Basílica Santa Rosa Lima – Parte I: Padroeira da Independência Argentina

Localizado no cruzamento da Avenida Belgrano com a rua Pasco, no bairro de Balvanera,  encontra-se este templo católico destinado a Santa Rosa de Lima, padroeira da independência argentina.

A basílica de Santa Rosa de Lima é uma das muitas jóias arquitetônicas da cidade de Buenos Aires onde a arte bizantina foi a inspiração do arquiteto Alejandro Christophersen para criar esta igreja.

A igreja de Santa Rosa de Lima começou sua construção em 1926-1934 com a bênção do cardeal Eugenio Pacelli, que se encontrava em Buenos Aires participando do Congresso Eucarístico Internacional (mais tarde Papa Pio XII). Em 30 de agosto de 1941, a igreja foi declarada basílica.

Historia da Basílica


A construção da igreja começou em 1926 com a colocação da pedra fundamental, sendo padrinhos da época o Presidente da Nação Marcelo T. de Alvear e três cidadãos de prestígio da época: Angela Unzué de Alvear, Félix de Alzaga Unzué e Condessa María Unzué de Alvear. Porém, foi inaugurado apenas em 1934, ano em que o Congresso Eucarístico Internacional foi realizado em Buenos Aires, sendo abençoado pelo cardeal Eugenio Pacelli, futuro papa Pio XII, em um ato que incluía a presença do Presidente da Nação Agustín P. Justo e o arcebispo de Lima, monsenhor Pedro Farfán, que doou um relicário com relíquias dos santos latino-americanos: Santa Rosa de Lima, San Martín de Porres, Santo Toribio de Mogrovejo e San Juan Macías.

A consagração ocorreu em 30 de agosto de 1941, no dia em que foi declarada basílica. Hoje a Basilica é considerada um Monumento Histórico Nacional

A preocupação dos vizinhos por ter um lugar para venerar a Padroeira da América, das Filipinas e das Índias Orientais (proclamação do papa Clemente X, que a canonizou em 1671), estava presente desde antes. A tal ponto que muitos fieis já haviam se juntado à campanha para arrecadar dinheiro e comprar terras para essa construção. No final de 1913, a coleção mal ultrapassava 18.000 pesos enquanto o metro quadrado custava 200 pesos. Então, a contribuição de María Unzué de Alvear, que doou o terreno na esquina da Av. Belgrano e Pasco, foi fundamental.

O arquiteto do projeto foi o norueguês Alejandro Christophersen, uma das principais figuras do ecletismo local, muito prolífico em nosso país e em todo o seu trabalho, fazendo uso do amplo repertório arquitetônico da época, aprendido na École des Beaux Arts de Paris. Ele também é o autor do Palácio Anchorena, da Bolsa de Buenos Aires, da Igreja Ortodoxa Russa em frente ao Parque Lezama, entre muitos outros.

A construção ficou a cargo do Ing. Andrés Millé Giménez, Engenheiro Industrial e Historiador, que nasceu em Almería, Espanha (29.I.1885) e estudou na Escola de Engenheiros de Barcelona. Em 1910, emigrou para a Argentina, onde se dedicou à construção e atuou como arquiteto em reformas importantes, como a reforma da Igreja de Nossa Senhora do Pilar, a Iglesia Santa Catalinas de Siena, etc.

Embora os fundadores originalmente quisessem um templo como a Sacre Coueur de Montmatre, Chistophersen foi inspirado por outra obra. Segundo o mesmo criador da obra, o estilo do templo foi classificado como “românico-bizantino de Périgord”, que, segundo Christophersen, era a Catedral de Santa Frente em Perigueux, na França, obra de Paul Abadie, fonte de inspiração que deu origem a este projeto.

A construção, lembra algumas das mais famosas igrejas bizantinas, como Santa Sofia de Constantinopla (na atual Istambul) por sua coroa de colunas. Mas, diferentemente dessa, a cúpula de Santa Rosa é mais alta e mais semelhante às cúpulas da Renascença.

Os restos de Pbro Rodolfo Carboni repousam no templo, pastor de 1937 a 1960, e fundador da congregação Hnas. Auxiliares da Paróquia de Santa María. Em 1978, o cinquentenário da construção da paróquia foi comemorado com grande solenidade. Na ocasião, com o esforço dos paroquianos, uma casa foi adquirida na Rua México, 2745, onde, em 31 de maio de 1980, começou a funcionar o “Centro Comunitário Padre Carboni”.

A beleza del arte románico-bizantino em Buenos Aires


Quanto à arquitetura da Basílica de Santa Rosa Lima, pela entrada da Av. Belgrano, podemos ver que o exterior é de tijolo vermelho, granito e pedra, com telhas italianas, cúpulas de cobre e mosaicos ornamentais.

Na fachada central, podemos ver uma roseta em forma de cruz, abaixo de la uma  imagem de Santa Rosa.

Na parte superior da frente, vemos um Roseton (janela circular aberta) em forma de cruz de São Bento. Embora o Rosetón seja característico da arquitetura gótica tal como os vitreaux no interior da igreja, a maior parte da arquitetura desta basílica pode ser marcada no estilo românico-bizantino.

Acima de suas três portas de acesso, na entrada principal o escudo/brasão papal e nas laterais os brasões da Argentina e do Peru, país de origem de Santa Rosa.

Cúpula


Mencionar os valiosos detalhes arquitetônicos da Basílica ocuparia muito espaço. Mas basta destacar a cúpula apoiada por dezoito colunas de mármore cipollino (é chamado assim porque suas veias verdes lembram as camadas de uma cebola. As pilastras e as colunas de apoio das galerias e do coro também foram feitas em Cipollino.

Duas cúpulas pequenas estão localizadas nas laterais da cúpula principal

As pechinas transmitem o peso da cúpula para os pilares, pilastras ou paredes, através de arcos ou cúpulas semi-esféricas que as ligam lateralmente.

O uso de arcos semicirculares e capitais compostos predomina na estrutura do exterior

A cúpula montada sobre pechinas é sustentada por 18 colunas de mármore Cipollino cor verde, com rodapés e frisos cobertos de mármore Tynos, originalmente feito de pedra. A cúpula termina em uma lanterna em forma de torre que fornece luz para o templo.

Torres


Escamas de cobre cobrem as cúpulas, bem como as cruzes na parte superior das cúpulas, todas são de cobre. A cor verde dos tetos que contrasta com as paredes de tijolo vermelho e pedra, é dada pelos azulejos de cobre que, ao longo dos anos, ficaram verdes.

Esse revestimento, escolhido por Alejandro Christophersen (o arquiteto que projetou a Basílica), está certo: o cobre é leve, sem manutenção, durável (com mais de 100 anos) e enferrujando, mas sem corrosão, tornando-o o quase indestrutível.

Vista posterior da igreja que foi inaugurada em 12 de outubro de 1934

Enquanto os trabalhos estavam sendo concluídos, as celebrações ocorreram na cripta. No lado da rua Pasco fica a entrada para a cripta subterrânea que ocupa toda a superfície do terreno, onde descansam os restos da família Fundadora.

Santa Rosa de Lima


Santa Rosa de nasceu na cidade de Lima, que era então a capital do vice-reinado do Peru, em 30 de abril de 1586. Ela era membro de uma família que tinha outros doze filhos e, desde menina, mostrava uma inclinação pelo místico. Aos 20 anos, ele adotou os hábitos da ordem dominicana, admiradora do trabalho de Santa Catarina de Siena, consagrou sua vida aos doentes e crianças. Acredita-se que essa decisão tenha sido influenciada pelo tempo em que viveu em Quives, uma cidade mineira andina onde seu pai trabalhava como administrador.

Sua figura está ligada a uma lenda que surgiu em 1615. Eles dizem que um grupo de piratas holandeses ia desembarcar no porto de El Callao, Lima, e Rosa fez um apelo que mais tarde provocou uma grande tempestade e os piratas não foram capazes de atacar a cidade. Para muitos devotos, essa é a origem da tempestade Santa Rosa, que geralmente ocorre no Hemisfério Sul dias antes ou depois das festividades da santa. Em Callao, devido a um microclima muito especial, é improvável que chova; portanto, os fiéis católicos surpresos atribuíram a tempestade às orações da jovem, que entrou na história como Santa Rosa de Lima.

Em 30 de agosto, é comemorado o Festival da Santa Padroeira

Rosa nunca se tornou freira, ela usava apenas o hábito leigo da Terceira Ordem Franciscana do Convento de Santo Domingo e sua clausura consistia em ficar nos fundos de sua casa, em uma cabana, onde cuidava de plantas e cuidava de doentes e mendigos.
O Papa Clemente IX assinou o decreto de beatificação em 12 de março de 1668; em 11 de agosto de 1670, declarou ela Padroeira de Lima e da América, Filipinas e Índias Ocidentais.

Santa Rosa de Lima foi a primeira santa americana, Isabel Flores de Oliva, que era seu nome verdadeiro, nasceu em Lima, Peru em 30 de abril de 1586. Dizem que em 1º de agosto de 1617, orando na igreja de Santo Domingo, ela recebeu a revelação divina de que em breve morreria. A doença terminou com ela em 24 de agosto de 1617, aos 31 anos, e ela foi enterrada na igreja.

Ela foi declarada Patrona da América Latina, sendo a primeira Santa do Novo Continente e também no Congresso de Tucumán em 1816, nomeada Patrona da Independência da Argentina.

 

fonte:

  • https://www.arkiplus.com/basilica-de-santa-rosa-de-lima/
  • La belleza del arte románico-bizantino en Buenos Aires (Primer premio) Estévez, Rocío Solange (1)
  • Del Neogótico al Neorrománico. El reloj de los estilos retrocede hacia una nueva periodización de la historia de la arquitectura religiosa en la Argentina – Juan Antonio Lázara

 

 

 

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