora da Piedade a paciência de Jó. Ambos os relevos são cercados por inscrições alusivas ao tema. Cabe destacar, a incorporação das sanefas introduzidas pelo Aleijadinho em todos os demais altares da nave.

A Nave

O interior é dividido em uma nave única e uma capela-mor. A parede do arco do cruzeiro é chanfrada em três partes dispostas em ângulo. Nestes ângulos se abrem portas para corredores que levam à sacristia, localizada nos fundos do edifício, atrás da capela-mor.

A nave possui o teto de tabuado corrido, com uma ondulação em forma de canga, e seis altares laterais; no lugar das tradicionais tribunas do nível superior, abrem-se em vez janelas, que dão farta iluminação para o interior do templo.

Capela-mor e Altar-mor

Já na capela-mor as tribunas permanecem, ladeando o retábulo principal. Ali o teto tem a forma de abóbada. A pintura dos forros da capela-mor e da nave é tardia. Em estilo acadêmico, as pinturas do forro da capela-mor e  nave foram executadas entre 1908/1909. pelo italiano Ângelo Clerici.

Manuel da Costa Ataíde apresentou uma proposta de ornamentação do mesmo, que foi recusada, tendo ainda assim feito um quadro da Senhora do Carmo, hoje presente no Museu da Inconfidência, em Ouro Preto.

O trono do altar apresenta a imagem de Santa Quitéria, a qual remete aos primórdios da fundação da Ordem Terceira do Carmo de Vila Rica, que construiu sua igreja no local na antiga Capela e Morro de Santa Quitéria. A imagem da santa foi homenageada no altar-mor, perto da imagem da padroeira Nossa Senhora do Carmo, entretanto, não é comum para os templos dos terceiros carmelitas apresentarem esse tipo de invocação nesse local de destaque.

Do arco central, de rico florão trabalhado e dourado, prende a corrente da custosa lâmpada de prata, ricamente trabalhada, com o peso global de 30 quilos.

O Arco-Cruzeiro é de cantaria do Itacolomi, trabalhada em duplo jogo de colunas e, encimando-o, a riquíssima tarja da Ordem do Carmelo.

Os Púlpitos são em cantaria entalhada, com ornamentos em pedra sabão, balcões de madeira, pintada, entalhada e dourada. As portas que lhe dão acesso, em jacarandá artisticamente trabalhados, são entalhadas e com ornatos em pedra sabão. Também em jacarandá negro, o gradeamento do corpo da Igreja, a balaustrada do Coro, balcões das Tribunas e Arco Cruzeiro.

Irmandade de Santa Quitéria

Sua construção se deve à iniciativa dos irmãos terceiros da Ordem do Carmo do Rio de Janeiro que se haviam transferido para a antiga Vila Rica, hoje Ouro Preto. Nesta vila eles não tinham um templo próprio para suas devoções, reunindo-se na capela de Santa Quitéria. Em 1751 os devotos fundaram uma Irmandade em Vila Rica, que deu partida ao projeto de erguer uma igreja dedicada a Nossa Senhora do Carmo.

Nossa Senhora do Carmo

Houve uma exigência para o acordo entre a Irmandade de Santa Quitéria e os terceiros carmelitas de que a imagem da santa estivesse sempre no altar-mor, no primeiro degrau abaixo do trono de Nossa Senhora do Carmo. Tal santa ainda permanece localizada nesse lugar, essa é uma característica singular da ordem, que faz parte da história de sua criação. Assim sendo, a solução encontrada pelos irmãos do Carmo de Ouro Preto para a escultura do Cristo Crucificado foi alojá-la no retábulo do consistório, completando, assim, a fatura dos retábulos dedicados aos sete Passos da Paixão de Cristo. Conforme a regra das Ordens Terceiras do Carmo brasileiras, aqui não possui a imagem de grande porte do Cristo Crucificado, mas, sim, um crucifixo na base acima do sacrário.

O risco e douramento do altar-mor ficaram sob a responsabilidade do mestre Manuel da Costa Ataíde, em 1813. Sua confecção foi executada pelo entalhador Vicente Alves da Costa, sendo concluídos em 1824. A imaginária que completa a decoração é composta de imagens de roca – Nossa Senhora do Carmo – e de dois grandes santos da Ordem Carmelita – Santo Elias e Santa Teresa d’Ávila.

No decorrer do século XX, o monumento passou por obras de restauração que se concentraram, ora nas fachadas principal e laterais, ora no adro, na antiga Casa do Noviciado e no cemitério. Nesse último, data de 1965 a substituição do muro de alvenaria pelas grades de ferro, como também a realização da primeira parte do ajardinamento pelo professor José Zanine.

 

fonte:

  • Iphan
  • A Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo de Ouro Preto (MG): aspectos históricos, artísticos, iconográficos e devocionais das esculturas da Paixão de Cristo – Lia BRUSADIN, Regina QUITES
  • LOPES, Francisco Antônio. História da construção da igreja do Carmo de Ouro Preto. Rio de Janeiro: Ministério da Educação e Saúde, 1942.
  • http://www.descubraminas.com.br/
  • http://historicosop.blogspot.com/p/igrejas.html

 

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