Basílica de San José de Flores – Parte I: O antigo Templo de Flores

A primitiva capela e a praça foram o núcleo em torno do qual começou a crescer o bairro de Flores. A igreja de Flores contou com um antigo templo inaugurado em 1831, mas infelizmente ele se deteriora progressivamente apesar das constantes reparações. A construção da atual igreja começou em 1879 e foi inaugurada em 18 de fevereiro de 1883.

O bairro de Flores e o Caminho Real


A Avenida Rivadavia funciona como corredor urbano que separa o Flores Norte do Flores Sur. A primeira é a área superior onde está localizado o casco fundador do bairro. Ao sul, a área baixa e alagada, chamada Bajo Flores, que constitui a área mais humilde.

A localização do bairro era estratégica: atravessada pelo Caminho Real, tornou-se parada obrigatória para carroças e boiada na viagem entre Buenos Aires e o interior do pais. Outra importante rota que comunicava Flores com a cidade de Buenos Aires era o chamado Caminho de Gauna (hoje Avenida Gaona). As duas estradas eram as vias comerciais da província. Em 1869 iniciassem as obras de pavimentação de ambas.

A primitiva Capela


A capela (posteriormente Igreja de San José de Flores) e a praça foram o núcleo em torno do qual começou a crescer a cidade.

A família de Ramón Francisco Flores doou terras para a construção da futura igreja paroquial, outro terreno para a construção de uma praça e um terceiro para a instalação dos matadouros públicos da nova vila. O processo foi submetido ao Vice-rei Rafael de Sobremonte três anos depois, e em 31 de maio de 1806 foi formalmente erigida a nova paróquia, denominada San José de Flores.

Um primeiro templo precário de adobe, madeira e palha durou apenas alguns anos. O padre Miguel García arrecadou fundos entre os moradores da paróquia para a construção de um templo definitivo, obtendo do próprio Ramón Francisco Flores uma doação de doze mil tijolos de primeira qualidade.

Em 19 de fevereiro de 1810, começaram a ser construídas as fundações da nova igreja, mas em 12 de maio de 1810 a obra teve que ser suspensa por falta de recursos. Em 10 de maio de 1810 tinha acontecido um dos maiores sucessos na historia nacional: A Revolução de Maio, que dava inicio ao processo de independência da Coroa Espanhola. Mesmo em 18 de fevereiro de 1811, as obras foram reiniciadas, sendo novamente suspensas nesse mesmo ano. O padre García foi obrigado a instalar sua Igreja em um dos corredores adjacentes ao prédio em construção, e por duas décadas ela permaneceu naquele local.

Quando as obras cessaram em 1811, o templo ainda estava sem telhado, mas com algumas paredes levantadas na lateral e as duas capelas que restavam de ambos os lados estavam fechadas. As obras permaneceram neste estado por muitos anos, sofrendo tal deterioração que foram totalmente destruídas.

Primeira construção definitiva


Em fevereiro de 1830, o Dr. Martín Boneo, amigo pessoal de Juan Manuel de Rosas, assumiu o  assunto. Junto ao novo pároco dedicou seus esforços a dois projetos prioritários: construir uma nova igreja e erradicar o pequeno cemitério vizinho, transferindo-o para um local maior e menos urbanizado. Em apenas dois meses, Boneo conseguiu entusiasmar os vizinhos, que apoiaram suas propostas. Depois da solidariedade do governador Juan Manuel de Rosas, a quem nomeou padrinho do templo e que teria papel decisivo na sua realização, toda a sociedade portenha colaborou em doações de vários tipos para a nova igreja, desde dinheiro a tijolos, grades, portas de cedro, panos, tapetes ou imágenes de culto.

Entre eles encontramos os nomes de Encarnación Ezcurra e sua irmã María Josefa (esposa e cunhada de Rosas), Manuel Vicente Maza, Lucio Norberto Mansilla, Ángel Pacheco, Juan José Paso, José Rondeau, Gregorio Perdriel, Gervasio Ortiz de Rosas, Juan José de Anchorena, sobrenomes todos das familias mas abastadas da época. O autor dos planos foi o engenheiro Felipe Senillosa. A igreja foi inaugurada em 11 de dezembro de 1831 com festas populares que duraram toda a semana, embora o pórtico e a segunda torre ainda não tivessem sido concluídos, os quais foram concluídos em 1833.

Primeira Igreja de San José de Flores. Aquarela de Pellegrini (1840)
Risco da primeira igreja; Felipe Senillosa

Uma vez inaugurada a igreja, o pároco provisório esforçou-se por levar a bom termo as obras ainda não concluídas e que, embora acessórias, eram estritamente necessárias para o melhor aspecto da igreja paroquial. E não conseguindo os recursos que lhe eram indispensáveis, recorreu à autoridade eclesiástica, solicitando, por nota de 9 de agosto de 1832, a faculdade necessária para vender os terrenos da igreja  que circundavam o templo, e assim continuar as obras até a sua conclusão completa.

Vinte e tantos anos depois, em 1857, a igreja teve que ser totalmente reformada. O Padre Velarde, então pároco, encarregou-se da renovação geral da igreja, deslocando quase toda a madeira dos seus tectos perdidos, fez os tectos do presbitério, nave principal e colaterais, bem como a cornija e a pintura interiores e exteriores, revestimentos de cal, etc.

Este antigo templo infelizmente se deteriora progressivamente apesar das constantes reparações e por sua vez, começa a ser insuficiente para a população crescente.

Túneles_Aliviadores_Arquitectura_Infraestructura_Urbanismo_ Zanjón_Granados
Em 1888, o bairro de Flores e Belgrano, foram anexados à Capital Federal

Em 1815, os habitantes do distrito de San José de Flores eram 993 personas. Até 1830 o desenvolvimento da cidade foi lento, mas já contava com um Juiz de Paz (autoridade máxima da cidade) e duas escolas. As fazendas começaram a se alternar com as casas de afastados membros da elite portenha. Em meados do século XIX, o progresso tornou-se mais acelerado, ultrapassando 5.500 habitantes em 1852.

Em 1871, Don Mariano Billinghurst construiu a primeira linha de tranvías (trem elétrico) desde a Praça de Maio ate a Plaza de Flores, após a Avenida Rivadavia ter sido definitivamente pavimentada com pedras. Começou assim, o processo de expansão demográfica e comercial promovido com a chegada da ferrovia.

Edifício atual


Em abril de 1878, o Padre Feliciano de Vita assumiu o comando da Paróquia, quem encomendou a construção de um novo templo para substituir o antigo prédio construído por Senillosa durante o governo de Rosas, já que se encontrava em estado perigoso. Por outro lado, sua capacidade não era suficiente para abrigar muita gente e também estava em descompasso com as grandes residências já construídas pelas famílias ricas da área, os quais mais uma vez colaboraram com contribuições ao projeto da nova igreja.

A fachada classicista com parapeitos e balaustradas é constituída por um majestoso portal de ordem gigante e frontão retangular, rematado por uma torre de copulin de pizarras com relógio e quatro esculturas. Acima da portada principal a imagem do santo padroeiro San José ladeada por dois belíssimos releves.

A construção da atual igreja começou em 1879 e foi inaugurado em 1883

Tendo promovido as primeiras obras de construção do novo templo, o Padre Devita, com o objetivo de arrecadar os primeiros fundos para o início das obras, resolveu vender os terrenos limítrofes da igreja e sobre os quais se situava a antiga casa paroquial. A venda, realizada no início de 1879 arrecadou um total de duzentos e cinquenta mil pesos da moeda antiga.

Em 4 de maio de 1879, a pedra fundamental do novo templo foi lançada. Quase dois meses depois, em 23 de julho de 1879, os arquitetos italianos Benito Panunzi e Emilio Lombardo, encarregados da obra, concluíram a planta, assentando os primeiros tijolos do atual templo. A construção foi executada pelos arquitetos Andrés Simonazzi e Tomás Allegrini.

Em 18 de fevereiro de 1883, após 3 anos e 9 meses, foi inaugurada a atual Igreja de San José de Flores. A rápida conclusão da obra foi produto da ação da comissão encarregada de arrecadar fundos, composta por membros de famílias abastadas da época.

Mas o crescimento sofrido em Flores no início do século XX e o consequente aumento da atividade comercial determinaram a constituição de entidades bancárias. O Banco da Nación (agência Flores) é obra do arquiteto alemão Karl Nordmann e foi inaugurado em 25 de maio de 1910. Em 1923, com a aquisição do restante do terreno pelo Escritório de Arquitetura do Banco completou a construção, a cargo da a arquiteto R. Peralta Martínez.

Os becos que correm dos dois lados da igreja também têm sua história. Um deles, Salala, foi feito por Don Pedro Pablo Roberts, com o único propósito de aumentar a valorização das casas vizinhas, e o outro, Pescadores, surgiu por disposição da prefeitura.

Entre a lateral da igreja e o Banco Nacion formou-se um beco único, muito estreito ate chegar aos fundos da igreja

A igreja foi elevada a Basílica Menor em 20 de janeiro de 1912 pelo Papa Pio X, sendo Arcebispo de Buenos Aires, Monsenhor Mariano Antonio Espinosa.

Em 1916, no dia 1º de julho, a Basílica foi consagrada ao Sagrado Coração de Jesus. No dia 28 de outubro de 1956, a imagem de São José que preside o altar-mor do templo, recebeu a coroação pontifícia, por distinção especial do Papa Pio XII, inaugurando ao mesmo tempo o Camarim de São José e o Batistério.

O único ponto de visão exterior para conseguir apreciar a grande cúpula pode ser visto através desde beco na lateral.

Entre 2014 e 2015, graças ao programa patrocinado pelo governo da Cidade Autônoma de Buenos Aires, foi realizada a restauração integral do templo em seu interior, restaurando tanto as pinturas como o interior da cúpula central do templo. As reparações incluíram também o restauro do átrio da entrada e a criação de uma rampa de acesso ao templo.

Praça de Flores


O terreno doado pelo fundador do município, em 1804, permaneceu desprovido de toda ornamentação vegetal, até meados do governo Rosas, época em que seu traçado foi retificado, construindo posteriormente os jardins, essenciais em qualquer passeio público.

Após a queda de Rosas, em 1852, a praça adquiriu as novas concepções urbanísticas trazidas da Europa e dos Estados Unidos sobre o progresso. Com seu paisagismo de influências europeias, deixou de ser um terreno baldio, uma parada de carretas e carroças. Em 1855 chamava-se “Plaza 14 de Julho” e em 1862 foi instalado nela o primeiro carrossel. Em 1870 o nome foi mudado para “Plaza San José” e em 1894 passou a chamar-se “Praça Pueyrredón”. Desde março de 2013, o perímetro da praça está cercado.

Nesta praça está localizado o monumento ao ex-Diretor Supremo em 1816, General Juan Martín de Pueyrredón, inaugurado em 28 de maio de 1911, a obra de Rafael Hernández. Outras obras que decoram a praça, todas de artistas argentinos, são: “Las Tres Gracias”, “Canción”, “La Espera”, y “Monje bajo la lluvia o Contravento”.

Como chegar ate o bairro Flores? … Muito simples, pegue o metro.

 

fonte:

  • http://www.revisionistas.com.ar/?p=11830
  • www.amigosdesanjose.wordpress.com/5-lugares-de-culto-a-san-jose/1-basilica-san-jose-de-flores-buenos-aires-argentina/
  • https://lacomuna7.com.ar/historia/ – “Es la expresión del cariño que tenemos por San José” Por María Gabriela Perugini
  • https://www.buenosaires.gob.ar

 

 

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