Igreja Santa Efigênia dos Pretos, Ouro Preto (MG) – Parte IV: A lenda do famoso “Chico Rei”

Mas também a historia da igreja de Santa Efigênia  esta ligada á lenda do famoso “Chico Rei”, que conheceremos neste post ao mesmo tempo que percorremos o interior do templo.  A lenda conta que foi construída com o ouro extraído da Mina Encardideira do Chico Rei, escravo que foi trazido do Congo, África, e que conquistou a sua liberdade com o trabalho e comprou a mina. Continue lendo “Igreja Santa Efigênia dos Pretos, Ouro Preto (MG) – Parte IV: A lenda do famoso “Chico Rei””

DIAMANTINA (MG): Igreja Nossa Senhora do Amparo – Parte II: O Cortejo do Imperador na Festa do Divino

Ainda na época do império, a igreja ganhou o título de Capela Imperial e hoje é conhecida por sediar a famosa Festa do Divino, reconhecida como Bem Imaterial de Diamantina.

A Festa do Divino acontece depois da Semana Santa, uma das maiores festas religiosas de Minas Gerais. Os fiéis que integram o Cortejo do Império desfilam fantasiados com incríveis vestimentas da época colonial. A corte imperial é acompanhada por grupos de Congado e Pastorinhas, simbolizando a escolta do Imperador até a Igreja de Nossa Senhora do Amparo.

Há registros de que a Festa do Divino, acontece no antigo Arraial do Tijuco pelo menos desde o século XVIII, sempre vinculada à Capela de Nossa Senhora do Amparo. Continue lendo “DIAMANTINA (MG): Igreja Nossa Senhora do Amparo – Parte II: O Cortejo do Imperador na Festa do Divino”

DIAMANTINA (MG): Igreja São Francisco de Assis – Parte V: A Restauração Integral da Igreja

A intervenção na Igreja São Francisco de Assis teve caráter de restauro completo, ou seja, envolveu a conservação e buscou valorizar os traços originais de cada obra de arte. A importância da obra reside também no fato de que os bens integrados da igreja nunca haviam passado por obras de restauração.

Outro fato que distingue o trabalho realizado é a surpreendente revelação de pinturas encobertas por repintura desde a segunda metade do século XIX e, portanto, desconhecidas da comunidade há mais de um século.

Arquitetos Franciscanos


Aos cronistas da Ordem, frei Apolinário da Conceição e frei Jaboatão, por volta de 1750, é que devemos a maior parte das informações existentes sobre a construção dos templos franciscanos. Sobre os construtores, os cronistas narravam as histórias de frades que assumiam tais funções técnicas como: frei Pedro de Santa Maria, os irmãos frei Junípero de São Paulo e frei Domingos dos Anjos, e frei Lucas da Trindade.

O mais antigo arquiteto da Ordem, Frei Francisco dos Santos, forneceu os riscos de Nossa Senhora das Neves de Olinda, em 1585, e os do convento da Paraíba em 1590. O frei Jaboatão indica em seus livros descreve os pormenores do claustro do Convento de Santo Antônio do Recife (Pernambuco) e aponta que as pedras utilizadas na construção do Convento de Santo Antônio de João Pessoa (Paraíba) foram extraídas do rio próximo.

A vida do frade espanhol frei Pedro Palácios é outro exemplo de biografia interligada a história construtiva. O edifício em questão é o Convento de Nossa Senhora da Penha de Vila Velha (ES). Edificado pelo frade, com o auxílio da população local, foi implantado numa elevação próxima ao centro urbano, em 1558.

Para implantar os conventos franciscanos havia preferência em elevações próximas às fontes de água (rios, lagoas ou mares) nos limites de núcleos urbanos. Inicialmente, os edifícios eram feitos em taipa e, posteriormente, refeitos em materiais duráveis, como no Convento de Santo Antônio de Cairu (Bahia), tempo depois reformado em pedra e cal. A construção definitiva em alvenaria só foi decidida em 1653, sendo indicado para projetar a igreja o frei Daniel de São Francisco, ex-frade do Convento de Olinda que mudou-se para Salvador com a ocupação holandesa em Pernambuco.

Na região de Minas Gerais, as obras do Barroco se inicia a partir do 1700 com a descoberta do ouro e do diamante na região, que trazem uma súbita riqueza para a região. Teve como centro a antiga Vila Rica que hoje é Ouro Preto, mas teve fortes traços em outras regiões como Serro, Mariana, Tiradentes, Sabará, São João del-Rei, Congonhas e outros povoados. Além desses municípios, o Barroco também floresceu com vigor na cidade de Diamantina.

O barroco Mineiro se difere dos demais devido a liberdade de criação e propagação de templos religiosos a diferença daqueles na região litorânea brasileira, onde as construções eram mais orientadas pelos padrões rígidos das congregações europeias.

A história da construção da Igreja de São Francisco de Assis em Diamantina começa no ano de 1762, com a implantação da Venerável Ordem Terceira de São Francisco de Assis no então arraial do Tijuco (antiga sede do Distrito Diamantino), e sua construção foi possibilitada graças à uma série de doações de irmãos e devotos.

Restauração Integral da Igreja


Antigos reparos no telhado da igreja

No final do ano de 2002, foram concluídos o projeto básico de restauração arquitetônica da igreja da Ordem Terceira de São Francisco de Assis, sob responsabilidade técnica da arquiteta especialista Maria Cristina Cairo Silva, e o Projeto de restauração e revitalização de bens integrados, coordenado pela 13ª Superintendência Regional do Iphan, ambos elaborados com recursos do Monumenta. Quanto ao projeto dos bens integrados, foi necessária sua complementação, uma vez que incluía inicialmente apenas os trabalhos dos forros da capela-mor e do consistório. Nesse momento, contou-se com a participação do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais – Iepha/MG.

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Em abril de 2005, foram repassados os recursos necessários para a restauração arquitetônica completa. O montante de investimentos do Programa Monumenta/Iphan e da prefeitura municipal totalizou 755 mil reais, dos quais 326.493 mil reais foram alocados pelo Ministério da Cultura. As obras abrangeram o edifício, o adro, escadaria e áreas externas das laterais e da parte posterior do terreno, o cemitério de gavetas, ou carneira, o conjunto de bens artísticos integrados à arquitetura e, ainda, peças do acervo de imaginária.

O prazo inicialmente previsto para a realização dos serviços foi estendido com a revelação, por meio de prospecções, de graves problemas de desequilíbrio estrutural e de pinturas originais encobertas por repinturas.

Antigos reparos no telhado da igreja

A intervenção compreendeu basicamente duas fases: a de restauração arquitetônica, iniciada em setembro de 2005 e finalizada em janeiro de 2007, e a de restauração dos elementos artísticos integrados, de fevereiro do mesmo ano a fevereiro de 2008. Os projetos técnicos e orçamentos foram fornecidos pela prefeitura municipal de Diamantina como contrapartida do Programa, assim como a contratação da empresa executora do restauro dos bens integrados e a responsabilidade executiva e fiscalização, que ficaram também a cargo do poder público municipal.

A execução da obra arquitetônica contou com equipe experiente, composta por oficiais do escritório técnico do Iphan, sediado em Diamantina, da prefeitura municipal e da Empresa Sudoeste, e constituída, além do responsável técnico e do chefe de obras, por sete oficiais e quatro meio-oficiais, totalizando 11 trabalhadores.

Rua Macau de Cima, Ao fundo a escadaria lateral da igreja de São Francisco

Quanto aos trabalhos de restauração dos bens artísticos integrados à arquitetura, a execução coube à competente equipe da empresa Anima Conservação e Artes Ltda., coordenada pelo restaurador e conservador Gilson Felipe Ribeiro, com apoio técnico dos restauradores Edimilson Barreto Marques e Carlos Magno. Abrangeu todo o conjunto pictórico e escultórico da capela – forros e cimalhas da capela-mor e do consistório, painéis frontais do supedâneo, retábulo-mor e retábulos colaterais, arco cruzeiro e tarja, púlpito e imagem do Senhor dos Passos.

A obra foi entregue em 17 de março de 2008.

A restauração arquitetônica


A cobertura, principalmente na região ao longo da cumeeira, apresentava-se sobrecarregada, com acúmulo de argamassa e telhas provenientes de sucessivos reparos e obras. Tratava-se, na realidade, de problema já verificado em obras anteriores e discutido, como visto, pelos responsáveis técnicos da intervenção de 1947, executada pelo Iphan.

Entre os serviços realizados, destaca-se a implantação de sistema de drenagem ao longo das paredes externas e do muro de divisa do terreno na parte superior do talude, para impedir as violentas infiltrações de águas pluviais que comprometiam a estabilidade da estrutura da igreja como um todo. Esse problema vinha de épocas anteriores e já fora mencionado nos relatórios de obras do Iphan, como consta da proposta de 1975 em que se decidiu “fazer um dreno para o escoamento de água nascente no terreno propensa a prejudicar a estrutura do monumento”. A drenagem executada não resolveu completamente os problemas de infiltração, tendo sido necessária a execução de novo sistema incluindo drenagem profunda em todo o perímetro da igreja e superficial na área lateral acima do talude, junto ao muro.

Estabilização estrutural


A estrutura autônoma de madeira com vedações em parte de adobe e parte em tijolo maciço, introduzido em intervenções anteriores, possuía evidências de sérios problemas de estabilidade, originários especialmente da deterioração de suas articulações principais e secundárias. O engradamento da estrutura em geral e, em especial, os esteios e outras peças da fachada principal encontravam-se danificados por infiltrações e sobrecarregados, entre eles o cunhal anterior lateral esquerdo e o frechal na articulação com o esteio, ponto de maior esforço do conjunto.

A estrutura das fachadas laterais encontrava-se completamente desligada da principal em função do arruinamento das ligações entre baldrames, madres, travessas, esteios e frechais. Na lateral direita, fortes e continuadas infiltrações sob os pisos da sacristia e da nave, ocasionadas pela ausência de drenagem e acúmulo de água a partir dos taludes, haviam comprometido o equilíbrio estrutural e criado situação de alto risco para a estabilidade do edifício. Os trabalhos de consolidação e travamento da estrutura foram os primeiros a se realizar. Foram executados novos apoios em pilaretes de concreto, em lugar dos nabos de madeira deteriorados. Nas fachadas laterais, todos os vínculos entre peças da estrutura, esteios e frechais, madres, baldrames e travessas, foram recompostos e reforçados com chapeamento em ferro.

Na estrutura da nave, destacou-se o arruinamento dos encaixes entre o tirante e os frechais na área sobre o coro, com a consequente movimentação das paredes por empuxo em diagonal, que empurrou a estrutura da lateral direita. Foram revistas todas as articulações, consolidadas as ligações das cabeças dos tirantes com os esteios e os frechais e reforçado todo o conjunto com cantoneiras metálicas.

O arco cruzeiro foi outro importante elemento estrutural que apresentou indicações de graves lesões. Como elas não se acusavam externamente pela presença dos revestimentos, não haviam sido diagnosticadas na fase de projeto. Sua estabilidade, entretanto, estava totalmente comprometida, com problemas de desaprumo e torção dos principais apoios, além de desligamento dos baldrames e dos esteios de sustentação, levando, inclusive, a abatimento na área do altar colateral esquerdo. Foi necessário, portanto, substituir integralmente os pés de esteio, com a execução de sapatas de concreto em lugar dos nabos de madeira apodrecidos.

A cobertura


O engradamento em madeira da cobertura apresentava problemas de conservação em vários de seus componentes, com destaque para os frechais que tinham suas extremidades danificadas, comprometendo a amarração superior do arcabouço estrutural. O ripamento encontrava-se bastante irregular e avariado, assim como a armação dos beirais, notadamente no frontispício.

As beiradas em cimalha também possuíam trechos deteriorados. No entelhamento, muitas peças estavam danificadas, trincadas e com quebras. Um dos principais problemas era o excessivo acúmulo de massa e pedaços de telhas nas junções e sob a cumeeira, resultado de inúmeras obras de reparos feitas sucessivamente, sem remoção de camadas já existentes. Com isso, o peso da cobertura foi bastante ampliado, sobrecarregando tanto sua própria estrutura quanto a do edifício. O engradamento foi minuciosamente revisado, tendo esse diagnóstico demonstrado que seria necessário trabalhar toda a área de cobertura, incluindo a nave, capela-mor, sacristia, consistório, torre e carneira. As peças e partes danificadas do madeiramento foram substituídas e suas ligações reforçadas com chapas metálicas.

Os contrafeitos de pau roliço, por sua precária situação, deram lugar a peças aparelhadas devidamente tratadas, procedimento que se estendeu ao restante da estrutura em madeira dos beirais. O estado de arruinamento em que se encontravam as cimalhas externas ensejou sua recomposição integral no frontispício e parcial com reaproveitamento em outros trechos, tendo sido as novas peças confeccionadas por meio de moldes a partir das originais. Entre outros serviços, foram objeto de cuidados especiais as chapas e rufos de proteção do frontão e encontros de paredes e telhados, para eliminar as infiltrações de águas pluviais, com a impermeabilização de diversos elementos, descupinização e tratamentos preventivos de todo o madeiramento.

O entelhamento passou por substituição praticamente integral, e as irregularidades do acúmulo de massa e entulho ao longo da cumeeira foram eliminadas, destacando-se o cuidadoso trabalho para retomar o ponto original do telhado. Foram seguidos procedimentos já consagrados na atuação do Iphan, com reaproveitamento de telhas em boas condições, colocadas como capas após lavagem, e uso de novas telhas, com as dimensões das originais, como bicas. Na execução do capeamento dos muros externos foram utilizadas, também, telhas reaproveitadas.

Frontispício


O frontão encontrava-se desaprumado e com evidências de desgaste e mau funcionamento do esqueleto estrutural, e recebeu tratamento de consolidação por meio de troca de peças deterioradas e reforço nos encaixes. Foi realizada a recomposição de revestimentos das faixas e volutas e troca integral da forração da face posterior. Por fim, aplicou-se o acabamento com pintura a óleo nas cores branca, no fundo, e vermelha-sangue-de-boi, nas molduras. Os serviços nos arremates de coroamento compreenderam a fixação da peanha, o reaprumo da cruz e a restauração do resplendor e pintura.

A moldura do óculo, sobrevergas perfiladas e entablamento estavam em acelerado processo de deterioração por excesso de umidade, furos de pregos e rachaduras. A pintura encontrava-se comprometida por sujidade generalizada, desgastes, manchas escurecidas, tons desbotados, escorridos de água e oxidação de cravos. Realizaram-se os necessários trabalhos nos suportes e na policromia. O emolduramento em madeira do óculo foi totalmente restaurado e recebeu pintura lisa de acabamento segundo tonalidades prospectadas.

Esta é a única igreja com relógio na torre em Diamantina

Na realização da obra destacou-se, ainda, a restauração do relógio da torre, ali inserido nas primeiras décadas do século XX. Procedeu-se à retirada controlada do mecanismo, que passou então por serviços de manutenção e retífica integral em oficina de tornearia. Recolocado no local original, encontra-se em pleno funcionamento, após ficar desativado por mais de 20 anos.

Com relação aos pisos, o trabalho mais extenso foi o da revisão estrutural do tabuado da capela-mor e da sacristia, nos quais se mostrou necessária a remoção total para a recuperação do barroteamento. A solução adotada para a estrutura foi a colocação de barrotes suplementares para reforçar a capacidade de sustentação dos antigos e permitir maior aproveitamento das peças.

Restauração dos forros


Quanto aos forros, os da capela-mor e do consistório, por seu tratamento com pintura artística, constituíram alvo de projetos e intervenção específicos, detalhados no presente texto no conjunto de bens integrados. O tabuado de forro da nave teve partes trocadas e recuperadas. As substituições de tábuas foram concentradas na área sobre o coro, trecho menos visível, empregando-se tabuado mais estreito. As peças que estavam em bom estado foram remanejadas para complementação das áreas perdidas ou inaproveitáveis do restante do forro.

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Pintura da abóbada da capelamor ajustada com José Soares de Araújo: medalhão de N. Sra. da Conceição rodeada por anjos. Foto de Nelson Kon, 2008

Na sacristia, introduziu-se forro em saia-e-camisa, recompondo a antiga especificação da forração. Além disso, foram trabalhados a estrutura e o suporte da arcada do coro e do tapa-vento, com execução de trabalhos de higienização, remoção das sujidades acumuladas e de excrementos de insetos, e imunização do madeiramento.

Forro do consistório, a célebre pintura elaborada em 1795 do pintor Caetano Luiz de Miranda

A instalação elétrica evidenciava graves problemas que punham em risco a conservação do edifício, o que levou à elaboração de novo projeto e execução de nova instalação. A instalação hidráulica também foi integralmente refeita, incluindo os sanitários junto à sacristia e do porão, segundo novas especificações de equipamentos, materiais e acabamentos.

A restauração dos bens artísticos integrados


A obra de restauração dos bens artísticos integrados à arquitetura, realizada pela Anima Conservação e Artes Ltda., abrangeu todo o conjunto pictórico e escultórico da capela, forros e cimalhas da capela-mor e do consistório, painéis frontais do supedâneo, retábulo-mor e laterais, arco cruzeiro e tarja, púlpito e imagem do Senhor dos Passos.

O processo foi acompanhado por profissionais especializados e devidamente registrado por meio de fotografias em todas as suas passagens. Os trabalhos foram definidos e especificados a partir da revisão, atualização e complementação de projetos e de prospecções elaborados em 2002 e 2005.

Outro fato que distingue o trabalho realizado é a surpreendente revelação de pinturas encobertas por repintura desde a segunda metade do século XIX e, portanto, desconhecidas da comunidade há mais de um século, no retábulo de São Francisco, sobretudo no camarim e no fundo dos nichos, nos painéis frontais do supedâneo e na cimalha e barra do forro do consistório.

Esse aspecto se reveste de maior relevância em razão da alta qualidade dessas pinturas e do grande significado do conjunto da obra do pintor e guarda-mor José Soares de Araújo e sua equipe, no âmbito da pintura colonial mineira e brasileira. A importância da obra reside também no fato de que os bens integrados da igreja nunca haviam passado por obras de restauração e clamavam há muito tempo por intervenção que lhes garantisse a salvaguarda.

Em geral, os problemas de conservação apresentados, tanto no campo da pintura quanto no da talha, eram semelhantes e comuns em obras confeccionadas em suportes de madeira. Verificavam-se, notadamente, o ataque de insetos xilófagos, a existência de trincas e rachaduras, o craquelamento e a falta de aderência da camada pictórica ao suporte, com descolamentos, desprendimentos e perdas significativas em alguns locais.

Além disso, a ação humana ao longo do tempo resultou na superposição de várias camadas de repintura sobre a original, as quais se encontravam bem ressecadas, e no escurecimento e modificação da composição cromática das pinturas dos forros e retábulos causados pela oxidação de camadas de verniz aplicadas às superfícies.

A intervenção teve caráter de restauro completo, ou seja, envolveu a conservação e buscou valorizar os traços originais da obra de arte, equilibrando perdas e partes remanescentes de modo a restituir sua integridade. Do ponto de vista metodológico, portanto, todas as peças foram examinadas e seus problemas diagnosticados, desde os projetos à execução dos serviços, tendo por base o interesse em revelar e ressaltar seus valores históricos, construtivos, estéticos e artísticos. As lacunas ou perdas foram tratadas mediante procedimentos técnicos internacionalmente recomendados, baseados na busca de harmonização com o todo, na preocupação em não falsear as características da obra original.

Na montagem do canteiro da obra foi adotada estratégia de funcionamento em duas áreas principais de trabalho de ateliê, compondo duas frentes para as pinturas de teto; uma na nave, atendendo inicialmente ao forro do consistório, e outra montada em plataforma sobre andaime, para os serviços do forro da capela-mor.

Os trabalhos de restauro foram empreendidos a partir da capela-mor e da pintura do teto do consistório, seguindo-se várias etapas a partir do mês de fevereiro de 2008, realizadas simultaneamente nos ateliês montados na nave e na capela-mor, e diretamente nas peças.

No início foram executados procedimentos preparatórios para o desmonte dos forros do consistório e da capela-mor. Paralelamente, iniciou-se o tratamento estrutural das cambotas dos forros e do retábulo-mor, bem como o processo de remoção de repinturas no trono, forro e painéis parietais do camarim. Esses serviços, os principais e de maiores dimensões, se estenderam até os últimos meses da obra, com exceção do painel do consistório, praticamente concluído nos primeiros quatro meses.

O tratamento pictórico da capela-mor inclui, ainda, os belos painéis frontais do supedâneo e a pintura do camarim, ambos revelados nos trabalhos de restauro. Os primeiros representam cenas bíblicas do Antigo Testamento, a Escada de Jacó, na lateral esquerda, e Jacó e o Anjo, na direita, delimitadas por delicada moldura dourada pintada e pela estrutura de pilastras, base e entablamento perfilados do próprio painel.

Fundo do Camarim do Altar-mor

Merece destaque especial a ornamentação do camarim do altar-mor, descoberta e restaurada durante as recentes obras de restauro do monumento. A superfície de fundo foi pintada em motivos de fitas e laçarotes encadeados, entrelaçados a ramagens e ramalhetes de florinhas e flores douradas trabalhadas em relevo com punção, propiciando magnífico efeito de cintilação que se repete no fundo dos nichos.

A partir do mês de maio, novos elementos passaram a ser trabalhados: retábulos laterais, arco cruzeiro, púlpito e tarja do arco, os quais foram concluídos até o início de agosto, com exceção do retábulo colateral direito e da reintegração pictórica do púlpito.

A essa altura, no retábulo-mor, o trono se encontrava pronto para receber tratamento final e se realizou serviço de desmonte e início de restauro isolado de elementos, como colunas, capitéis, apliques entalhados dos modilhões, coruchéus laterais do dossel e cimalha da capelamor. Em setembro, entre outros serviços, finalizou-se o restauro e remontagem da cimalha e do forro da capela-mor, assim como das pinturas do enquadramento das seteiras. Os trabalhos prosseguiram nos meses seguintes e contemplaram o acabamento dos retábulos, imagens e outros não previstos, que surgiram a partir do detalhamento de prospecções.

As obras de restauração dos bens artísticos integrados iniciou-se no dia 7 de fevereiro de 2007 e foi concluída em fevereiro de 2008.

 

fonte:

  • A igreja de São Francisco de Assis em Diamantina – Selma Melo Miranda (1)
  • Aproximação entre dois patrimônios: a construção narrativa dos Conventos Franciscanos nas Crônicas da Ordem no Período Colonial – Rafael Ferreira Costa (2)
  • Traços barrocos na arquitetura do centro histórico de Diamantina – Mauricio Teixeira Mendes (3)
  • http://portal.iphan.gov.br/
  • Credito fotos: Foto de Nelson Kon, 2008

Igreja Santa Efigênia dos Pretos, Ouro Preto (MG) – Parte III: Encontro Ibero-americano de Lighting Design

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A 4ta edição do Encontro Ibero-americano de Lighting Design – EILD aconteceu na cidade de Ouro Preto no ano 2016. Neste post vamos rever os projetos de iluminação ganhadores que como em todas as oportunidades este evento, os seus concursos caracterizam-se por premissas de intervenção urbana que finalmente ficam nas mãos da prefeitura local. Continue lendo “Igreja Santa Efigênia dos Pretos, Ouro Preto (MG) – Parte III: Encontro Ibero-americano de Lighting Design”

Igreja Santa Efigênia dos Pretos, Ouro Preto (MG) – Parte II: O Interior do Templo

A igreja pertence a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos da Freguesia de Antônio Dias. Segundo a tradição, existiu no local anteriormente uma ermida dedicada a Santa Efigênia, razão pela qual a atual igreja conserva as duas denominações.

A igreja demorou seis décadas para ser concluída e contou com o trabalho de diversos artistas, entre eles se destacam Manuel Francisco Lisboa (pai de Aleijadinho) e Francisco Xavier de Brito. No interior da igreja, chama a atenção o belo trabalho no altar e também a imagem de um papa negro pintado no forro, junto a outros elemento da cultura afro.

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OURO PRETO (MG): Igreja de São Francisco de Paula – Parte II: A imagem do Santo atribuída ao Aleijadinho

São Francisco de Paula é um dos templos mais recentes da cidade, ela foi a última a ser construída no período colonial. Construção iniciada em 1804 e terminada em 1878, ficou inteiramente concluída em 1904. A imagem de São Francisco de Paula que pertence à igreja é atribuída a Aleijadinho.

Miguel Antônio Tregellas era um respeitado marceneiro que possuía uma das maiores oficinas de marcenaria de toda a Província. Seus trabalhos, principalmente castiçais e oratórios, ornamentavam algumas das mais importantes Igrejas de Ouro Preto e outras cidades da região. Ele foi fundador do Liceu de Artes e Ofícios em Ouro Preto e autor dos retábulos laterais desta igreja. Continue lendo “OURO PRETO (MG): Igreja de São Francisco de Paula – Parte II: A imagem do Santo atribuída ao Aleijadinho”

DIAMANTINA (MG): Igreja Nossa Senhora do Amparo – Parte I: A Irmandade dos homens pardos no antigo Arraial do Tijuco

A pequena igreja em tons de azul e branco está escondida entre as ruas apertadas de Diamantina. Com torre única no centro e fachada delicadamente decorada com peças de madeira. A Irmandade dos Homens Pardos do Arraial do Tijuco, em 1756 foi autorizada a erigir sua própria capela, dedicada à Nossa Senhora do Amparo. As obras estendidas até 1776, teve seus ornamentos executados pelo artista Silvestre de Almeida Lopes, quem foi membro da ordem.

Ainda na época do império, a igreja recebe o título de Capela Imperial e ostenta na portada um emblema com as armas imperiais. Continue lendo “DIAMANTINA (MG): Igreja Nossa Senhora do Amparo – Parte I: A Irmandade dos homens pardos no antigo Arraial do Tijuco”

DIAMANTINA (MG): Igreja São Francisco de Assis – Parte II: As magnificas pinturas no forro do templo

O início da construção da Igreja de São Francisco de Assis data de 1762. A execução do programa litúrgico-ornamental do seu interior passou a mobilizar os terceiros franciscanos a partir dos fins dos anos 1770, naturalmente sem descuido dos demais aspectos da obra.

Com apenas uma torre lateral e detalhes em cores fortes, a igreja chama a atenção pelo belo interior, onde é possível ver as incríveis pinturas da capela-mor e da sacristia; de José Soares de Araújo e Caetano Luiz de Miranda, dois grandes nomes da arte sacra mineira. Continue lendo “DIAMANTINA (MG): Igreja São Francisco de Assis – Parte II: As magnificas pinturas no forro do templo”

OURO PRETO (MG): Igreja de São José – Parte III: Depois de permanecer 20 anos fechada a igreja foi integramente restaurada

É incrível imaginar que a restauração de uma igreja representativa de uma cidade pertencente ao Patrimônio da Humanidade levara 20 anos em se concretizar. Finalmente em setembro de 2010 foram empreendidos esforços pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), pela Paróquia de Nossa Senhora do Pilar (através do Museu de Arte Sacra) e pela Prefeitura Municipal de Ouro Preto, para viabilizar a restauração desse importante monumento.

Sob o patrocínio do Banco (BNDES) e do World Monuments Fund (WMF), os trabalhos de restauração arquitetônica foram executados pela empresa Hexágono Consultoria e Engenharia Ltda. Em dois anos tão só, a equipe técnica de restauração liderada pela arquiteta Deise Cavalcanti Lustosa conseguiu devolver todo o esplendor desta magnifica obra de arte do barroco mineiro. Continue lendo “OURO PRETO (MG): Igreja de São José – Parte III: Depois de permanecer 20 anos fechada a igreja foi integramente restaurada”